Confesso, sou do tipo que se apaixona por docentes. É uma paixão platônica, sem gênero, que acontece desde a pré-escola. Muitas vezes pensei em ser professora, ainda que eu praticamente não me recorde qual foi a variável que me colocou na clínica, me vejo igualmente realizada em meio aos artigos acadêmicos que não escrevi.
Provavelmente, não sou a única que já se vislumbrou com a profissão. Era do tipo que brigava para segurar o giz de lousa e rabiscar garranchos do alfabeto no quadro. E é exatamente por isso que eu não entendo como é que chegamos ao atual patamar de desvalorização dessa carreira.
Não consigo imaginar um futuro sem professores, seja pela descoberta da alfabetização ou pela riqueza das pesquisas científicas. Eles são a nossa figura de conhecimento, o carrasco da nossa indisciplina…os pais não biológicos do nosso aprendizado.
Tenho uma ferida aberta em meu peito, que jamais se cicatrizará, pelo ataque aos professores no Paraná e pela falta de apoio às greves. Não consigo compreender o despertar de uma ação de guerra, enquanto deveríamos todos, unirmos pela luta. Luta esta que não pertence somente à classe, mas sim a todos os brasileiros. Somente um país vexatoriamente carente de educação poderia atirar contra seus mestres!
Sinto-me professora nos meus domínios, repasso conteúdo, corrijo, chamo a atenção para o essencial, regozijo-me na conquista do meu aprendiz. E só pude ser assim porque assim fui ensinada.

Quem nunca se inspirou em grandes professores? Paixão eterna… E que nossas crianças possam resgatar esta paixão. ;-(