Home Blog Page 86

Receita de vó?

2

Hoje almocei com Helena. Ela estava se sentindo na pior por ter alcançado seus 30 anos.

– Eva… não sei mais o que eu faço… o que eu estou fazendo com a minha vida?

Helena começou a calcular,  precisava urgente de um namorado. Precisava de tempo suficiente para namorar, para receber um pedido de noivado e então organizar o casamento de seus sonhos. Precisava de mais alguns anos para conviver a sós com ele, no futuro apartamento e, então, ter filhos. Seu relógio biológico ou, porque não dizer, a bomba-relógio que transformava seu útero, estava apitando e, a qualquer instante, sua incompetência em conseguir “um amor” a condenaria eternamente ao “encalhamento” e,  a tragédia das tragédias: morrer sozinha.

– Lena, pense… você sente mesmo a falta de um namorado com a vida que você tem hoje?

Helena está muito bem, é bonita, financeiramente independente, cercada por amigas e amigos, cheia de hobbies, mas se angustia ao pensar em um dia se arrepender e se descobrir velha e só.

Enquanto conversávamos, me questionava sobre a velha receita da minha amada vovó Bernarda. “Se você não quiser morrer sozinha, arrume um homem antes dos 20 e tenha filhos antes dos 30.”

Pedimos a sobremesa: pudim de leite. Essa receita com certeza nos faz falta. A deliciosa receita do pudim de leite da vovó Bernarda!

Imagem: agradecimento ao naminhapanela.com

Desejos de uma solteiranda

2

Viver em plenitude

Atitudes nada convencionais

Ter sempre magnitude

 

Poder um chopp com os amigos

Simplicidade

Não ter inimigos

 

Estar com familiares carinhosos

Não ter hora marcada

E de vez em quando pares amorosos

 

Dias de sossego

Nada de prestação de contas

Não acordar cedo

 

Viajar pela imensidão

Matar a saudade

Não ficar em nenhuma prisão

 

Dormir bastante

Aproveitar a balada

Não ser arrogante

 

Estudar semântica

Ouvir o silêncio

Ser solteiramente romântica

 

Liberdade

Simplesmente correr

Ser eu de verdade

 

Acompanhados de atitude e do “fazer acontecer”, os desejos são os originadores de nossos planos de vida e, consequentemente, de nossas realizações, aprendizados e felicidade.

Eles nos inspiram e nos movem, às vezes de modo incomensurável. Outras vezes, são desejos tão simples, quiçá até tolos, mas são mais que suficientes para continuarmos nosso caminho, o de Solteirar.

Crônica de uma exceção

1

No cartório, em roupas para aquém do bom gosto, uma exuberância feminina bem ao gosto da exigência de qualquer macho de plantão. Ao lado, discretos, dois armários humanos.

Chega um homem bem arrumado, mas já um tanto passado do vigor masculino. Sem ligar para a platéia, distribuída pelos bancos do salão, em derredor, ele começa um discurso de pedido de desculpas. Que era demais chegarem àquele ponto, tudo rápido demais para ele.

A bela, calmamente, retruca dizendo que não era como as outras que davam tantas chances para se prejudicarem sempre depois. Se ele não tinha entendido que ela merecia ser bem tratada, sem ameaças ou brutalidades, como uma princesa, ela não podia fazer nada.

O homem chora, pedindo compreensão. E, inconsolável, levanta a voz reclamando que não podia se conformar por dividir seus bens.

A jovem indica os guarda-costas e avisa que teria outra vida e endereço.

Ele fica desolado. Senta arrasado em frente à escrevente e assina, enfim, vários papéis. A moça também.

Ela levanta e, com seus anjos da guarda, sai imponente e vencedora.

Olhos e risinhos acompanham o chorão que miudamente some em meio ao povo.

Como suas amigas previram, ela era areia demais para tão reduzido caminhão.

A moça

2

Ah! Essas moças

Lindas, feias, gordas, magras

Felizes, tristes, sóbrias, amargas

 

Ah! Essa moça

Se soubesse o poder que tem

Se soubesse decidir se vai ou vem

Se soubesse onde mora a alegria

Se soubesse que sorrir contagia

 

Ah! Essas moças

Jovens, velhas, mas, bondosas

Calmas, nervosas, risonhas, fogosas

 

Ah! Essa moça

Que pode fazer sua vida melhor

Que pode recusar o caminho pior

Que pode transpor a emoção do amor

Que pode transformar energia em calor

 

Ah! Essas moças

Trouxas, espertas, tolas, sabidas

Altas, baixas, tronchas, bonitas

 

Ah! Essa moça

Que muda a rota como lhe convém

Que muda o destino quando lhe cai bem

Que muda de roupa para provocar

Que muda de vida para variar

 

Ah! Essas moças

Brancas, negras, louras, morenas,

Fortes, frágeis, ríspidas, serenas

 

Ah! Essa moça

Que é quem quiser sem ninguém perceber

Que é de outro alguém quando quer pertencer

Que é de dizer que o mundo é seu

Que é na verdade simplesmente eu

Solteira sim, sozinha nunca

9

É impressionante como ainda se rotula a mulher solteira como uma pessoa sozinha e coitada. Espanta-me a confusão de conceitos de quem não consegue assimilar a diferença entre pessoa não casada (solteira) e pessoa solitária (sozinha).

Ser solteira não implica em ser uma pessoa incapaz de se relacionar, ou seja, nem toda solteira é destinada à solidão, assim como nem toda pessoa solitária é solteira. Dizer que solteira é sinônimo de mulher sozinha é ignorar que existem familiares e amigos que podem completar a felicidade e as relações da pessoa.

Houve um tempo em que a mulher só saía da casa dos pais acompanhada de um marido, e dele iria depender de todas as formas: emocionalmente, juridicamente e financeiramente. Era inaceitável uma mulher morar sozinha ou ter uma renda maior que alguns homens, e quem diria, ter direito a sexo casual. Sua educação era focada na constituição de uma família e na educação dos filhos, e nem estamos falando de um passado tão remoto assim… Quem não se lembra de quando a mulher usava o CPF do marido?

Esse tempo passou e parte da sociedade ainda não assimilou a mudança. Ainda não se consegue aceitar que uma mulher pode ter a companhia masculina por uma noite, ou várias, sem querer um compromisso. Para alguns, ainda é inadmissível que a mulher não dependa do macho dominante para ser feliz.

Outro dia, ouvi o desabafo de duas amigas solteiras: “Só quero alguém para dividir o balde de pipoca”, disse uma delas ao se referir à sua amizade colorida com quem assistia filmes no sofá, mas com quem não precisava dividir problemas. “Não preciso de um sócio para a minha vida”, disse a outra após receber a proposta de um namoradinho para comprarem juntos um apartamento só para investimento. O que elas têm em comum? Elas não precisam de um homem para dizer que não estão sozinhas, para conseguir ter um patrimônio ou para dividir problemas. Querem pessoas que estejam ao seu lado para bons momentos, já que para o resto, existem planejamento financeiro e terapia.

Por vezes, ser solteira é mesmo uma opção definitiva, enquanto por outras, ser solteira é uma fase em busca do grande companheiro para a vida toda. De qualquer forma, estar solteira é poder exercitar a liberdade de escolha e não estar atada às decisões mútuas do casamento.

Seja qual for o seu estilo, o que importa é viver intensamente as relações e os momentos da sua vida de solteira e acima de tudo, se curtir. Afinal, quem resiste à companhia de uma pessoa confiante e divertida?

Solteirar: opção número 1 – Parte II

8

Pra quem já leu a Parte I, a saga continua…

PARTE II: Sexo, uma questão de escolha

5. A VARIEDADE (ah… a VARIEDADE!): se pra você a variedade no sexo é bem mais interessante do que a regularidade, você nasceu pra Solteirar!

6. Apesar de a regularidade ser menor do que a de uma mulher em um relacionamento, você só vai TRANSAR SE QUISER. E isso não tem preço.

7. Nunca você vai precisar simular uma CRISE DE CIÚMES só pra ELE te respeitar. E o melhor: nunca você terá de aturar uma CRISE PATÉTICA de ciúmes DELE.

8. Você não ficará obcecada em encontrar sua “cara metade” ou o “cara ideal” (um homem companheiro, responsável, inteligente, fiel…). Você vai poder ampliar seu segmento de atuação e suas chances de sucesso na caçada, pois os espécimes divertidos e bons de cama (que, aliás, não são nada raros) já serão suficientes para uma aventura rápida e sem compromisso. Ou seja, ficou bem mais fácil, não?

9. Nunca você terá uma CRISE DE CONSCIÊNCIA ou terá de inventar desculpas pra justificar por que ficou com mais de um cara ao mesmo tempo. Também nunca ficará encanada só por olhar um espécime masculino charmoso dando sopa. Você também poderá falar abertamente sobre coisas que as comprometidas não têm muita liberdade para comentar. Exemplo: você já ouviu alguma amiga sua casada falar ao lado do marido que a monogamia, além de não ser uma característica inata dos primatas, foi uma tentativa inútil do macho da espécie assegurar que ele realmente cuidará das crias geradas pelos seus espermatozóides? Se sim, duvido que ela tenha complementado a discussão comemorando que hoje, com o advento do teste de DNA, a espécie humana pode finalmente resgatar sua essência promíscua!

10. Você terá o prazer inenarrável de testemunhar um montão de gente espalhar por aí que as solteironas são muito “mal resolvidas” ou, então, que são “lésbicas enrustidas”. Especialmente aquele povo que ainda não conseguiu entender quão sublime e libertadora é a experiência de Solteirar. Mas nem se preocupe com isso. Na verdade, essas fofocas são até úteis para ajudar a apimentar nossas aventuras.

Enfim, se você insistiu em ler este manifesto até aqui, notou que nem foi preciso continuar a enumerar as vantagens básicas da solteirice. Afinal, somente as 10 aqui listadas superam com larga vantagem o maior “benefício” (ou seria o único?) de um casamento: o sexo regular, que, para um casal que já passou da fase de lua de mel ou que ainda não chegou à fase de crise, fica na média, em 2 “episódios” por semana.

Ilustração: agradecimentos a willtirando.com.br