Se a gente pesquisar a classe gramatical da palavra amar relembraremos que se trata de um verbo. Demorei muito tempo para me tocar disso. Pode parecer idiota ou até mesmo ignorante, mas compreender que amar se trata de uma ação ativa é um grande salto em nossas vidas.
Geralmente atrelamos a palavra amor ao sentimento de receber afeto. Descrevemos para nossos amigos, companheiros e terapeutas a parceria ideal. Sabemos muito bem o que esperamos do outro: desde os atributos físicos ao modo que ele pensa/sente/age. Mas percebem que amor não pode ser apenas isso?
Já falamos diversas vezes aqui no blog que não há por que esperar um príncipe encantado (algumas de nós acham, até mesmo, que no mundo só existem os eternos sapos). Proponho, dessa vez, um pensamento muito além desse debate. É muito cômodo listar todas as características que apreciamos, esquecendo-nos que amar é muito mais do que ter alguém com essas características ao nosso lado. Amar trata-se, sobretudo, de agregar às nossas vidas o valor do agir do sentimento amor e direcionar essa força para nós mesmos.
Amor de verdade dá muito trabalho. Amar envolve tolerância, paciência, compreensão, entendimento, mais do que tudo, muita-muita-muita-muita-muita aceitação. Amor só se efetiva em plenitude em um ambiente de completo acolhimento, no qual os julgamentos são os menores possíveis e todos os se são irrelevantes.
Que tipo de amor você coloca no mundo? Que tipo de amor você quer receber no mundo?
Como exigir totalidade do outro, se você é metade? Como esperar que alguém ame você do jeito que você é, se você não se aceita? Não dá para passar essa tarefa para frente. Essa tarefa é única e exclusivamente nossa.
Frases que pretendo lembrar todos os dias: Amar-me infinitamente. Amar-me incondicionalmente.
Nas condicionais do amor vem o medo, a fuga. Todas as vezes que se atrela a existência do amor a alguma coisa, corre-se o risco da introjeção de comportamentos/sentimentos que não nos pertencem com medo de perder o afeto que nos é tão importante. E como eu disse, não dá para ser inteiro, sem amor próprio.
Só esperar amor de outra pessoa, não é suficiente. Temos que nos preocupar em dar a nós mesmas o amor incondicional que tanto queremos. Aceitar que o passado pertence ao passado. Aceitar que não somos nossos erros. Aceitar que nossas potencialidades já existem aqui e agora.
Quando nosso amor próprio é incondicional, somos fortes, capazes, seguras. E isso não significa que não podemos nos relacionar/nos entregar/nos envolver. Pelo contrário, representa o total domínio da nossa capacidade em compartilhar o tanto e quanto queremos de nós mesmas.
