Meus amigos comprometidos talvez não saibam o quanto contribuíram e contribuem para minha personalidade quase nada romântica.
Bebemos e nos divertimos muito juntos, mas na verdade, o que eles mas fazem melhor é acabar com qualquer ideia de romantismo que pudesse pairar no meu universo feminino.
Por eu ser uma mulher um pouco diferente das que eles conhecem ou se relacionam, sou quase considerada um deles. Vou confessar que nem sempre isso é bom.
Em nossas rodas de conversas, sempre escuto as aventuras de namorados, noivos ou maridos que se divertem com outras mulheres em suas viagens de negócios, no escritório onde trabalham ou mesmo em um shopping ou supermercado.
Alguns deles, de forma louvável, se preocupam com a imagem de suas esposas e nunca as colocam em situação ruim, como estar frente a frente com a outra sem ter a menor ideia do que se passa; preservando assim seus relacionamentos e o encanto de um lar intocável. Esses caras não traem por autopromoção, e sim por impulso, por desejo, ou qualquer outro motivo íntimo. Nesses casos, eles demoram muito mais para me confessar suas aventuras. Só contam mesmo quando nos tornamos amigos de verdade, daqueles que vamos levar para vida toda. Um deles até me contou que perdoou a traição da esposa, situação que ele nunca contaria a outro homem. Disse-me que seria hipócrita não relevar tal par de chifres, uma vez que ele, sem que ela soubesse, já tinha praticado tal deslize.
Existem os que gostam de viver perigosamente, deixam sua fama de garanhão se alastrar por onde passam. Não se preocupam se a amante se torne a melhor amiga de sua esposa em uma festa da empresa, ou se todos estão olhando para ela com cara de coitada por ser a conhecidamente chifruda esposa.
Há também os que traem de forma estratégica. Agem fora dos sagrados padrões do relacionamento quando estão em viagens ou com pessoas que ninguém mais de seu círculo de amizades ou profissionais conheçam.
É claro que existem os que nunca me confessaram uma traição, mas posso contar nos dedos os homens nesta lista.
Cada um sabe com quais pensamentos e desejos consegue conviver. Confesso que já dei muitas risadas com casos que eles relataram de situações constrangedoras que passaram para encobrir seus adultérios, mas também já me emocionei com o arrependimento de alguns que perderam seus amores por uma simples aventura.
O fato é que sempre ouço esses casos sem nenhum julgamento de valor. Quando estou em um relacionamento, não sou capaz de trair, porém já fiz parte da traição de alguns amigos.
De acordo com a amostra significativa que conheço de homens comprometidos que traem seus relacionamentos, fica difícil me entregar e acreditar completamente em fidelidade.
Meus amigos comprometidos me ensinaram que a lealdade vale mais do que a fidelidade, e talvez isso não soe romântico, mas é o que considero ser o mundo real.

Bem legal… Ou melhor: realista! 😉
Exatamente como eu!
Olá Mila e Rebecca
muito obrigada por se manifestarem. Afinal, não é só a minha roda de amigos que se comportam assim. bj