O filho não nascido

0
1016

Amamos tanto nosso filho não nascido que já o queremos proteger antes de vir à luz.

De crimes, torturas, injustiças, falta de oportunidade, do mundo violento que não controlamos, das doenças, da natureza destruída, do amor total que não podemos proporcionar-lhe.

Queremos chorar muito ao abraçá-lo, soluçar a falta que nos fará, gerar em pensamentos todo nosso desejo de sua felicidade e de seus dias plenos que não terá.

O cinismo do mundo que não acalenta a dignidade de um ser a nascer. Que vale a vida se sobram martírios a cada dia e nossos abraços serão insuficientes para protegê-lo, curá-lo, desenvolvê-lo? Ele nunca será ele mesmo. Já o tolhe a doença desde o útero.

Não ouvirá canções de ninar ou reconhecerá o rosto de sua mãe ou nada quase compreenderá. Não será como seus irmãos ou amigos. Esta é a vida que lhe ofertaremos e nossos olhos choram e nossos corações arrebentam-se.

O que fará nosso amor para protegê-lo? Como fica nossa impotência? Queremos que nosso bebê corra para a vida com a força que precisa para poder enfrentar qualquer batalha, mas ele já não poderá desde o ventre.

E mesmo com vontade férrea não poderemos ganhar a vida que nunca será dele. E mais nosso amor chora.

Salvá-lo de discriminações e chacotas, de impossibilidade e desamores…

E as mãos em riste de exigências todas não estarão lá para o apoio que faltará, ele já está condenado e sua mãe, abandonada.

Estaremos sozinhas em nossa luta, e ele sozinho e perdido em si mesmo.

O que faremos? Só nós mesmas, com nosso amor, temos o direito desta decisão e de até nem tê-los. Nenhuma gravidez, se não for  absolutamente segura, é a melhor  opção.

Senão nos restará da dor a certeza de termos lutado pelo filho que não tivemos. E chorarmos por mães e filhos que vieram ao mundo com essa síndrome tão perversa.

Foto: Agradecimentos a São Luiz

(Visited 57 times, 1 visits today)

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here