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Os meus, os seus e os nossos

Hoje quero falar de relacionamento. Opa como assim? Solteirar e relacionamento não são opostos? Não necessariamente.

Ter um relacionamento é algo muito saudável, desde que a individualidade seja preservada.

Um casal não representa um única pessoa. Um status de relacionamento não define uma única preferência ou caráter.

Relacionamentos felizes, juntam o melhor de cada indivíduo e somam em um conjunto de possibilidades e combinações. Gosto de relacionamento que respeita o que é meu.

Adoro ter os meus amigos e momentos exclusivos com eles. Posso me encantar com alguns de seus amigos e podemos conquistar novas amizades que serão nossas. Em determinado momento os meus e seus podem virar nossos, mas manter os momentos individuais com eles é muito importante.

Eu tenho um filho, que sempre será meu e do pai dele; e você também pode ter os seus e vou recebê-los de braços abertos. Podemos um dia ter um filho nosso, mas o nosso status de relacionamento jamais irá mudar a origem de nossos filhos. Assim preservamos a individualidade deles.

No meu modelo ideal de relacionamento, cada um tem a sua casa. Eu adoro morar sozinha com meu filho e adoraria ter um relacionamento com alguém que nunca queira dividir uma casa comigo.

Eu gosto de montanha e você gosta de praia. Vez ou outra faremos viagens juntos, mas qual o problema em eu viajar sozinha para um refúgio? Que bom seria você viajar para curtir grandes ondas sem minha presença?

É por isso que o termo Solteirar não remete a um estado civil e sim, a um estado de espírito. Posso querer um relacionamento e querer ficar sozinha em alguns momentos. Relacionamento saudável não é prisão, é liberdade, e Solteirar é ter momentos de plena libertação.

Dormir de conchinha

Nem tudo que é bom custa caro, nem tudo que é bom é complicado.

Dormir de conchinha é uma dessas coisinhas bestas que fazem a gente acordar parecendo uma criança que acabou de ganhar doce, ou como um cãozinho ao reencontrar o dono depois de uma semana.

Só quem já dormiu de conchinha com alguém vai entender do que estou falando. Uma das sensações mais simples e reconfortantes do mundo.

Não importa se vocês transaram ou não. Dormir de conchinha é bom de qualquer jeito. Ter alguém ali, do lado, grudadinho na gente, principalmente nas noites de inverno. Meu cobertor que me perdoe, mas eu ainda prefiro o bom e velho calor humano. É um ritual, deitar, abraçar, apertar mais um pouquinho. É sinal de ternura.

O que você sente quando dorme de conchinha com alguém? Acho que o sentimento  comum é o de proteção, de afeto e companheirismo. Ninguém dorme de conchinha  com qualquer um. É preciso química, interação e parceria. Mesmo entre namorados de  longa data, dormir de conchinha sempre desperta alguma nova sensação.

É a mágica do ato de dormir ao lado de alguém, desafiando a lei de que dois corpos não ocupam o  mesmo lugar no espaço.

Dormir de conchinha é uma das melhores coisas do mundo. E, se você encontrou alguém para dormir com você, considere-se uma pessoa sortuda. Nada melhor do que  acordar ao lado de quem a gente ama. Nada melhor do que dormir e acordar assim.

A minha forma de Solteirar

A minha atração física começa pela língua e não é no toque, na pegação, é no papo mesmo! Para um cara me agradar, primeiro precisa ser bom de papo, com uma pitada de humor sarcástico, regado a muitas risadas. E um ponto importantíssimo é a inteligência. Porém, não qualquer inteligência, aquela que sabe fazer uma colocação, ficar em silêncio e olhar fundo em seus olhos na hora certa!

Posso garantir que após três anos Solteirando, muitas conversas com desconhecidos, noite em bares, tinder e galerias de arte, esta qualidade é uma das mais raras em um homem. E quando o universo faz o movimento e se afina com a energia que você emana, um simpático rapaz é colocado à sua frente. Após duas horas de MUITA conversa, confidências sobre apelidos ridículos, casos de família e fotos do seu gato; ele, o gato homem, pede seu telefone. É exatamente o que você espera de um homem nesse momento da vida. Chega de pegação sem sintonia, chega de diversão momentânea, pois seu momento é outro e sua expectativa da vida de solteira está diferente.

Com o jeitinho certo, com o toque, ação e palavra do modo como você gosta, o gato te segura pela cintura e dá AQUELE beijo. Aí vocês trocam mensagens a semana inteira e o gato vem de outra cidade para ver você; e ao fim do rolê vai pra sua casa.

E como era CERTO que você não quer mais diversão momentânea e está aberta a algo com mais intimidade e intensidade (independente do rótulo); e um ponto importante, a depilação não está em dia, essas surpresas da vida, você NÃO dá pra ele!

O quê? Oi? Comooo? Como assim eu não dou pra ele? Estou com meu TAFT explodindo e nada?

Pois é… Química? Ok! Pegada? Super ok! Conexão para além da sintonia? Não rolou! Ahhh “E a galera vai ao delírio decepcionada”.

Aí você percebe que não é só a sua atitude e decisão que mudaram, é a forma como você se sente. É a percepção sutil da intuição do que se aproxima, pois o gato, que ficou na vontade, simplesmente sumiu depois que você solta o quanto seria mais gostoso irem com mais calma. Desapareceu e nunca mais ligou… Ele era o da diversão momentânea e chegou uns seis meses atrasado.

E é aí que você percebe o quanto é bom praticar a confiança consigo mesma, antes de leva-la para um relacionamento. E este foi um dos episódios da minha nova fase Solteirando, e até então estou muito feliz com ela. Quando incomodar, aí é outra história, mas enquanto minha vontade, pensamento e emoção estiverem no mesmo sentido, eu estou de coração!

É batendo na porta dos trinta, com muito orgulho si señor, que vejo o lema que profetizei a vida inteira caindo por terra “Sensível sim, romântica jamais”. E então ergo a cabeça e sigo em frente cantando e honrando meu digníssimo Raul: “Eu prefiro ser, essa metamorfose ambulante…”.

O prazer que voce escolhe

Às sextas-feiras são dias intensos no trabalho e, por compensação, após o expediente preciso de algo que me dê prazer. Geralmente faço um happy hour com amigos, ou vou para casa me recompor para encarar uma balada mais tarde. Mas tem também aqueles dias que você só quer um sexo gostoso com um bom parceiro que te faça rir.

Porém, como todo ser humano, tem dias que não quero ver ninguém, não quero ter que agradar, não quero que ninguém se esforce para me fazer relaxar pois existem dias em que o emocional extrapola todo e qualquer limite e pensar em me relacionar com alguém seja para bater papo ou passar a noite é inimaginável. Provavelmente, quando estou neste estágio é que o esgotamento emocional tomou conta e está na hora de cuidar de mim.

Passei recentemente por um momento desses, e foi fantástico!!!!

Cheguei em casa, no final da tarde, abri uma garrafa de vinho e comecei a assistir filmes ruins. Sim, filmes ruins são ótimos para dormir e acordar várias vezes. Quando eu estava recomposta fisicamente, chegou a hora do apetite sexual. Então pensei em duas alternativas obvias: Sair à caça e encontrar alguém na balada que pudesse me satisfazer, ou ligar para um amigo e passar a noite com ele.

Sair para balada e tentar fazer uma seleção é arriscado, posso apenas me cansar e não encontrar nada que me agrade. Contar com um amigo, as vezes é bom, mas eu queria só sexo e teria que fazer companhia depois, sendo eu alguns deles chegam na sexta e só querem ir embora no domingo.

Foi ai que lembrei da minha outra opção. Ao alcance das mãos lá estava ele. Meu fiel parceiro, que me faria gemer com sua vibração, não pediria nada em troca, extinguiria suas energias só quando se extinguisse a minha.

Me diverti com ele alternadamente às demais atividades do final de semana. Entre filmes, séries, banhos demorados, taças de vinho e um risoto fantástico que fiz para mim, desfrutei momentos de prazer.

Foi o final de semana perfeito com prazeres que escolhi. Estava relaxada, feliz, conhecendo um pouco mais do meu corpo, pois cada momento de prazer individual há uma nova descoberta. Só não dei um beijinho no meu parceiro , pois já seria insanidade, mas olhei para ele e agradeci o momento em que adquiri.

 

Cordialidade masculina

Por alguma razão, passei a ver algumas atitudes masculinas que seriam consideradas gentileza como sendo ofensivas. Talvez por ouvir de alguns colegas que toda vez que um homem me deixava passar a sua frente para entrar em um ambiente, não era por educação e sim para admirar meu traseiro.

Sei que alguns caras encaram que o fato de mulheres aceitarem que um homem pague a conta, gera um débito a ser cobrado com alguma troca sexual e, por isso, fiquei arredia com isso também.

O fato é que ao longo dos anos ouvi tantos absurdos sobre fragilidade feminina em situações que a mulher se permitiu ser adulada por um homem, que passei a ser avessa ao cavalheirismo.

Porém, essa semana tive algumas experiências que me fizeram repensar o quanto estamos perdendo oportunidades ou castigando homens que são genuinamente cordiais.

Em um almoço com um colega, que era sabido não tinha nenhuma intenção, percebi o quanto ele ficou incomodado com a forma que estávamos sendo atendidos. O garçom perguntou primeiro para ele qual era o pedido, e ele por sua vez fez questão de responder: Ela vai querer….mencionando o prato que eu escolhi. Quando chegaram os pratos, o garçom foi servi-lo primeiro e ele se posicionou dizendo: Aquele é o prato da moça… e apontando para o meu prato induziu o atendente a me servir primeiro. Como se não bastasse, ao final, uma moça me direcionou a conta e antes, que por hábito, eu a alcançasse, meu colega a pegou e demostrou mais uma vez o semblante de insatisfação.

Cheguei a comentar com ele que nunca tinha observado o quanto a etiqueta de alguns restaurantes tinha mudado, uma vez que estava habituada e passei a não esperar mais pelo cavalheirismo, chegando a achá-lo antiquado. Mas também agradeci a ele, por sem perceber ter me mostrado o quanto é difícil para um homem tentar ser cordial, uma vez que percebi todo seu incômodo com a situação.

Ele me confessou que já teve situações em que abriu a porta do carro para uma moça que ficou brava com ele, pois entendeu que estava sendo galanteador. Outra vez, ao tentar pagar a conta, uma outra colega disse que ela ganhava mais e portanto deveria pagar a conta. Ele comentou que em ambas situações ficou muito desconcertado, pois sua intenção era ser apenas cordial.

Ao longo da semana, passei a observar outras ações masculinas e percebi que o mundo não está perdido. Afinal, em reuniões, alguns homens levantam-se para que mulheres ocupem as cadeiras, não por elas serem mais frágeis, mas por estarem usando saltos.

Portanto, convido a todas a olhar com mais parcimônia para algumas gentilezas que nossos colegas podem nos oferecer no cotidiano. Assim como existem homens de caráter duvidoso, ainda existem cavalheiros que merecem ser reconhecidos.

A cordialidade masculina nem sempre retrata aproveitamento, sexismo ou qualquer outra intenção, e sim, pode ser um ato de respeito à mulher. Saibamos diferenciar e valorizar essas atitudes.

Incoerências dos relacionamentos modernos

Às vezes, quando consigo manter minha boca fechada e expressões da face congeladas, observo como as pessoas repassam suas culpas e medos para aquela pessoa que mais quer o seu bem.

E se você está em um relacionamento difícil e não consegue romper, deve achar que ninguém que está a sua volta é capaz de entender. Neste momento, você é a vítima incompreendida e possui toda a razão do mundo. Será que aquela amiga que está mostrando os fatos de forma fria e dura realmente não entendeu a situação ou você que preferiu não enxergar?

Também há aquela incoerência da vida privada. Você acusa a todos os envolvidos em um caso extraconjugal, consegue até condenar aqueles que estão fora dos seus princípios, porém quando se percebe envolvida em uma situação como esta acredita que realmente ele irá largar a outra pessoa para ficar com você.

E aí está você envolvida naqueles momentos de incoerências do sistema, gritando com a companhia de telefonia. Eles fazem tudo errado e ainda pedem para você provar que eles estão errados. Você pede ajuda a quem trabalha na empresa, mas do alto de toda sua sabedoria de quem nunca trabalhou com telefonia, resolve ensinar a pessoa a quem pediu ajuda sobre os processos da empresa e ainda diz que a situação não é tão ruim porque poderá pedir uma indenização, afinal uma grana extra nunca é demais. Será que o sistema corrupto está somente fora de você?

As melhores situações são inspiradas nas cenas familiares, os pais em nome do seu amor fazem tudo pelo filho, mas quando o filho resolve esperar que a vida aconteça sem nenhum esforço com um comportamento bem egoísta, eles dizem que os amigos influenciaram, sem lembrar que esqueceram de estimular que o filho estivesse em contato com crianças que sempre tiveram responsabilidade e trabalhavam em equipe.

Mas as melhores de todas as incoerências são aquelas diárias. Você sai atrasado, mas o irritante é o motorista que está na sua frente dirigindo dentro do limite de velocidade. Você deixa para última hora aquela apresentação importante, se o computador tem um problema os responsáveis são as pessoas da equipe de TI que tem um tempo de atendimento alto. Você posta sempre mensagens grosseiras no Facebook, com indiretas diversas, mas é você que não pode expressar seus sentimentos ou não é reconhecido por suas nobres atitudes. Até objetos inanimados passam a ter poderes e te atacam com atitudes violentas, quando você distraidamente não percebe que mudou a poltrona de lugar e bate com o seu dedinho do pé na quina daquele ser! Passaria horas descrevendo incoerências…

Se chegou até esta parte do texto, já deve estar irritada com esta blogueira, com o blog e até com a nossa página e pensando: “Quem é esta miss perfeitinha pensa que é? “ou “Por que perdi meu tempo lendo isso se eu não julgo ninguém?”

Bom, eu respondo: “Sou humana e pratico incoerências que atrasam minha vida também, mas agora resolvi me libertar delas para ser mais responsável e pegar o comando da minha vida e assim conseguir viver minha felicidade.” Convido as minhas amigas Solteirandas a fazerem o mesmo e viverem a liberdade intensamente, livres inclusive de suas próprias prisões.