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Violência Patrimonial – um capítulo à parte na história de violência contra a mulher

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De tantas formas de violência existentes e infelizmente ainda praticadas contra a mulher, a violência patrimonial está entre as mais graves, porém difícil de ser identificada. Nesse tipo de violência, além do óbvio prejuízo material (perda de bens, dinheiro, etc), há ainda o prejuízo moral e psicológico como outras consequências. Ou seja, um abalo bastante grande na vida de uma mulher que acabou de sair de um relacionamento lesivo e que precisa reconstruir sua vida.

A nossa legislação entende por violência patrimonial qualquer conduta que configure retenção, subtração, destruição parcial ou total de objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou recursos econômicos, incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades. Um exemplo de violência patrimonial é a falta de pagamento de pensão alimentícia, quando comprovado que o ex-cônjuge dispõe de fundos para tal. Algo até corriqueiro, mas que muitas vezes não é tratada com o grau de atenção necessário por parte de advogados e sociedade em detrimento a outros tipos de violência contra a mulher mais fáceis de serem notados, tais quais agressões físicas e outrasformas de violência doméstica e familiar (psicológica, sexual e moral, entre outras).

A mulher que sofre violência patrimonial tem amparo previsto no Artigo 24 da Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006). Este apresenta que para a proteção patrimonial dos bens da sociedade conjugal (casamento) ou daqueles de propriedade particular da mulher, o juiz pode determinar, liminarmente, medidas como a restituição de bens indevidamente subtraídos pelo ex-cônjuge, englobando bens furtados, roubados, apropriados de maneira indevida ou obtidos ilicitamente. Assim sendo, as medidas de proteção previstas no referido Artigo 24 da Lei Maria da Penha são fundamentais para resguardar a mulher contra este tipo de violência.

O processo criminal é o passo seguinte às medidas de proteção. Nesta etapa, o praticante da violência patrimonial responde criminalmente pelos atos cometidos contra o patrimônio da mulher, sendo que os crimes são analisados e tipificados de acordo com o Código Penal (furto, roubo, extorsão, dano, apropriação indébita, estelionato, etc). Um exemplo para ilustrar é o financiamento de bens no nome da mulher, como carros ou imóveis. Na ocasião de uma separação, o ex-cônjuge se apropria do bem ou deixa de quitar as parcelas do financiamento. Neste tipo de situação a mulher pode solicitar a medida de proteção para que a justiça possa determinar bloqueio ou apreensão do bem em questão.

Vale ressaltar que além dos desdobramentos penais, a Lei Maria da Penha também prevê outras medidas de proteção ao patrimônio da mulher, seja no âmbito dos bens adquiridos no período em que o casamento esteve vigente, seja em relação aos bens particulares, tais como a proibição temporária ao ex-cônjuge de celebrar contratos de compra, venda e locação de propriedade em comum, a suspensão das procurações conferidas pela mulher ou a prestação de caução provisória, mediante depósito judicial, por perdas e danos materiais decorrentes da prática de violência doméstica e familiar, entre outras.

Concluindo, é importante que as mulheres tenham consciência de seus direitos, e que consultem sempre que houver dúvidas um advogado especializado.

 

*Evelin Sofia Rosenberg – Sócia da Rosenberg Advogados Associados e Mestre em Direito Civil pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP).

 

Onde estão os homens legais da minha idade?

Não sou do tipo que pega novinhos, não por preconceito ou por ser conservadora, apenas porque não me sinto atraída por eles.

Mas confesso que ser uma quarentona solteira nos dias de hoje não é fácil. Meus amigos mais novos são superdivertidos, descolados, interessantes e estão na faixa de 25 a 33 anos.

Segundo o IBGE, em 2013 a média de idade dos homens solteiros era de 30 anos. Até onde eu sei, a média fica entre um valor e outro, logo, deveriam existir solteiros na minha faixa etária, mas onde estão eles?

O mesmo instituto divulgou que os divórcios aumentaram 160% na última década e que a média de idade de divorciados era de 44 anos em 2014. Opa! Onde estão eles?

Não vou dizer que não encontro um ou outro por aí, mas geralmente são carregados de preconceitos, traumas ou começam a conversa sinalizando que só querem te comer, como se uma boa conversa ou um jogo de sedução significasse uma tentativa de amarrá-lo.

Sou quarentona solteira e às vezes só quero sexo, outras, quero um bom papo e altas risadas e muitas vezes quero alguém para me trazer novidades. Ter um bom emprego e uma conta no banco, já deixou de ser novidade para mim.

Outro dia encontrei um desses tipos em uma balada cara em São Paulo. Enquanto minha amiga beijava um garotão, eu fiquei ouvindo horas de propaganda gratuita do quarentão.

Outro ponto é que eles dificilmente abordam mulheres da mesma idade deles. Talvez por saber que é mais difícil impressionar alguém que já tem uma certa experiência de vida. Um dia desses, em uma balada descolada na vila Madalena, decidi abordar um quarentão visivelmente divorciado. Sim, é fácil identificá-los. Tive que aguentar o cara olhando a galera e fazendo julgamentos absurdos e carregados de preconceitos de quem ficou isolado do mundo por uma década e meia e ainda valoriza o que era importante no século passado.

Não posso dizer que talvez eles estejam solteiros por não serem legais, afinal também sou uma quarentona solteira por opção. Será que tenho azar e ainda não encontrei caras legais por aí ou o meu parâmetro de cara legal está contaminado pelos novinhos?…rs. O que adianta ter aparência do Murilo Benicio, Selton Melo ou Alexandre Nero, e ser chato, arrogante e sem graça? Prefiro viver acompanhada de Bruno Gagliasso e Caio Castro, que estão por aí cheios de novidades e vontade de experimentar o novo.

Altos e baixos da autoestima

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Sou daquelas que toma a iniciativa. Sou confiante, sou senhora de si e nada me abala. Porém, isso é característico das fases de autoestima elevada.

Há momentos em que por alguma razão, não tenho orgulho de mim. Por algum motivo deixo de me achar bonita, sensual ou atrativa.

Oscilo entre a poderosa, que esfrega na cara dos homens que não existe outra mulher no mundo que eles devam desejar senão eu, e a insegura que não tem coragem de flertar por medo da rejeição.

Assustadoramente, descubro que sou mulher, mortal, com sentimentos, como qualquer outra. Tenho meus medos e meus valores. Meus motivos de orgulho e de vergonha.

Quando estou abalada por algum fator emocional, deixo de ser interessante e divertida. Torno-me egoísta, arrogante e defensiva.

Não gosto dessa versão de mulher. Ela me impede de interagir com pessoas interessantes, em me aprofundar em uma conversa exploradora.

Está em minhas mãos decidir quanto tempo fico no ciclo destrutivo da baixa autoestima, pois cabe a mim, analisar e decidir quais os motivadores que tenho para seguir em frente.

Se meu corpo não me agrada, preciso parar de comer e entrar naquele tubinho preto, que me deixa maravilhosa. Se o humor não está atrativo, devo me dedicar a atividades que me tragam prazer. Se o trabalho está me consumindo, preciso achar uma válvula de escape, nem que seja um bom papo no café entre uma reunião e outra.

Somos todas suscetíveis aos altos e baixos da autoestima, mas também temos o poder de mudar nosso cotidiano e consequentemente, nossas vidas.

Expectativas: De onde vem? Do que se alimentam? E por que nos destroem?

Quantas vezes você ficou rebatendo questionamentos antes das situações acontecerem de fato? Respondeu a perguntas que o seu chefe nem pensou em fazer ou brigou no espelho com o seu namorado, antes de saber que ele não tinha ligado no horário porque estava dormindo (e você tem certeza que ele estava dormindo porque sua sogra aproveitou sua ligação para acordar o malandro com um berro, do tipo: “Fulano, acooordaaaa! Sua namorada está no telefone!”).

Mas a mais famigerada de todas as expectativas é aquela que apelidamos de “sonho”. Esta se alimenta da nossa esperança e, depois de sugar todos os melhores sentimentos que há em nossos corações, nos deixa na rua da amargura para nos tornamos um sem teto dos sonhos não realizados.

Alimentamos um monstro toda vez que dizemos, “o sonho da minha vida é…”, “…não consigo nem imaginar minha vida sem…”. Nenhuma destas situações são sonhos, na verdade não passam de uma privação da possibilidade de ser feliz.

O mais difícil para lidar com o monstro da expectativa é controlar o criador da criatura. Este ser habita nossas mentes, manipula nossas emoções, cega a racionalidade e impede que de fato possamos viver grandes sonhos.

Em tempos de pokemon go, a expectativa é o monstrinho virtual que se alimenta dos nossos desejos mais secretos. Então, que tal deixar de criar uma realidade paralela e deixar as coisas felizes chegarem à sua vida?

Você deve estar aí pensando que eu devo ter virado um tipo de guru de autoajuda e vou terminar este texto anunciando meu Whatsapp para consultas. Esqueça!

Na verdade, estou aqui escrevendo tudo isso para controlar o meu monstro particular que fez uma programação mental de como será minha vida após o aumento de salário que eu nem pedi. E, como não poderia faltar, estou em mais um dos meu dilemas amorosos, onde já interpretei o roteiro de um capítulo inteiro da novela da 9h no espelho do meu banheiro, somente para dizer para o peguete que eu quero namorar e o modelo de relacionamento só sexo não me atrai mais.

Quando você sentir que está sozinha em suas expectativas, lembre-se que existe esta blogueira maluca que vive na cidade maravilhosa.

 

Meu medo de relacionamentos

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É difícil de assumir, e sempre que me perguntam se tenho medo de relacionamento, eu nego. Porém, a verdade é que tenho medo de relacionamento sim.

Tenho medo de perder minha liberdade, medo de ter que vincular a minha felicidade à presença de alguém.

Tenho medo de me comprometer com algo que não serei capaz de cumprir, medo de fingir para agradar.

E qual a razão de eu não assumir que tenho medo? O único motivo é ter preguiça de explicar. Sei que a próxima frase será “Você precisa perder esse medo”.

No entanto, este é um medo que não quero perder. Uma vez ouvi uma frase “Coragem não é ausência do medo e sim um modo de enfrentá-lo”. Por isso, não quero perder meu medo de relacionamento, mas talvez eu encontre alguém ao longo do caminho que valha a pena ter coragem de me relacionar.

E você? Tem medo de se relacionar? Como é esse medo? É uma sensação paralisante ou que te move? É uma sentimento que te aflige ou você consegue conviver com ele?  Entenda que não há problema nenhum em ter medo, desde que isso não lhe torne uma pessoa infeliz.

Amores omissos

 

Aniversário de uma amiga em comum: Meu amor está chegando, me cumprimenta de forma discreta. Mantemos-nos afastados. E, quando a bebida e o álcool já nos deixam passar despercebidos para o resto do grupo, nos olhamos e conversamos timidamente sobre os próximos passos do roteiro da noite. Vou para o carro, espero por ela durante 15 minutos em uma esquina escura, a porta do carro se fecha e, enfim, partimos para algum lugar onde poderemos ser a verdade que somos.

Churrasco do trabalho: Ele chega de mãos dadas com a esposa. Aperta minha mão com firmeza, um olhar sedutor e, o máximo de contato que teremos será um pequeno esbarrão com um pedido de desculpas ou a oferta gentil de uma cerveja quando estivermos sozinhos próximos ao cooler. Nunca fico com os fins de semana, tenho de esperar as reuniões durante a semana ou algum almoço de negócios mais distante, para que nossa identidade possa ser revelada sem culpa ou vergonha.

Festa da faculdade: Chegamos juntas. Somos amigas. Dançamos. Bebemos. Percebo o assédio sobre ela. Sinto ciúmes. Bebo alguma coisa. Lembro como ela está linda! Sinto mais ciúmes. Nã o posso fazer nada. Bebo mais um pouco. Nossos pés cansam com o salto. Vamos ao lounge. É a prévia do contato que espero pelo resto da noite. Nosso Uber chega e vai em direção à paz que encontraremos por, finalmente, nos sentirmos bem da forma que somos.

E são tantas pausas entre a felicidade e o vício à normatividade, que não dá para reconhecer onde se é inteiro: se na realidade individual, opaca aos olhos alheios, ou na ilusão da imagem de um holograma fielmente prostrado às convenções.