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Uma extraterrestre nas redes sociais

Todos nós, sem exceção, adoramos socializar nas redes a suposta boa vida que levamos. Um restaurante bacana que conhecemos, um passeio alegre com os filhos no final de semana, uma foto em frente à Eiffel para comprovar que um dia esteve-se lá, e assim vai.

Raro alguém exibir um dia ruim, contar que está com depressão, que brigou com o namorado e tudo mais que todos também carregam nessa vida.

Então vamos lá. Hoje, após uma semana fria, chuvosa e cinzenta, nasceu um domingo gostoso e ensolarado. Mas, ainda assim, amanheci com uma certa tristeza.

Uma tristeza que me prendeu na cama até as 11hs.

Pronto. Perdi a manhã. Nem mesmo a corrida dominical de sempre me fez levantar. Apenas uma fome gigante me puxou para fora do quarto.

Após o almoço, aquela tal tristeza, motivada por não sei o quê, se juntou a uma ansiedade que saiu nã o sei de onde. Aí, lascou-se. Lá se foi meu domingo. Bem diferente daqueles que geralmente vemos nas redes sociais.

Andava pra lá e pra cá dentro de casa. Ligava e desligava a TV após passar por todos os canais. Ia para rua tomar um café e me distrair na banca de jornal. Voltava para casa e tentava me apegar a um livro. Passados 10 minutos, retornava à TV. E o tempo não passava.

Minha última tentativa: entrar nas redes sociais.

Lá todos estavam bem. Todos estavam curtindo o fim de semana, viajando, churrasco com a família. Só alegria. Dali em diante definitivamente passei o domingo me sentindo uma ET.

Pior: uma ET solitária. A última das ETs, num mundo em que hoje todos só têm coisas boas a contar, a fazer e a compartilhar.

Quando a solidão é uma opção

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Dizem que a solidão é triste e angustiante. Talvez porque os momentos de isolamento nos provoque reflexões das quais fugimos por meio de companhias, entretenimento ou outra ocupação como trabalho e estudos.

Sou uma pessoa muito agitada. Trabalho muito, tenho filhos e cachorros para cuidar. Nossa casa está sempre cheia de amigos e familiares. Mas confesso que tem alguns dias que tenho vontade de me enfiar em um buraco para ver se consigo ficar sozinha um pouco.

À medida que os anos passam, tenho sentido cada vez mais essa necessidade de isolamento reflexivo. É como se fosse um momento para respirar, fazer planos ou simplesmente esvaziar a cabeça.

Nos últimos feriados optei por ficar em casa, fazendo trabalhos manuais, mudando a decoração ou passeando por lojas sem fazer grandes compras, conhecendo restaurantes sem ninguém para dividir a mesa.

Sempre gostei de ir sozinha ao cinema, exposições e teatro. Adoro esses momentos.

Quando chega a segunda-feira e meus amigos perguntam como foi o final de semana, ao relatar que fiquei sozinha, percebo os rostos de compaixão e às vezes ouço um questionamento se de fato estou bem.

As pessoas não conseguem entender que minha solidão é uma opção prazerosa. Sei que tenho com quem contar para todos os momentos. Sou amiga de diversas tribos, portanto posso ter companhia pra ir onde quiser.

Comprovei que quando a solidão é uma opção, ela se torna a melhor companheira para o bem estar mental e físico. Não tenha medo de criar e aproveitar momentos de solidão. Você vai descobrir um mundo mágico interior

Eu mudei e a vida mudou para muito melhor

 

Percebi que precisava mudar antes de ser mudada.

Não quero depender da sorte, do destino ou da vontade de terceiros para ser feliz.

Comecei mudando o caminho.

Depois mudei o cabelo, a cor do esmalte.

Parecia tão bobo e óbvio, mas as transformações, mesmo pequenas, causaram desconforto.

Quando me acostumei com estas mudanças insignificantes, Mudei de casa, mudei de emprego,

Logo mudei a companhia.

Primeiro, alguns amigos se mudaram, porque estavam acostumados com aquela pessoa submissa que tinha dominado minha vida.

Então, abri vagas para outros amigos se mudarem para minha vida.

Não é que foi bom renovar?!

Aí resolvi mudar meu comportamento, meus pensamentos e minha visão de mim mesma.

Foi quando aconteceu o segundo choque.

Mas, logo vieram as reais mudanças e eu relaxei.

Mudei meu humor, mudei meu olhar, mudei de vida.

Mudei para ser feliz.

Descobri que a felicidade sempre esteve onde eu nunca tinha procurado. Em mim mesma.

A minha visão dos homens

Parei no bar para tomar uma taça vinho bem gelada, porque eu estava merecendo. Enquanto o mundo pensa “Ela está sozinha, coitada!”,  eu respondo através do meu olhar “Como é bom ficar em silêncio para ouvir meus pensamentos divertidos.”

Enquanto degustava o meu rosé comecei a observar as pessoas, na verdade, os homens… Adoro observar como eles se comportam! A minha imaginação é uma ótima companhia para este tipo de ocasião.

Alguns chegam em matilha, normalmente prontos para atacar, olhando ao redor à procura de uma presa. Parecem descolados, mas no fundo são bastante inseguros e têm como objetivo principal provar ao amigo o quão bons na conquista eles conseguem ser. Neste grupo, encontramos diversos casados em busca de diversão e satisfação rápida.

Tem o lobo solitário, que normalmente fica no balcão ou em algum dos cantos do bar com uma long neck nas mãos. Mantém a cabeça alta e é um charme.  Confesso que fico confusa se eles são deuses gregos, sobreviventes do Olimpo, ou estamos diante de um cara cansado que não está a fim de papo com ninguém mesmo. Talvez seja bem mal humorado, sem assunto e com bafo.

Me viro e começo observar os rapazes com suas respectivas namoradas. Nesta situação temos dois tipos de homens:

Aqueles que concordam com tudo que a mulher fala.
Aqueles que se separam da mulher na mesa e aproveitam para falar assuntos de homens enquanto as mulheres falam entre si. Talvez seja a única liberdade que possuem de estarem sozinhos.

E aí eu me pergunto: “Será este o tipo de relação perfeita?”.  Eu acho tão superficial e me dá uma sensação que é uma vida de aparências, onde todos os sentimentos estão engarrafados em algum canto obscuro do coração.

Sim, também tenho instintos para procurar o cara mais gostoso do bar.  Bem, não foi um bom dia para este fim… Não havia esta espécie disponível nesta data… Uma pena!

Enquanto peço a conta,  percebo que meu diálogo interno foi consumido pelo senso comum, os homens me parecem todos iguais. Facilmente seria possível colocá-los em um cluster, assim como faço para definir as estratégias de marketing da empresa.

E quanto a mim? Talvez  eu seja igual a tantas outras mulheres que pertencem à mesma tribo que a minha. Continuo sonhando em encontrar um cara comum, que seja muito legal, para me acompanhar na divertida aventura de viver.

Vou correr para casa, porque o cachorro deve estar ansioso para dar a nova divertida volta noturna.

Coisa de menino e coisa de menina

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Crescemos sempre ouvindo a frase acima.

Nossos pais, conscientes ou não, acabavam generalizando o que podíamos ou não podíamos fazer, ou o que podíamos ou não vestir, do que podíamos e não podíamos brincar, de acordo com nosso sexo.

Sabemos das evidentes diferenças biológicas entre o masculino e o feminino, mas infelizmente as definições que presenciamos estão mais ligadas a crenças e costumes sociais do que fatores meramente biológicos.

Assim, fomos criadas e ainda estamos criando a nova geração usando esse paradigma binário entre “coisas de menino” e “coisas de menina”.

Desse modo, os sentimentos e os verdadeiros gostos das crianças continuam sempre em segundo plano. Além disso, educar dessa maneira só ajuda a disseminar desde cedo estereótipos de gênero e preconceitos, fomentando mais e mais esse mundo homofóbico em que vivemos.

“Meninos têm de vestir azul e meninas, rosa”.

“Filho meu não pode dançar ou fazer ginástica. Isso nem pensar!”

“Proíbo minha filha de jogar futebol.”

“Não incentivamos os meninos a brincarem com bonecas e as meninas, com carrinhos.”

“Homens não choram.”

“Menino tem cabelo curto e menina cabelo comprido.”

“Meninas têm que casar. Homens têm mais é que aproveitar”

“Quando o menino arrota ou solta um pum, achamos graça. Quando a menina o faz, recriminamos.”

“Menina não brinca com menino.”

Quantas vezes você mesmo não ouviu em sua infância ou presenciou alguma mãe

falando com seus filhos as frases ou hábitos acima? Isso só reforça nossos

estereótipos sobre a definição do que é masculino e o que é feminino.

Por trás de tudo isso está a ideia de que cuidar dos filhos e da casa é tarefa feminina.

Está a ideia de que o destino das mulheres é sempre o casamento (a chata ideia da princesa em busca de seu príncipe encantado).

Enquanto que trabalhar, ser produtivo e gostar de carros é exclusividade dos homens.

Além disso, crescemos com a mentalidade de que tudo que é frágil e delicado definitivamente está associado às mulheres, tendo como contrapartida a brutalidade aparentemente sempre nata dos homens.

Ou que determinada atividade física modificará a sexualidade da criança.

Besteira. Balela. Mentira.

Nada disso é verdade na vida real!

A diferença entre o astronauta e a aeromoça está na cabeça dos adultos, não na das crianças. Nós é que continuamos com esses costumes idiotas e preconceituosos.

E depois queremos que o mundo seja mais humano e as pessoas mais tolerantes umas com as outras e com suas escolhas.

 

Imagem: Filme “Coisas de Meninos e Meninas”  [2006]

Você é feliz?

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Responda rápido a pergunta do título. Se a sua resposta foi um sim direto e claro, você sabe o que é felicidade para você. Porém, se sua resposta foi “Sim, apesar de…”, “Sim, mas…” ou “Acho que sim”, pense bem no seu conceito de felicidade.

Existe uma pressão da sociedade que impõe que pessoas felizes precisam de dinheiro, devem ser magras, com relacionamento amoroso e outras tantas regras sociais propagadas por meio da mídia.

Há tempos eu acreditei que deveria ser assim, eu era magra, trabalhava muito, queria ser diretora de uma grande empresa e ter um casamento feliz para sempre.

Em relação ao trabalho, quanto mais eu me aproximava da cúpula das empresas onde trabalhei, mais percebia que o estilo de vida e os valores morais exigidos para se estar no topo de grandes organizações não combinavam com o que me fazia feliz. Em alguns momentos me senti agredida ao ter que assumir alguns posicionamentos corporativos, em outros me senti vendendo horas que podiam ser usadas em meu enriquecimento pessoal para garantir o meu enriquecimento apenas financeiro.

Em determinado momento, meu objetivo com o trabalho deixou de ser chegar ao topo. Não era esse o estilo de vida que me faria feliz. Continuei me dedicando ao trabalho e me dedico até hoje, porém com outro objetivo. Como estamos no Brasil, ter uma remuneração que me permitisse depender cada vez menos do governo me traria tranquilidade. Afinal, enfrentar filas para obter atendimento médico para minha mãe ou meu filho me dá pavor.

Logo, minha felicidade estava em uma relação de minimizar uma dependência em relação a algo que me incomodava.

Após os 20 anos minha relação com a balança se inverteu. Até este momento eu podia comer tudo sem me exercitar sem que um grama fosse adicionado ao meu peso. Quando cheguei aos 30 anos já tinha engordado mais de 10 quilos. Tentei lutar contra isso, fazendo academia e fazendo dieta, mas só conseguia me manter magra enquanto o meu foco era esse. Toda vez que eu priorizava outra coisa, como a relação com meu filho, ou um projeto pessoal ou profissional, lá estavam os quilos de volta. Porém, ao começar a fazer check-up médico anual, percebi que existe um peso que não me permite entrar em um jeans 40, mas que não afeta meus índices de pessoa saudável.

Logo, minha felicidade está em priorizar o que cada etapa me pede, comer o que tenho vontade, sem precisar ser escrava de um guarda-roupas e sim apenas ter atenção com a minha saúde.

Já em relação ao sonho do “felizes para sempre”, embora tivesse minhas dúvidas sobre a existência do conceito, eu me permiti tentar. Me casei e tive meu filho. Exercitei o papel de esposa dedicada e mãe. Descobri que, para mim, o conceito de me anular como esposa dedicada e ter as oportunidades limitadas pelos domingos no sofá não me fazia feliz. Eu não era o tipo de esposa que eu tinha aprendido ao longo da vida. Porém, o lado mãe é a minha cara. Portanto, aprendi que ter uma família me fazia muito feliz, mas que família é compartilhamento, é doação sem pedir nada em troca, desde que seja confortável.

A resposta da minha pergunta é sempre “SIM”. Sou uma mãe solteira, com sobrepeso e sem dinheiro para comprar roupas da moda ou viajar anualmente para o exterior. Mas tenho tudo o que preciso para ser feliz. Amo minha vida, minha paz e meu estilo de vida.

Encontre sua fórmula da felicidade, independente dos conceitos de felicidade da sociedade, da sua família ou do seu vizinho. Felicidade é um conceito sob medida, descubra a sua e Seja Feliz.