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Até quando?

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Quando se pensa em igualdade de gênero fica claro que, ao longo do último século, a situação feminina evoluiu bastante em qualidade em nossa cultura. Em algumas, ainda não, como na muçulmana e sociedades muitíssimo pobres.

Escolhemos nossos companheiros, frequentamos escolas, votamos, conquistamos oportunidades profissionais, viajamos sós, temos leis que melhor nos protegem, mas sem dúvida falta muito.

O feminicídio ainda é altíssimo, o estupro, quase consenso se a mulher não se “comportar”, salários inferiores, aceitação social da “superioridade” masculina e trabalho dobrado como coisa inerente ao sexo frágil. Vejamos.

O casal chega em casa após a jornada de trabalho para ambos. A esmagadora porcentagem dos maridos vai para o sofá esperar pelo jantar.

A mulher corre com a comida, a atenção aos filhos. Note-se que por imposições várias talvez um filho único. Confere seu desempenho escolar, as lições de casa, a matéria das provas. Banho, montagem da mochila, lance, uniforme…

Serve a comida, põe o filho não facilmente na cama e diligencia as tarefas do dia seguinte: escolhe o cardápio, põe a roupa para lavar, organiza a baderna. Alguns maridos parca e parcialmente ajudam. Ele come e volta à tevê ou ao trabalho.

Ela também volta às tarefas profissionais, só após o término de suas obrigações.

Mesmo doente ela só vai cuidar-se quando tudo estiver em ordem. Ela pode ser advogada, engenheira, enfermeira, professora, vendedora… Põe toda essa carga nos ombros e cobra-se muito pelo seu desempenho. E se algo dá errado, julga ser culpa sua.

Seu parceiro continua ocupado demais com coisas sérias demais para desviar sua preciosa atenção para coisas de mulher.

A situação começa a mudar entre jovens e mais esclarecidos, e fica mais atenuada para quem tem melhor poder econômico, mas minusculamente em relação ao universo das famílias. Acrescido do fato que mais de um terço das famílias não tem o pai. E mesmo com eles quase metade desses lares tem a mulher como chefe, pois é o arrimo econômico da casa.

Não vamos esquecer que muitas mulheres mantêm parceiros que não trabalham, não ajudam ou até mesmo as exploram.

Por outro lado, há os que participam mais e entendem a importância de compartilhar essa difícil vida em família.

Vamos ensinar compartilhamento, incentivá-lo para termos uma vida de maior valorização como ser humano em igualdade de direitos e deveres.

 

Quando descobri um nódulo na mama

É outubro rosa e neste mês eu comemoro a alegria de não ter recebido a difícil notícia de que estava com câncer. Era um nódulo, carcinoma cicatrizante, como cicatrizou ficou benigno.

Mas e quanto as pessoas* que não tiveram a mesma sorte que eu? Não sou do tipo que consegue simplesmente ignorar o sofrimento alheio, então resolvi falar sobre o assunto para homenagear a toda pessoa de coragem que está lutando pela vida.

*Usei pessoas pois, apesar de ser mais comum nas mulheres, homens também podem ser acometidos desta doença.

É muito engraçado quando eu ouço alguém dizendo da angustia e ansiedade quando faz os exames periódicos, para mim sempre foi apenas uma rotina, como ir ao supermercado ou limpar a casa, não é divertido, mas também não tira a felicidade dos meus dias. Mas tenho que confessar que após o nódulo os exames passaram a ter um relevância maior na minha vida.

Por que estou escrevendo isso? Tenho alguns motivos:

1. Eu conheço a solidão da suspeita da doença e gostaria que todos soubessem que é melhor compartilhar este momento com as amigas, eu não fiz isso, mas mesmo assim as amigas queridas estavam lá comigo e foi ótimo.

2. Parece bobagem, mas a prevenção salvou minha vida e gostaria que todas as pessoas tivessem a mesma chance que eu tive.

3. Tenho amigas que passaram por esta doença, vivenciei a cura e a morte, e gostaria de dizer para quem está passando por isso que tenha fé, força, esperança e mesmo no momento mais difícil mantenha a alegria interna, mesmo quando a tristeza externa seja imensa, a boa vibração pode salvar sua vida.

4. Simplesmente por paixão a vida, vale sempre reforçar a esperança.

E para terminar, escrevo este texto por gratidão a cada pessoa que se dedica a salvar vidas, por cada mulher (ou pessoa) forte que está passando por está doença com muita dignidade, por cada família (aqui incluo as pessoas que entram em nossas vidas e se tornam família também) que mesmo muito tristes se esforçam para colocar um sorriso no rosto daquela pessoa que não teve a mesma sorte que eu.

Dica final: cuide de você todos os dias, outubro rosa é apenas um símbolo, enquanto a sua vida acontece todos os dias.

Nem todo mundo transa

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Estamos frente a mais uma cobrança da sociedade. Se os questionamentos eram sobre quando eu ia arrumar um namorado, casar, ou ter filhos. Após a separação passou a ser, se estou pegando alguém. Afinal, uma mulher linda e inteligente não pode viver sozinha.

A sociedade até tem evoluído no quesito cobrança por relacionamento sério, mas uma mulher que não transa é considerada uma aberração.

Mais uma vez, a escolha do momento de vida de alguém é criticada. A mulher que opta, mesmo que por um período não sair por ai pegando geral, pode ser acusada de estranha, fria, recalcada, moralista, etc.

Geralmente, quando uma pessoa se separa, ela precisa testar sua autoestima, pois sair de um relacionamento não é nada fácil e, como ficou sem olhar para o lado durante o relacionamento, quando se vê livre percebe que há um mar de oportunidades de transa a seu redor e não há razão para não aproveitar tal fase.

Porém, assim como tem gente que se encanta por isso, existem as que entram em um período de abstinência após cansar de relacionamento instantâneos ou transas casuais.

Enquadro-me no grupo das que cansaram da pegação. Não digo que estou fechada para uma transa casual, mas estou tão focada em outros temas, que para me chamar a atenção e me seduzir o cara precisa um pouco mais de esforço do que um rosto bonito.

Não estou sendo exigente, apenas não estou priorizando a transa. Estou feliz com minha escolha, não tenho saído a caça, tenho ficado mais em casa resolvendo diversas questões importantes e estruturantes para minha vida. Tenho curtido com meus velhos amigos e consequentemente não tenho conhecido novos candidatos a transas casuais, uma vez que  relacionamento sério não está nos meus planos.

Sendo assim, estou sendo questionada por não estar pegando ninguém. Todos os encontros de família e amigos, tenho que responder se já sai da abstinência. Encaro isso de forma divertida e sempre faço uma piadinha a respeito, ora me pondo como vítima, outra como vilã, mas sem tentar explicar o inexplicável.

A conclusão que cheguei é que sempre terei minhas escolhas questionadas, como se fossem comportamentos que fogem a regra. Mas afinal, nem todo mundo se casa, nem todo mundo tem filho e nem todo mundo transa. Tudo é uma questão de escolha, momentânea ou definitiva.

Existe cura para relacionamentos doentes?

Quantas vezes já me peguei falando “Isto é coisa de homem brasileiro…”, seja porque não ligou no dia seguinte, seja porque saiu com outra, ou porque foi covarde para assumir que não estava mais afim.

Pois bem, descobri que a covardia vai bem além das fronteiras brasileiras, acredito que tem como origem alguma má formação que afeta o comportamento.

O mais interessante é como uma mente doente desperta no outro toda a sua insegurança e culpa por seus atos covardes. Frase dura, não é mesmo?

Vamos aos fatos: Qual a dificuldade em se comunicar com alguém hoje em dia? Podemos sair a rua pelados, mas jamais sem um celular na mão. O que impede uma pessoa de dizer que não quer mais aquele relacionamento, ou seguir com o encontro, ou qualquer outra coisa? A não ser que a pessoa viva um algum país como Coreia do Norte acredito que é possível expressar suas vontades com os demais envolvidos.

Por que acusar o outro por sua necessidade não ser atendida? Que coisa mais mimada, não é mesmo? Ninguém está aqui para atender as expectativas e necessidades de alguém, cada um é responsável pela sua própria vida e tem o direito de não ficar com a pessoa que não a faz feliz, porém todos temos o dever de assumir a responsabilidade por nossa decisão, principalmente avisar os envolvidos (no caso excluído) da decisão.

Esta última situação é exatamente onde mora o perigo, o outro lhe diz que não ligou porque você pega no pé, porque você não liga para ele, porque você, você, você…. e aí, sem que você perceba, sua autoestima está abaixo do nível do mar, você não tem mais segurança para escolher uma roupa no guarda roupa e sente que toda a culpa do universo é sua.

Difícil entender porque você se deixou contaminar por esta doença, mas não se preocupe este mal tem cura e a maioria de nós já vivenciou este tipo de experiência e sobreviveu. Então, quando alguém errar e jogar a culpa em você lembrem- se de um jargão bobo, mas verdadeiro, um “erro não justifica o outro”.

Se você errou (afinal você é humana) a pessoa pode não gostar da sua atitude e tem o dever de explicar claramente porque quer se afastar, se esta não conseguir, CUIDADO, você pode estar lidando com alguém com a síndrome de tornar os relacionamentos doentes, veja se o mesmo não é perigoso e corra para algum lugar onde você é respeitada e principalmente onde sinta se feliz.

Antes que me pergunte onde fica este lugar, já lhe respondo que existem vários lugares felizes, simplesmente ficar sozinha pode ser bem aconchegante.

A seleção natural da minha vida

Na biologia, a ação da seleção natural consiste em selecionar indivíduos mais adaptados a determinada condição ecológica, eliminando aqueles desvantajosos para essa mesma condição.

Ao longo da vida descobri que esse processo se aplica também a pessoas que conheci ao longo do caminho. Fazendo uma analogia, os mais adaptados são os que possuem valores convergentes com os meus. A pessoa não precisa pensar igual, nem mesmo ter os mesmos hábitos. Não precisa ter o mesmo gosto musical ou qualquer outra característica de personalidade e comportamento idênticos aos meus. Porém, valores e princípios são fundamentais.

Por mais que eu tente conviver com todos, acabo considerando como personalidades com desvantagens os que contradizem meus valores.

Por exemplo, não consigo conviver em um grupo onde circulam piadas pedófilas. Sei que dei um exemplo extremo, mas acreditem, recebi um vídeo neste contexto, em um grupo de meninos que a princípio não valorizaram esse comportamento, porém seus princípios não eram fortes o suficiente para se sentirem incomodados com tais imagens.

Também não consigo conviver com pessoas que desejam o mal ao próximo. Sei que as vezes dá uma raiva danada do ex, ou daquela pessoa que te sacaneou. Mas sou do tipo que não tenho inimigos. Não há em minha vida nenhuma pessoa que me faria atravessar a rua para evita-la. Portanto, me canso fácil de pessoas que vivem falando de inveja ou qualquer lamentação sobre outro ser. Aqueles que postam indiretas nas redes, mesmo que não sejam para mim, perdem pontos significativos na minha convivência.

Também não suporto conviver com pessoas, que possuem dois pesos e duas medidas em situações que as privilegiam. Já ouvi longos discursos de pessoas que são moralistas, quando estão sem opção e, que deixaram seus pudores de lado quando choveu em sua horta.

Sei que tudo é relativo, mas aguentar alguém que fala firmemente de suas crenças e depois age de forma contraria é muito estranho para mim. Não sou uma virgem no puteiro, mas também não vou a igreja pedir benções se não valorizo os princípios de tal religião.

Os casos acima são apenas exemplos. Mas quando falo de seleção natural, não significa que expulso essas pessoas da minha vida. Simplesmente elas vão se afastando, pois não há como alguém cheio de mágoas aguantar alguém cheio de alegrias. Não há como fazer discurso exacerbado para quem não valoriza exageros.

Não há certo e errado na minha visão de sociedade. Há situações e pessoas que se encaixam no meu conjunto de princípios e valores e outras não.

Portanto, muitas pessoas passam pela minha vida, algumas duram um certo tempo e até contribuem para que eu cresça, porém permanecem as pessoas que por valores e princípios são mais adaptadas a conviver comigo.

Ela está solteira, mas ainda quer casar

Sou do tipo SOLTEIRONA, convicta, não quero casar. Sou feliz solteira e estou bem assim, mas passei a entender algumas amigas que não se sentem bem com a situação.

Tem gente que nasce para casar, ter filhos e constituir família. Isso nem sempre é uma imposição da sociedade. Desde menina, minha amiga Ana escolheu isso para si. O sonho dela sempre foi se casar. Assim como para outras, o sonho é conhecer o mundo, ser executiva em uma grande empresa ou ser famosa.

Casar é bom para quem escolhe esse caminho. É fato que algumas mulheres se decepcionam no casamento, pois independentemente de seus sonhos, o convívio diário é sempre complexo e, para uma relação funcionar não basta um querer.

Os desafios do casamento são inúmeros, assim como perseguir qualquer sonho não é fácil. Mas Ana está disposta abrir mão de alguns de seus hábitos pois pretende viver a vida toda ao lado de alguém e dividir uma vida. Sim, dividir, pois por mais que saibamos que o melhor é somar esforços, existem aspectos que serão divididos, pois as decisões são compartilhadas, seu tempo passa a não ser exclusivamente seu.

Enfim, Ana está solteira e quer se casar. Ela não culpa a sociedade por pressioná-la, não entende que está seguindo padrões, nem que esse é o destino de toda mulher. Ela escolheu se casar, está procurando um alguém que também queira constituir família e ser feliz para sempre, passando por todas as dificuldades que uma relação humana insere.

Afinal, casamento também é uma escolha a qual toda mulher tem direito de exercer sem ser criticada por aquelas que optaram pela liberdade, carreira ou qualquer outro caminho.