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Bolsa de Mulher e seus efeitos no universo masculino

Por que os homens ainda se sentem tão perdidos e quase apavorados diante de uma bolsa de mulher? Ou seria pura curiosidade?

Os preços das bolsas realmente justificam o pavor, mas a curiosidade me tira gargalhadas! Será que eles ainda têm medo de encontrar um absorvente? Ou seria medo de achar um preservativo e então verem desmoronar seus castelos de sonhos por estarem apaixonados pela mocinha que não é mais virgem?

Eu tenho algumas suposições, pouco embasadas, mas que tornam o tempo que eu gasto no trânsito, na fila de qualquer lugar ou nas salas de esperas de salões de beleza e consultórios médicos bastante divertido. Na hora que a Glória Feler ler isso, tenho certeza que irá me receitar algo do tipo tarja preta para alucinações.

Mas vamos lá dar sequência à minha linha de raciocínio.

Quando um homem carrega a bolsa da sua mulher, está implícita a sua sensação de poder nesse gesto. Ao proteger a sua fêmea, demonstra toda a sua virilidade misturada a um cavalheirismo másculo por carregar um dos maiores símbolos do universo feminino. Mas se você conseguir olhar no fundo dos olhos dele irá ler os seguintes pensamentos:

  • Mas que peso é esse? Melhor carregar a bolsa, quem sabe ela desiste de parar na próxima loja? Ou talvez seja melhor eu dar um jeito de devolver isso rápido, para que não seja mais fácil ela pedir meu cartão de crédito para pagar suas compras.

Os meninos querem ser homens tão fortes, mas normalmente são tão cansativos com os seus pensamentos machistas e tão apegados aos bens materiais que nem percebem que uma bolsa traduz personalidade, sonhos, desejos de uma mulher.

Quando o assunto é desejo, tenho a certeza que o que eles realmente esperam é que a bolsa seja um portal, que transforme a sua virgem na mulher mais perversa deste planeta e proporcione a ele um momento de sexo enlouquecedor. Sim, acredito que o homem sempre vai pensar em sexo ao tocar qualquer objeto feminino. Aliás, este tema merece um texto só para ele.

Para fechar minha análise, afinal, nenhuma sala de espera é eterna, vamos falar daquele perfil curioso, que já deixou um olhar comprido para dentro da bolsa de uma mulher. Este, minha cara, já descobriu as inúmeras nécessaires que carregamos, e então ele deve estar desesperado, pois em algum momento o temido absorvente será encontrado. Adoro pensar o quanto os homens ficam desesperados com uma mulher sangrando que não irá morrer mas poderá mata-los, e ainda assim, terá sua pena amenizada por estar com os hormônios alterados. Somos tão fortes, tão poderosas e eles tão meninos…

Meus queridos possuidores do cromossomo Y, adoro vocês, mesmo em suas fraquezas e dificuldades para expressar sentimentos, afinal, a fragilidade tem um certo charme sexy.

Não sou diferentona

Descobri que sou clichê demais para ser única e que todos os outros seguem um padrão comportamental muito mais normal do que eu imaginava.

Todos os outros já decidiram fechar para balanço por um tempo.

Todos os outros mudam o cabelo quando precisam provar para si mesmos que são diferentões.

Todos os outros fazem coisas que sabem que não deviam, escondidos não sei de quem.

Todos os outros deixam de aceitar por medo de se decepcionarem e deixam de recusar para não se decepcionarem (esse lance de decepção é uma droga!).

Todos os outros mandam mensagens que não deviam com um ar de “vai que…”.

Todos os outros detonam o amor depois de uma decepção, mas logo estão achando o vizinho o cara mais fofo do mundo.

Todos os outros têm o seu dia/mês/ano mendigo, porque resolveram se livrar dos padrões de beleza (acordei rebelde ou foi meu cabelo?).

Todos os outros começam a dieta na segunda, só que não.

Todos os outros … (complete com qualquer coisa que só você faz).

Todos os outros fazem tudo… Droga! Minha vida única foi por água abaixo e sou tudo aquilo que não queria ser: normal, morna, previsível e nada diferentona.

Drama de personagem

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Estou perdido reconheço
Não sei mais como voltar
Reconheço esse é o preço
Da vida que quis encenar

Neste palco fictício
Essa plateia calorosa
Conduziu-me ao meu vício
De uma vida glamorosa

Como descer do pedestal?
Como voltar ao eu antigo?
Como deixar de ser banal?
Como voltar ao meu abrigo?

Chega desse personagem
Chega de vagar vazio
Vou buscar toda coragem
Para retomar o brio

Vou tecer mais uma vez
A rede do meu passado
Relembrar o que me fez
Deixar o meu ser de lado

O Ser Criança

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A verdade é que o ser criança habita um mundo paralelo a essa perturbação crônica em que vivemos. Ele é sempre alegre e não se sujeita a poupar balas para o futuro. Devora a panela de brigadeiro, se lambuza no doce de leite e depois entrega um beijo babado à vítima de seu carinho. Não evita as cáries, os tombos, os choques. Coloca em risco a própria pele pelo prazer da descoberta. Na pouca idade temos os dois pés calcados nesse domínio até que o ciclo temporal nos exige maturidade, perfeccionismo, pudor e espontaneidade censurada. É um desafio rotineiro não deixar que o ser criança nos seja usurpado em sua totalidade. Por isso, precisamos viver mais a simplicidade das coisas.

O prazer das expedições de quintal. O sono pacificador de colo de avó. Só assim o cotidiano se tornará palco aberto do ser criança e o sonambulismo das nossas vidas ganhará vigor.

A maior polêmica do Solteirar

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Recentemente, em uma extravagante Happy Hour com minhas amigas do Solteirar, a Eva soltou o desafio: “Duvido que vocês adivinhem qual foi a maior polêmica do Solteirar até hoje”.

Não demorou um segundo para que todas nós começássemos a listar freneticamente os temas candidatos ao título: o apoio ao aborto, os embates feministas de algumas, a visão crítica sobre a maternidade de outras, os duros prognósticos político-econômicos da Otávia, minha idolatria excêntrica à vida solitária, as aventuras picantes da Renata, o inacreditável repertório de contos de divã da Glória, dentre vários outros…

Pois então, se você, cara leitora, também ventilou um desses, sinto lhe dizer: você está redondamente enganada! Aliás, como eu estava…

De fato, para ilustrar meu assombro, vale destacar que acabei caindo da cadeira – literalmente! – quando a Eva revelou a fatídica frase postada em nossas redes sociais que mais gerou condenações acaloradas entre seus amigos, especialmente os representantes dos cromossomos capengas…

Era uma frase que constatava como é libertador não se sentir obrigada a depilar-se! Sim, isso mesmo: o alvoroço passou bem longe dos dilemas mais fundamentais da humanidade…

E, se você, como eu, levou bronca ou sofreu bullying na adolescência por não raspar as pernas (e, mesmo assim, nem comprou uma Gillette por isso)…

Se você, como eu, já ouviu de suas amigas: “Estas pernas maravilhosas merecem uma depilação…”. E prontamente justificou: “Adoro desfigurá-las!”…

Se você, como eu, já ouviu de algumas primas: “Assim você não arranja namorado!”. E alegremente comemorou: “Então estou no caminho certo!”

Se você, como eu, ao visitar outros países, achou o máximo ver tantas garotas lindamente despreocupadas com esse mero detalhe…

Se você, como eu, não costuma perder uma grande oportunidade por não estar em dia com a depilação…

Se você, como eu, só se depila quando está com vontade…

Se você, como eu, acha que a relação irritação-benefício de tal prática nem sempre justifica o investimento em tempo ou em suados rendimentos…

Se você, como eu, não está nem um pouco preocupada em ser identificada como uma porca esculhambada (especialmente depois deste texto)…

Então VOCÊ entende bem o meu espanto ao conhecer tão lamentável estatística.

 

Esta blogueira adverte (principalmente aos cromossomos capengas que não se depilam e/ou não fazem a barba): em caso de intensa comoção com o fato de uma brasileira ignorar a prática da depilação, compre uma passagem para o inferno e lá permaneça até que a espécie humana evolua para raças superiores sem pêlos. Ou para raças superiores sem desprezíveis preocupações com as decisões alheias…

 

Reticências…

Estou em um cenário similar ao caos: a fila do caixa do supermercado. Ignoro a falha técnica que ocorre lá na frente e no meu completo egoísmo vou sendo consumida pela espera e pelas histórias da vida alheia – cujos temas não possuem filtros ou classificação indicativa para serem regurgitados em público.

Tento concentrar-me nos alto-falantes que sussurram algum sambinha ainda não identificado, mas com alguns segundos de trabalho, o volume do melodrama à minha frente é aumentado e interrompe o meu exercício. Desisto, encaro a situação e à minha frente estão duas amigas e um enigma: aquele homem do passado. E, essa foi a porta de entrada para as minhas alucinações.

Verdade seja dita, existem pessoas que nos fazem parar no tempo, de forma a estar sempre “esperando um sim ou um nunca mais!”¹. Nem preciso detalhar o quanto esses temas visitam e revisitam os sofás do meu consultório.

Lembro-me, neste momento, das minhas amigas. Pois, algumas não se envolvem com pessoas que tenham o mesmo nome do desastroso ex-namorado; outras, passados mais de dez anos, nunca assumiram qualquer relação após o célebre término; e, ainda, há aquelas que optaram por, simplesmente, não se relacionar mais!

É claro que alguns relacionamentos são traumáticos, mas a exceção de diagnósticos patológicos – que exigem acompanhamento – a moral da história é sempre a mesma: todo fim é um recomeço. E, ainda assim, por que passamos tantos anos a arrastar correntes por alguém? A troco de quê essa dedicação unilateral aos doces momentos findos ou à amargura dos arrependimentos? Por que a insistência em não enxergar um ponto final onde já não existe nada?

Não extingo das possibilidades a existência de júbilo em uniões restabelecidas, mas enquanto isso não acontece, onde se encontra aquele desejo individual de realização? Resposta: Estacionado no passado ou à espera de uma chance no futuro. Meu desespero se agiganta em  ver esse cárcere às memórias transcorridas.

A chave para a liberdade está em perceber um simples detalhe: alguns parágrafos terminam com um ponto final, não adianta interpretá-lo como um indício de reticências.

Opa! E a fila retomou seu movimento…

 

¹Amado – Vanessa da Mata (https://www.youtube.com/watch?v=4wegmGMUunk)