Home Blog Page 31

Saí com um canalha – a ressaca

– Glória, está em casa?

– Sim, está tudo bem?

– Toma uma cerveja comigo?

– Claro!

E pelo pedido, é claro que não está bem…

 

“Amiga, estou com a autoestima arrasada. Sinto-me culpada e diminuída por ter caído em mais um golpe – o golpe da paixão. Ele é jovem, eu deveria ter suspeitado, deveria ter evitado a relação. A noite foi incrível, me entreguei num impulso adolescente. Que ridículo! Agora, fui surpreendida com um cenário de mentiras e descaso. Esperei uma ligação. Uma explicação. Uma explicação que, eu já sei, não existe. Sinto-me usada e a culpa me consome. Como saber de antemão que se está de posse de uma nota de 3 reais? Como? Ele é um ludibriador, eu deveria ter percebido, eu deveria saber. Estou arrasada, Glória. Envergonhada. Essa é a minha ressaca após a esbórnia da última noite. Caí no conto do canalha. Devo ser a única com tamanha cegueira.”

Fiquei em silêncio durante os intensos 120 minutos desse monólogo. Só me movi para pedir mais cerveja e pagar a conta.

Levei a minha amiga para sua casa e antes de partir a olhei: embriagada, sentimentalmente ferida e absorta num sono pesado. Ao observá-la lamentei, mais que tudo, a sua última frase. A verdade é que ela não é a única a acometer-se dessa cegueira. E, provavelmente, essa talvez não seja a sua última ressaca.

A dor de hoje

0

Hoje me sinto diferente

Sensação estranha, sinto dor

Angústia um tanto envolvente

Peito apertado, falta de amor

 

O ar já não se faz presente

O corpo sucumbe, o pensamento é vago

A sensação de um amor ausente

A solidão da mente, ausência de afago

 

Hoje o peito arde em frieza

O gelo domina o meu ser

Sei que vai passar esta tristeza

E que o alívio desejado vou ter

 

Amanhã é um novo dia

E o hoje será apenas lembrança

Deixo para trás a covardia

Para buscar coragem e esperança

 

Antes sem ele que sem preservativo

Minha aventura com ele começou de forma inusitada. Transamos antes mesmo de nos apresentarmos. Foi fantástico, minha primeira aventura de sexo casual em uma festa sem nenhum planejamento para que a situação acontecesse, ainda mais com um cara lindo e cheio de energia.

Foi tão bom e inesperado que naquele instante nem lembrei que existiam riscos de doenças sexualmente transmissíveis, pois risco de gravidez eu controlo muito bem e não é um fator de preocupação. Logo, nossa primeira vez rolou sem preservativos, o que me deixou tensa nos próximos dias, pois não fazia ideia do histórico sexual ou de saúde do bonitão.

Passados os primeiros momentos de insegurança e mantido o contato, consegui perceber que o cara era saudável e que, até aquele momento, não tinha com o que me preocupar. Porém, não fizemos nenhum pacto de fidelidade, afinal nenhum de nós queria compromisso, principalmente por termos vidas tão diferentes. Obviamente, eu teria outros parceiros e ele teria várias outras transas inusitadas, afinal, ele só tinha 24 anos e uma vasta vida sexual a explorar.

Nossos próximos encontros seguiram na minha casa e, sempre que o questionei por preservativo, vinha uma promessa de que ele o traria, porém, o cara vinha sempre sem cuidados e eu não conseguia resistir ao seu charme. Por vezes eu mesma comprei a camisinha para tentar o uso. Porém, o cara se aproveitando de ser bem dotado, queixava-se de não se sentir confortável.

Enfim, ao fazer meu último checkup médico, recebi a notícia de que continuava saudável e que apesar de uma vida sexual ativa, nem mesmo um HPV tinha se instalado em meu corpo até hoje. Ufa!

A médica começou a compartilhar sua preocupação com o aumento do número de garotas na faixa dos 20 anos que aparecem no consultório com DSTs, e complementou falando sobre o aumento de incidência do vírus da AIDs e Sífilis entre a população jovem.

Minha reflexão foi imediata. Não quero mais correr riscos sexuais. Embora o garotão seja lindo e um parceiro maravilhoso na cama, alega sentir-se desconfortável com o uso de preservativo. Com certeza não tem um hábito diferente com suas outras parceiras, e se elas aceitam esse comportamento dele, aceitam de outros também, ou seja, eu estava inserida em um contexto de risco.

Aparentemente, perdemos o medo que nos assombrou no final dos anos 80 e início da década de 90. As gerações mais novas não foram surpreendidas pela morte de seus ídolos pelo HIV como Henfil, Cazuza, Cláudia Magno, Freddie Mercury, Renato Russo e Betinho e, talvez por isso, a maioria entende o uso de preservativo como um transtorno, quando o ideal seria entendê-lo como essencial.

Vamos encarar o preservativo como parte do ato sexual e como parte da diversão. Atualmente são muitos os tamanhos, aromas, sabores e cores para tornar seu uso mais íntimo e agradável. Que tal conhecer alguns deles em uma sex shop e aproveitar para incrementar a criatividade? Visite o http://www.cerejasexshop.com.br/preservativos e aproveite o momento.

Como tive a coragem para me divorciar

Hoje vou contar para vocês como tive a coragem para me divorciar. Sim, precisei de muita coragem para isto. Desde pequena sonhava com uma casa com filhos e com um marido que me amasse enlouquecidamente por todos os dias da minha vida. Sonhava com filhos que fossem verdadeiros bonequinhos, obedientes, que não chorassem, que não ficassem doentes, que fossem bem na escola. Que ao final de cada dia eu chegasse em casa e tivesse meu “momento família margarina”.

Fiz de tudo para meu sonho se realizar. Casei cedo com um príncipe encantado, planejei logo ter filhos, pois, vai que eu tivesse problemas para engravidar, teria muito tempo ainda para tentar até que meu objetivo fosse cumprido. Tudo estava perfeito, o casamento com o príncipe tinha se consumado e os principezinhos nasceram perfeitinhos. Tirávamos fotos bonitas estilo “família Angelina e Brad”, postávamos nossa “felicidade” no Facebook. Íamos a festas e todos elogiavam nossa linda família.

Porém, a realidade era outra. Os principezinhos davam muito trabalho, eu sempre exausta de trabalhar perdia facilmente a paciência e o príncipe já não me olhava mais.

Um domingo após todos irem dormir, deitei no escuro no sofá da sala. Comecei a chorar muito, acho que chorei durante umas duas horas sem parar, e pensei “O que é que eu estou fazendo com a minha vida? Para que essa farsa toda? Eu quero uma história real, uma história de amor de verdade, não uma história para postar e ter o máximo de curtidas”.

No dia seguinte comuniquei minha decisão ao príncipe. Foi difícil para ele entender. Mas foi a melhor decisão que já tomei na minha vida. Hoje tenho muito mais paciência com os principezinhos e encontrei o verdadeiro amor da minha vida, EU.

O filho não nascido

0

Amamos tanto nosso filho não nascido que já o queremos proteger antes de vir à luz.

De crimes, torturas, injustiças, falta de oportunidade, do mundo violento que não controlamos, das doenças, da natureza destruída, do amor total que não podemos proporcionar-lhe.

Queremos chorar muito ao abraçá-lo, soluçar a falta que nos fará, gerar em pensamentos todo nosso desejo de sua felicidade e de seus dias plenos que não terá.

O cinismo do mundo que não acalenta a dignidade de um ser a nascer. Que vale a vida se sobram martírios a cada dia e nossos abraços serão insuficientes para protegê-lo, curá-lo, desenvolvê-lo? Ele nunca será ele mesmo. Já o tolhe a doença desde o útero.

Não ouvirá canções de ninar ou reconhecerá o rosto de sua mãe ou nada quase compreenderá. Não será como seus irmãos ou amigos. Esta é a vida que lhe ofertaremos e nossos olhos choram e nossos corações arrebentam-se.

O que fará nosso amor para protegê-lo? Como fica nossa impotência? Queremos que nosso bebê corra para a vida com a força que precisa para poder enfrentar qualquer batalha, mas ele já não poderá desde o ventre.

E mesmo com vontade férrea não poderemos ganhar a vida que nunca será dele. E mais nosso amor chora.

Salvá-lo de discriminações e chacotas, de impossibilidade e desamores…

E as mãos em riste de exigências todas não estarão lá para o apoio que faltará, ele já está condenado e sua mãe, abandonada.

Estaremos sozinhas em nossa luta, e ele sozinho e perdido em si mesmo.

O que faremos? Só nós mesmas, com nosso amor, temos o direito desta decisão e de até nem tê-los. Nenhuma gravidez, se não for  absolutamente segura, é a melhor  opção.

Senão nos restará da dor a certeza de termos lutado pelo filho que não tivemos. E chorarmos por mães e filhos que vieram ao mundo com essa síndrome tão perversa.

Foto: Agradecimentos a São Luiz

Homens brochantes no mundo corporativo

Existe um tipo de homem que me dá preguiça até de imaginar. Desejá-lo, para mim, é impossível.

Estou me referindo ao homem sem pegada. Tudo nele é conforme o vento sopra, tipo “deixa a vida me levar”.  Se ele está na balada, fica te olhando horas e nunca chega. Se começam a conversar, pergunta se pode te beijar, ao invés de investir.

Porém, no meu convívio diário vejo diversos homens sem pegada corporativa. São profissionais inseguros que usam de alguns recursos para manter as aparências, mas nunca tomam uma atitude ou decisão.

O cara surfa na onda dos colegas, mas não toma nenhuma posição. Quando indagado sobre algum tema, faz um discurso motivacional e não diz nada.

Geralmente, esses homens tentam seduzir o interlocutor para garantir sua continuidade. Toda vez que encontro o cara, ele fala do meu cabelo, pergunta sobre meu cotidiano, meu final de semana, minhas férias. Penso: “Esse cara quer me foder e não é no bom sentido”.

Um cara desses nunca discute, geralmente dá um sorriso amarelo e tenta evitar o confronto, ficando em cima do muro e quando se sente acuado só não esperneia para não fazer feio, mas apela para nomes de superiores ou levanta a bandeira de defesa do subordinado.

Trabalho com muitos homens e adoro isso, porém homens inseguros são brochantes, irritantes e desmotivadores.

Quando entro em reuniões com homens assim, me perco no discurso deles logo após os 15 minutos iniciais. Minha mente viaja e fico imaginando. Quem cuida desse cara fora daqui? Como esse cara consegue pegar mulher? Se ele não parar de viajar vou ter que soltar um “vira homem, cara!” ou “Coloca o pau na mesa, você tem crachá para isso!”.

Portanto, homens que nos lêem, ficar em cima do muro é brochante, seja na vida pessoal ou profissional. Tomar uma posição e arcar com os resultados é sempre o melhor caminho. Você pode não ganhar uma promoção ou um beijo, mas no mínimo ganhará admiração e respeito.