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Pelo direito à solidão

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A verdadeira liberdade é um ato puramente interior, como a verdadeira solidão: devemos aprender a sentir-nos livres até num cárcere, e a estar sozinhos até no meio da multidão.”

Massimo Bontempelli

 

Gosto de colocar uma música alta, fechar os olhos e me sentir só, me sentir meu.

Gosto de cinemas vazios e filmes tristes, de me entregar ao momento, me por em lágrimas e sonhar.

Não gosto dos meus medos (que são muitos), mas gosto de vencê-los.

São as tardes de chuvas olhando pela janela que esvaziam minha mente e me fazem acalmar.

Pelo direito a dias inteiros trancada no quarto, com pequenos movimentos apenas para pegar algum pacote de besteiras ao alcance das mãos.

Ao não me importar, não me justificar e não socializar.

Poder deitar na grama, olhar para o céu e sentir. Mesmo que seja o sentir-se insignificante meio a imensidão do azul e algodão.

Ao me respeitar.

Ao poder ser fraca, conhecer meus limites, contorna-los e seguir.

Ao viajar. Viajar pelo mundo ou pelos pensamentos.

Pelo direito a ser só, a gostar de mim e não precisar.

Ao me bastar, me conhecer e me completar.

30 coisas bobas que farão você se alegrar

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A alegria contagia. Listamos 30 dicas para você ativar a alegria dentro de você.

1 – Vá a um parque.

2 – Ache um balanço, um giragira, gangorra ou qualquer outro brinquedo e divirta-se.

3 – Tome sorvete, não se preocupe se você se melecar.

4 – Pule corda.

5 – Solte bolinhas de sabão.

6 – Dê gargalhadas sem medo.

7 – Brinque com terra, argila ou areia.

8 – Solte pipa.

9 – Brinque de roda.

10 – Chupe uma laranja.

11 – Abrace alguém. Vale abraçar uma árvore também.

12 – Cante uma música brega. Vale desafinar.

13 – Dance sem medo do ridículo.

14 – Pinte alguma coisa com aquarela ou lápis de cor.

15 – Tire fotos de flores.

16 – Tire selfies fazendo caretas.

17 – Fique de ponta cabeça.

18 – Dê uma cambalhota.

19 – Se tiver oportunidade: nade.

20 – Vá ao jardim zoológico.

21 – Leia uma história.

22 – Jogue bola.

23 – Ande de bicicleta.

24 – Brinque com uma criança.

25 – Brinque com um cachorro ou com um gato.

26 – Monte um pequeno aquário, vale um pequeno com peixe beta.

27 – Conte uma piada, mesmo que não tenha graça.

28 – Faça uma trança no seu cabelo.

29 – Ande descalça.

30 – Bata palmas, você merece!

O poder de um amigo

 

Dizem que não existe amizade entre homens e mulheres. Eu discordo veementemente. Amigo é aquele que nunca te deixa na mão, quer te ver sorrir, contribui para o seu bem-estar e te faz sentir melhor. Enfim, amigo é alguém que te conhece e que sabe lidar com seus defeitos e qualidades.

Assim é a amizade com meu amigo Gabriel, que segue firme e forte há mais de 10 anos, mesmo ele sendo casado há 7 anos.

Sempre falei sobre tudo com Gabriel, sempre soube de seus bons e maus momentos profissionais e pessoais. Sempre fiquei à vontade em contar para ele minhas aventuras e desventuras profissionais e amorosas.

Durante todos esses anos, a única coisa que eu sempre achei estranho é que Gabriel nunca me apresentou sua noiva e posteriormente esposa, mas há 2 anos descobri que isso estava relacionado ao quanto meu amigo me conhecia.

Foi quando ele me ligou perguntando como eu estava e dizendo como ele estava com saudades de nossas conversas. Marcamos um happy hour para o dia seguinte, como sempre fizemos durante anos. Confesso que eu estava sem sexo há alguns meses, pois tinha terminado um relacionamento que acabou com minha autoestima. Quando coloquei a cabeça no travesseiro naquela noite, pensei:

“Nossa, bem que eu podia transar com o Gabriel. Ele é muito gostosão!”

Logo veio o corte:

“Pare com isso Renata! Não vá estragar essa amizade. O Gabriel é casado e bem feliz, não misture as coisas. Além disso, talvez sexo nem seja tão importante assim na sua vida, afinal, seu último relacionamento não foi nada interessante neste aspecto. ”

Quando cheguei ao bar, ele me recebeu com um tremendo sorriso e conversamos por três horas. Quando pedimos a conta, veio a pergunta:

“Você precisa mesmo dormir sozinha hoje? Que tal prolongarmos a noite?”

Me surpreendi e dei um sorriso lembrando o que tinha me passado pela cabeça na noite anterior. Contei para ele que embora tivesse imaginado a situação, já tinha afastado a ideia e o questionei sobre o que mais me intrigou:

“Se sua intenção era essa, porque ficamos conversando tanto tempo até você falar sobre isso? Qual a razão de só ter feito essa proposta agora quando estou na minha pior forma física?”

A resposta foi mais surpreendente ainda:

“Eu precisava saber se você estava interessada em alguém. Sei que apesar de toda sua liberdade sexual, quando você está em um relacionamento ou apaixonada, é sempre fiel. E também sei que se você conhecesse minha esposa jamais poderia te fazer essa proposta, pois você é leal aos amigos. Espero por este momento há muitos anos e te acho sexy independente da sua forma física. Sei que você não irá aceitar ser minha amante, pois isso também não faz seu tipo e estou apenas propondo uma noite entre dois amigos.”

Realmente, Gabriel me conhece bem e essa fórmula é fantástica. Fomos para minha casa e tivemos uma noite maravilhosa. Acreditem! O Gabriel é o melhor parceiro sexual que já tive e a cumplicidade entre nós foi um ingrediente especial nessa noite, que retomei minha autoestima, percebi que sexo continua sendo muitíssimo importante para mim e voltei às minhas aventuras.

Depois de alguns meses mandei para ele um e-mail com o título “O poder de um amigo”, agradecendo pela ótima noite que tivemos e descrevendo minhas últimas aventuras e os efeitos de nosso encontro.

Não sou amante de Gabriel, continuamos nossa amizade, nos encontramos para almoçar sempre que possível, falamos de nossas vidas e nunca mencionamos o que ocorreu naquela noite.

Como disse no início, amigo é aquele que nunca te deixa na mão. Esta semana acordei com os hormônios a flor da pele e mandei uma mensagem para aquele com quem eu sabia que podia contar:

EU: “Acordei atentada e lembrei-me de você.”

ELE: “Posso ver se consigo hoje. Depois te aviso.”

EU: “Hoje só tenho uma hora, entre às 19h e 20h, mas aceito uma rapidinha.”

ELE: “Opa, fale mais sobre as opções? Que horas?”

Comecei a descrever algumas sacanagens e em seguida recebo o seguinte retorno:

ELE: “Estou com minha calça estourando aqui. Você já me convenceu e desmarquei minha reunião das 19h. Falamos mais tarde sobre o local.”

Na hora marcada, ele me passou o endereço onde eu deveria encontrá-lo. Obviamente, como um bom amigo, ele pensou no meu bem-estar e reservou um apartamento próximo ao local do meu compromisso das 20h. Passamos juntos 50 deliciosos minutos de respiração ofegante, cumplicidade, sussurros e até gargalhadas.

Nossa amizade continua sendo mais que especial, sem cobranças, sem obrigações, às vezes sem malicia e outras pegando fogo.

Definitivamente, a mais poderosa relação entre homens e mulheres é a amizade.

 

 

Meus relacionamentos com homens mais novos

Gosto dos homens mais novos simplesmente porque eles me atraem, porque eles despertam em mim o que eu mais gosto: a sensação de me sentir LIVRE!

Se a minha vida virasse um álbum de figurinhas, vocês veriam vários mocinhos  de carinhas bonitinhas. Afinal entre os 20 e 30 anos temos o nosso auge da beleza, mesmo quando estamos fora de qualquer padrão de beleza. Não que eu tenha um álbum completo, até porque estou bem longe de ter me envolvido com a quantidade de homens que eu imaginei experimentar durante a minha vida.

O mais engraçado é que quanto mais o tempo passa, mais novos são os homens que eu conquisto! E, claro, fico apavorada, pelo simples fato de querer me enquadrar à regra imposta pela sociedade que diz: os relacionamentos felizes e duradouros acontecem entre pessoas da mesma faixa etária.

A castração é tão forte que eu nem me atrevi a perguntar a idade do carinha lindo, simpático, atencioso, gentil e sexy que eu tive o prazer enorme de passar uma noite maravilhosa. Apenas tenho certeza que ele era maior de idade, pois a regra local do país onde estávamos só permitia a entrada e a venda de bebidas alcóolicas para maiores de 21 anos. O meu pavor era tão grande que ele soubesse que eu poderia ter uma idade próxima de sua mãe (caso ela tivesse tido filhos com seus 20 anos), que nem me atrevi a perguntar qual era o seu Face ou WhatsApp para mantermos contato.

Que besteira e perda de tempo pensar isso! Quanta felicidade desperdicei por sentir culpa de não fazer parte da cúpula da sociedade que dita regras do que é certo para a vida alheia.

No meu caso, acredito que será difícil eu me ajustar a esta regra esperada. Adoro  manter o meu espírito livre, qualidade típica das pessoas jovens. Também gosto de programas jovens. Tudo bem que a quantidade de baladas diminuiu com o passar dos anos, mas eu compenso minha baixa performance ouvindo música bem alta e curtindo descobrir novidades!

Tendo em vista que meus olhos continuam direcionados pela voz do meu coração, que é livre dos preconceitos da sociedade, periodicamente recorro à minha psicóloga para garantir que continuo firme fazendo escolhas que me levem ao caminho da minha felicidade. Quanto àqueles que se sentirem ofendidos com as minhas escolhas, só me resta dizer: Não me acompanhe na balada!

 

Sex shop? Só na casa da minha avó

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Um dia minha manicure me cutucou: “Por que você não começa a vender produtos de sex shop?”.

No começço achei estranho. Por que eu? Mas depois pensei: Por que não eu? Então digeri melhor aquela ideia por uns dias e achei que poderia ser legal.

Comecei a pesquisar e achei uma empresa super discreta de venda por catálogo, estilo Avon, Natura etc. E o melhor, eu não ficaria naquela de valor mínimo por mês e podia pedir quando quisesse. Então, resolvi arriscar.

O primeiro problema seria a entrega, pois trabalho o dia todo e não fica ninguém em casa. Como receber os produtos? Já sei! Vou mandar para a casa da minha avó, que já é aposentada e passa o dia todo em casa. Aí surgiu o segundo problema. A minha avó é super religiosa e não acharia uma boa ideia a neta dela vender produtos eróticos. Até eu explicar que é um nicho que está crescendo no mercado, que poderia ganhar dinheiro com isso, que é bacana apimentar a relação… ia demorar.

Resolvi então falar que eram maquiagens.

E não é que colou? O correio toca a campainha e ela já me liga: “Fia, acabou de chegar suas maquiagens”. E quando chego para buscar surge o comentário mais engraçado: “Nossa, hoje em dia a mulherada gosta duma maquiagem. E não é que tá dando certo seu negócio?!”.

Minha avó mal imagina o prazer que essas maquiagens têm proporcionado as minhas amigas e às amigas das minhas amigas. Muito mais do que deixá-las bonitas, essas maquiagens tem levantado a autoestima delas, mostrando que podem muito mais do que imaginam.

Se eu uso tudo? Não, é impossível! Hoje este mercado apresenta uma infinidade de produtos que proporcionam prazer às pessoas individualmente ou com um parceiro. Mas as minhas clientes costumam me dar muitos feedbacks em relação aos produtos: como usou, o que deu certo, o que deu errado e assim vamos trocando informações.

O que eu mais vendo? Ah, isso depende muito de quem compra. As recatadas preferem os géis esquenta-esfria pra começar; as novinhas ainda estão no gloss do beijo e nas raspadinhas do amor; as mais experientes estão ousando: ovinho vibratório, ponto G e vibradores. Já o que tem feito a cabeça dos homens (segundo minhas clientes) é o anel vibratório. Enfim, tem para todos os gostos, o que não pode é ter medo de conhecer e, por que não, ousar?

Afinal, homem gosta de princesa na mesa (rs)… Na cama, entre quatro paredes, o que vale é usar a imaginação!!

 

O pornô que eu quero

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Trabalhei 15 horas. Depois do tão esperado banho, só precisava de uma taça de Syrah¹e de uma diversão específica, para garantir que o sono fosse tranquilo: um extenuante orgasmo. Porém, já se foram 60 minutos, não encontro uma cena digna de mim e, infelizmente, meu sono vence o tesão. Boa noite.

O mercado erótico lucra comigo há alguns anos e apesar de realmente acreditar serem bem gastos os meus centavos, também preciso confessar o quanto o cinema ainda me decepciona.

A produção mainstream² representa mulheres plásticas, inertes, irreais. Vende cenas repletas de clichês que não encarnam as nuances e, principalmente, os valores da mulher contemporânea. Pela lente das câmeras, não passamos de um objeto fantasiado, sempre apto à sodomia e receptáculo de sêmen.

Além disso, a pobreza da direção de imagem minimiza o coito a um rotineiro exame
ginecológico. Não há prazer, não há entrega, não há troca. É somente o órgão sexual sendo testado minuciosamente e de forma escancarada, às mais diversas posições, anatomias de objetos e combinações com órgãos sexuais alheios.

Não à toa essas películas despertam nosso desinteresse, pois, apesar da crescente demanda feminina por produtos da indústria, nossa representatividade, no quesito direção e produção, está próxima de 3%.³

Por fim, há mais um ponto a esclarecer: não queremos mais um capítulo da novela das 21h. Quando surge, às vezes, algo propositalmente deslocado das cenas comuns, o play revela um brochante projeto de trepada gospel. Veja bem, o meu lado dama precisa de um pouco de sujeira para manter vívida a messalina que venho desenvolvendo. Ser mulher ainda me faz, apesar do anseio pela ascensão de conceito da produção pornô, desejar que ela preserve os seus subvalores.

Todos esses pontos são também reflexos dos tabus e estigmas do comportamento feminino. Ainda temos vergonha de assumir para nós mesmas os nossos desejos e encará-los como algo natural, assim, eles são tratados e retratados como uma não prioridade.

Essa figura nula, posta de forma ridícula em frente às câmeras, não configura nosso instinto sexual. A indústria pornográfica precisa saber trabalhar sob o ângulo que nós escolhemos reproduzir quando decidimos abrir as pernas e gozar.

 

¹ Syrah – https://pt.wikipedia.org/wiki/Syrah

²Mainstream – http://www.significados.com.br/mainstream/

³Ler mais em:
Pornô Pink
http://revistaglamour.globo.com/Amor-Sexo/noticia/2015/04/porno-pink-conheca-e-se-encante-pela-pornografia-feminista-dja.html