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Pelo meu ego

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Amanheceu.

Leio as mensagens no celular e levanto para enfrentar o espelho. Deseje-me um bom dia, reflexo, sou mais que este corpo flácido a sua frente.O meu glorioso ego está a lhe encarar.

O banho me liberta do sono, mas não da podridão que escondo. Visto minhas roupas, são peças que individualmente valem muito mais que o meu caráter, mas muito menos que o meu poder. E eu realmente posso.

O caminho até a mesa do escritório é todo imponência. A admiração e a inveja alheia fazem meu ego enrijecer e essa sensação de superioridade me excita. Não me dou a caridades nem a compaixões, eu quero ver o próximo de joelhos implorando por ar. Quero a oportunidade de assistir essa agonia, eu não vou lhe deixar viver. E, caso eu mude de ideia, não será à toa, quero que use todo o oxigênio que puder para massagear o meu ego latejante.

Minha posição não é simples. Não quero respeito, isso eu compro, eu quero sangue. Preciso da humilhação para sobreviver. Ora vou mentir. Ora vou confessar. Qualquer coisa que possa reduzi-los a vermes na minha presença. Vai-se o dia. É noite, me dispo, dispo o outro e lhe escarro, nos minutos que me sobram.

Concebo o descanso em meu ninho de trevas. Basta, meu ego já está pronto para recomeçar o próximo dia.

Solteirar não é para covardes

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Covardes são aqueles que mais mentem
Covardes são os que fogem das responsabilidades
Covardes são os que traem os amigos
Covardes são aqueles que roubam as glórias e méritos dos outros

Covardes são aqueles que se fingem de mortos
Covardes são os que adoram depender de outrem
Covardes são os que são verdadeiros medrosos na vida
Covardes são aqueles que duram mais, mas vivem menos.

Amar não é para covardes
Autoestima elevada não é para covardes
Lealdade não é para covardes
Liberdade não é para covardes

Arriscar-se não é para covardes
Ser não é para covardes
Viver não é para covardes
Solteirar não é para covardes

Tire uma boa selfie

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Elas vieram para ficar. Não é apenas mais modismo. As selfies estão em toda parte. Na
balada, nos encontros com amigos, em família ou em casa sozinha. Podemos resumi-la numa forma sempre divertida de registrar bons momentos.

Mas ainda que sempre na diversão, ninguém quer sair mal numa selfie, não é mesmo? Então aí vão algumas dicas fáceis e simples para sua próxima arte em selfie.

 

1. Siga o conceito real de selfie

O termo vem da língua inglesa e significa de “si mesmo”. Mas não pense que seja somente foto do seu rosto. Pode ser de qualquer outra parte de seu corpo. Seus pés na beira da piscina, sua tatuagem nova, etc.

 

2. Seu rosto não pode ser o centro de tudo

Seu rosto deve ser um bom complemento para o restante da paisagem. Assim, a dica é deixá-lo em um dos cantos superiores da foto. Desta forma, não ficamos com aquele rosto gordo ou com cara de bolacha.

 

3. Com as duas mãos

Ao tirar a foto, segurar a câmera ou celular com as duas mãos lhe dará mais firmeza e
equilíbrio. Não há problema aparecer alguma parte do braço na foto. Pois feio é quando tentamos tirar a foto com apenas uma das mãos e nos esticamos todas, saindo tortas na imagem.

 

4. Use ferramentas de edição

Temos costume de achar que selfie, por ser mais espontânea, não requer ajustes. Há várias ferramentas de edição. Use-as! Uma boa selfie não surge apenas no momento do disparo.

 

5. Câmera ao alto

Uma boa ajuda na hora de tirar uma selfie é posicionar a câmera do seu smartphone por cima da sua cabeça. Isso melhora o ângulo de seu rosto e proporciona também oportunidade para que outros objetos ou boa parte da paisagem em que você está apareça na foto.

 

6. Tenha na foto alguém mais feio do que você

Pode parecer um tanto quanto egoísta, mas segundo os especialistas, se estivermos perto de alguém mais feio do que nós, vamos sempre parecer mais bonitos do que realmente somos. Digamos que o nossa amiga ou amigo feio torna-nos mais bonitos. Por isso, na hora de tirar uma selfie, considere essa dica.

 

7. O momento certo!!

A dica mais importante e portanto o maior segredo para uma boa selfie, é o timing com
que ela é tirada. Uma foto tirada num evento importante no momento certo com uma
qualidade mediana, pode ter um grande impacto. Por outro lado, uma boa selfie num momento comum, pode vir a não gerar grande resultado. Vira banalidade, exibicionismo e não espontaneidade. A foto no início desse texto é um claro exemplo disso: não é a melhor foto, tem partes desfocadas, mas a espontaneidade e o momento foram o sucesso.

 

Sim à minha LIBERDADE e não ao egoísmo da humanidade

 

Quero a minha liberdade, por isso respeito meus sentimentos, meus valores, minhas paixões. E para viver livre, procuro respeitar o espaço do outro.

Parece uma atitude tão simples respeitar o outro, mas a cada dia que passa me deparo esbarrando com o ego alheio. Vocês devem estar me achando metafórica, mas a verdade é que o ego inflado provoca fenômenos reais. Vejam alguns exemplos:

1 – Eu tenho o hábito de parar para o pedestre que se encontra corretamente na faixa de pedestres.
Reação 1 – Fenômeno sonoro I: o louco que está atrás de mim estoura a buzina como se eu estivesse na contramão. O que eu fiz foi só respeitar as regras de trânsito.
Reação 2 – Fenômeno sonoro II: o “desligado” que está atrás de mim e que nunca enxergou a faixa quase bate na traseira do meu carro e, na sequência, coloca a cabeça para fora gritando palavrões.

2 – Vejo um idoso tentando pegar um táxi. Logo vou até a rua parar uma unidade
e ajudo a pessoa, que normalmente tem dificuldade para andar ao entrar no táxi.
Reação única – Fenômeno sonoro III: a doida que precisa parar e me esperar talvez uns 3 minutos, me xinga porque estou atrapalhando o trânsito.

3 – Sou agredida verbalmente em uma reunião de trabalho onde um(a) colega diz que estou com o procedimento errado. Ao retornar ao meu posto, resgato o e-mail informativo onde não consta a informação. Volto ao colega pedindo detalhamento do passo a passo, já que ELE (A) não tinha me dado a informação completa.
Resposta do(a) colega: “O projeto está em piloto e ajustes estão ocorrendo.” Logo, ele não se esqueceu de me avisar.
Observação para garantir o entendimento: ELE (A) pode se esquecer de me enviar a informação. Eu é que devo consultar os astros para saber das alterações do projeto. Seria tão mais simples dizer: “Juliette, me desculpe, achei que já lhe havia informado. Seguem as informações e siga com o novo procedimento”.

Vou parar nos três exemplos acima, porque a lista de atitudes mal educadas é enorme e o texto ficará muito chato! E aí você pergunta: “ E o assunto é chato, por que falar disso em um blog tão legal?”
Eu lhe respondo: “Quero um mundo melhor e aqui é um espaço onde a minha liberdade de expressão é totalmente respeitada.”

O difícil é ver que alguns seguem acelerando para pedestres, buzinando para idosos preocupados exclusivamente com o seu próprio espaço e EGO e, ao mesmo tempo, reclamam da política, dos serviços e talvez deem um “jeitinho” de reaver sua carta de motorista apreendida por excesso de multa. Ou então estão lá no café, falando mal do colega de trabalho que queria a informação correta para atender bem o cliente. Talvez este tipo de pessoa seja um usuário frequente dos call centers querendo soluções diferenciadas, mesmo que ele mesmo não seja capaz de respeitar o próximo e trabalhar em equipe.

Enfim, este desabafo chato é um pedido pela liberdade, porque a educação, o respeito ao próximo e o bom caráter são a base para uma sociedade de fato LIVRE e próspera.

 

Tinha um dente no meio do caminho

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Não me lembro muito bem quando comecei a curtir a adrenalina, mas lembro-me quando os primeiros dentes de leite começaram a cair.

Fiquei empolgadíssima por imaginar que isso seria um presságio de estar crescida e ser “dona do próprio nariz”, aspiração bem comum à criançada. Mal sabem as pobrezinhas iludidas que os minguados anos de infância sonhando com a tão almejada independência acabam logo substituídos por décadas de lamento pela irrecuperável juventude.

Eu própria, com meus 30 e lá vai pedra, até pouco tempo atrás não tinha ainda passado pelo dilema de chorar pela fatídica passagem do tempo. Vivia alegremente o doce “transe da invencibilidade juvenil”.

É engraçado… O medo de morrer parece nunca ter me traumatizado o suficiente. Devo até ter, mas como ele é imediatamente substituído pela empolgação das viagens loucas (em 2 pernas ou em 2 rodas), dos saltos na imensidão, dos mergulhos profundos, das ondas e tudo o mais, talvez acabe me esquecendo que ele existe.

E mais: utilizo toda a dose de prudência para sobreviver aos esportes radicais. Cautela no curto prazo é o meu forte. Afinal, depois de tanto arriscar, continuo viva e escrevendo estas linhas, não é mesmo? Evidentemente não me livrei por completo de pequenas falhas aqui e ali: os mais atentos até descobrem cicatrizes entre as tattoos e os agentes dos aeroportos detectam os pinos de titânio no meu tornozelo… Contudo, quando a vigilância é requerida em um horizonte de tempo mais amplo, dela mais nada resta a aproveitar…

Ir aos médicos e ao dentista? Até vou, mas esqueça o “regularmente”.

E foi justamente um dente FDP que sinalizou a decrepitude batendo forte à minha porta… Ou melhor: dando um soco na minha cara e ganhando por nocaute!

Enfim, um dente sinistro assassinou meu sonho de juventude.

E como foi isso?

Bem, a trágica iniciação à terceira idade aconteceu justamente em um evento neste inverno, quando juntei os trocados para esquiar na Argentina. Adoro esquiar… Nada como acelerar deslizando pela neve!

Afoita por mais um frenesi adrenalínico, preparei minhas coisas e fui… Poucos dias antes de viajar, meu dente havia começado a ficar “sensível”. Não dei importância ao fato, claro… Nunca tive sensibilidade nos dentes ou por coisa nenhuma e, como toda troglodita, não me preocupei com uma “besteira dessas”!

No dia que cheguei à estação de esqui, meu deslumbramento com a paisagem de cair o queixo deu lugar a uma aflição lancinante, que irradiava pelos ossos da face e fazia tudo em volta do molar agonizante doer pra CARALHO!!! PQP!!!

Descansar encostando o rosto no travesseiro? Só se quisesse simular a sensação de enfiar minha cabeça numa prensa torturadora de crânios! Mesmo assim, minha teimosia praticamente hipnotizou-me para que eu colocasse os esquis e ainda fizesse bonito nas pistas… Assim, vesti todo o equipamento, deixando os óculos para o final… Quando chegou a vez deles, não apenas vi estrelas, mas testemunhei o verdadeiro “Big Bang”!

Incrivelmente, suportei com bravura e segui em frente! Mas foi neste ponto que as alucinações começaram: imaginava pistas onde não existiam e o tombo cinematográfico foi inevitável!!!! Saí toda torta e com dores em vários lugares, mas a dita cuja dor de dente não dava trégua. Por fim, desisti de tentar esquiar. Mas quem disse que os delírios passaram? Que nada! Eu chamava os bonecos de neve pelo caminho de “doutores” e chegava até a perguntar para eles – em “portunhol” – se tinham horário para uma consulta de emergência.

Dor de dente e ainda sem aproveitar a viagem? Bem, se você acha que o “péssimo” não pode piorar, enganou-se: as alucinações subitamente deram lugar à consciência de que esse episódio era um sinal desastroso da assombrosa, traiçoeira e implacável caduquice.

Um dente abusado de repente transformou meus anos em séculos e trouxe a sabedoria cataclísmica de que, um dia desses, minhas aventuras poderiam terminar antes do meu próprio fim. Tudo bem abandonar este mundo exercendo meu direito de radicalizar geral, mas abandonar as peripécias antes de partir desta para uma pior? Desastre!!!

Pela primeira vez na vida tive vontade de voltar à infância. Afinal, entre a queda dos “dentes de leite” e o início do tratamento dos “dentes de leito”, há pouco tempo de diversão. Muito pouco tempo…

E se comecei a lamentar a senilidade inexorável antes de chegar aos 40, imagine em algumas décadas, dentaduras e órgãos degenerados depois… E com a própria data de validade aproximando-se perigosamente…

Assim, que o Dia das Crianças seja feliz – e eterno – enquanto dure!!!

Sonho de criança

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Olhava quem sempre passasse

Ouvia o tom das cores

Decifrava as vozes

Descobria as flores

 

Espiava da janela

Entendendo o movimento

Sorria com a aquarela

Que as flores formam ao vento

 

Ouvia todos os sons

Espiava toda a gente

Decorava todos os tons

Sorria por estar contente

 

Cantava a música do dia

Corria ao contrário do vento

A todos dava bom dia

Mas falava em pensamento

 

Dançava com seu ursinho

Usava vestido de flores

Andava bem de mansinho

Pintava sem usar cores

 

Provocava todos por perto

Gritava por atenção

Tinha tudo como incerto

Odiava ouvir um “não”

 

Fazia som na cozinha

Dançava qualquer balela

Não queria ficar sozinha

Tinha todos ao redor dela

 

Brincava no gira gira

Como se tivesse idade

Sonhava que era criança

E esse sonho era verdade