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Hora da Simplicidade

Estamos todos aprendendo a usar água adequadamente. Ela será daqui para frente artigo de luxo. E isto no planeta todo. Não há como fugir: tomar banho, lavar louça, o que fazer com a água da roupa, como utilizar até a chuva que cai…

Muito bem. O problema é que com a crise econômica teremos de nos adequar a vários outros itens. Fugindo de comiserações, pessimismos e de orientações babacas, teremos de usar nossa racionalidade e criatividade para vivermos com menos complicações.

Dinheiro em baixa, até desemprego, inflação, crise mundial, desonestidade em todos os setores fará com que aprendamos a viver com mais simplicidade e atenção. E pelos prognósticos, isto levará um bom tempo. Anos talvez.

Assim, algumas ideias vão fazer você ter outras, melhores e mais acessíveis:

  • Encontro com os amigos para um baralho. Lembram-se do velho truco no Ensino Médio? E o chato buraco, o oito maluco, a mexidinha e todos os outros que se pode ressuscitar.
  • Sabe aquele prato que alguém faz tão bem? É só fazer a lista da turma e passar um dia animado. Tudo compartilhado. Ah! Até aprender a cozinhar para as talentosas enrustidas…
  • Um filme divino, com muita pipoca e guaraná, vai mudar um final de semana que seria bem maçante. É só chamar as primas que há tempos não se veem.
  • Fazer uma horta ou jardim, mesmo que seja em vasos, pode ser interessante e ajuda a espantar fantasmas…
  • Que tal escolher uma bela cor e repintar o quarto ou mesmo a sala? Para ampliar e enriquecer a experiência dos tais cadernos de pintura, que são outra opção.
  • Aprender a fazer tricô, crochê ou bordado é algo inusitado para nossa época e nos faz fugir um pouco das telinhas. E que se diga de passagem, nelas há coisas bem emocionantes…
  • Outra opção é trocar roupas e sapatos com conhecidas de bom gosto, quando a corda apertar muito o pescoço. Hahaha!
  • Intensificar ou começar a caminhar em ambientes abertos ou formar turmas para a bike.Se for possível fazer musculação para melhorar aquela “área” mais caída (rsrsrs).

São tantas as possibilidades.

Você pode nos mandar mais dicas para compartilhar com todas e, no momento preciso, já estarmos com as cartas na manga seria ótimo.

Refletir nas coisas que são de fato essenciais para nossa vida, compartilhar mais, separar o que é supérfluo do que se ama de fato e tornar-se um pouquinho mais sábia. Perfeito.

Só não vale deixar de fazer parte do Solteirar, parar de ler, mesmo que seja livro emprestado, nunca ficar deprimida ou ansiada, mas cada vez mais preparada e firme para o que der e vier. O foco é você. O resto é acessório dispensável.

Um grande abraço a todas!

 

Cerveja: um universo muito além de peitos e bundas

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Convidado: Roberto G. Aranha

Foi-se o tempo em que tomar uma gelada com os amigos era (só) sinônimo de um bando de homens (casados, solteiros e alguns mal resolvidos) entornando pilsners pavorosas, umas piores que as outras – e todas cheias de milho, em um boteco, cheio de palitos de dente no canto da boca, copos com cheiro de pano sujo e debates em loop eterno sobre desempenho futebolístico.

Na verdade, esse cenário não mudou só por conta das cervejas, que (glória ao deus lúpulo) se ampliaram em tipos e rótulos, mas também pela transferência das mulheres dos cartazes de péssimas cervejas para as mesas de bar.

O mercado de cervejas “especiais” (um universo que engloba importadas e artesanais majoritariamente) – mesmo com todos os empecilhos tributários – vem conquistando cada vez mais adeptos, muitos deles mulheres. E, para desespero de alguns machões de plantão, elas não são poucas e não são fracas. Como disse Sérgio Soares do blog Lupulentos, elas estão dando um show de bola em muito marmanjo que tenta vomitar regra. Muitas delas com um repertório extenso e de deixar muito mestre cervejeiro no chinelo.

É o caso de Lisa Torrano, que gerencia um dos maiores grupos de cervejeiros artesanais e apreciadores no Facebook – que também é um site e virou recentemente um vlog – o Cerveja Artesanal São Paulo. Além de fazer sua própria cerveja, ela organiza eventos junto com seu parceiro, divulgando marcas que vêm tentando se despontar nesse ainda humilde, mas promissor, mercado brasileiro.

Ela não está só, nem no Brasil, nem no mundo. Quem vai à Meca da cerveja artesanal dos EUA – Portland – em busca de novos sabores dificilmente ficará sem conhecer o Brewvana, uma empreitada da divertidíssima Ashley Salvitti, que leva turistas em diversos passeios para conhecer as mais de 30 cervejarias da cidade, entre elas Upright, Deschutes e a lendária Rogue. Lógico, tudo acompanhado de muita degustação e um vasto repertório de conhecimento sobre o assunto.

Das noitadas mais extravagantes, às mesas de confrarias, até degustando em casa sem ninguém para torrar sua paciência, tomar cervejas artesanais nacionais ou importadas, apesar de ainda ser um privilégio monetário (afinal, quem se aventura, gasta entre 10 a 35 reais a garrafa, em média – nada suave para quem quer beber até passar mal), tem ganhado adeptos dos mais variados gêneros.

Das ultra aromáticas IPAs às achocolatadas Stouts, o negócio é sair da caixinha. Afinal, debater qual a melhor entre a cerveja do NA-NA-NA ou aquela redonda, hoje em dia equivale a discutir o que é melhor: tomar um soco no queixo ou um no olho. Sai fora! Vá Solteirar!

Imagem: Agradecimentos a Lupulento/ Folha de São Paulo (2014).

 

Desrespeito: a pior deficiência

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Quantas vezes você ao menos recebeu, além de possivelmente ter compartilhado, memes de Nestor Cerveró¹ pelas redes sociais? O progresso da operação Lava Jato² tornou sua imagem popular e a deformação que possui nos olhos – provavelmente em razão de uma doença chamada ptose³ – virou tema de ácidos comentários. Cerveró, diretor da área Internacional da Petrobrás, foi condenado a 12 anos de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, sem meias voltas, ele é um bandido de colarinho branco.

A minha dúvida consiste em: este fato nos qualifica a zombar de sua doença – ou você acha que não existem outras pessoas que sofrem da mesma patologia?

Não apenas essa situação me intriga. Outro dia, a revista Época publicou um artigo (que logo saiu do ar) sobre a falta de erotismo da nossa presidente. Intitulado como Dilma e o Sexo4, esse amontoado de lixo possuía trechos como:

“Não a conheço pessoalmente, nem sei de ninguém que a viu nua, mas é bem provável que sua sexualidade tenha sido subtraída há pelo menos uma década”; 
“Será que Dilma devaneia, sente falta de alguém para preencher a solidão que o poder provoca em noites insones?”; 
“Dilma usa um uniforme que nubla sua sexualidade (…), tornou-a uma mulher assexuada”.

Esse tipo de afronta é a parte gourmet do posicionamento geral, a história dos adesivos na entrada do tanque de combustível dos carros e os comentários cotidianos de “falta um homem pra esta incompetente”, são muito mais agressivos.

Mas, por que a ineficiência profissional de alguém nos faz permissivos diante de uma amostra de discriminação – ou você já viu coisas do tipo sobre qualquer um dos homens do planalto?

Tornou-se uma regra atrelar mensagens de intolerância a uma situação cômica e fingir que não há violência. Perceba, não existe preconceito direcionado. Se você acredita que deficiência física é motivo de chacota quando possui um alvo específico, então acredita que assim o é em todas as direções, só que, em silêncio. Divergências políticas, econômicas e sociais se dão por seus próprios cenários, usá-las como justificativa para ataques pessoais só retroalimenta a cultura de desacato em que vivemos.

Não podemos ser condescendentes à agressão, mesmo quando aplicada a entes não queridos, ser relativista neste aspecto nos faz viver sob a espera de algo que nos dê jurisprudência para o próximo ataque. O meu diagnóstico aos que se apropriam desta débil estratégia é que carregam a pior das deficiências – o prazer pelo desrespeito.

 

 

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¹Nestor Cerveró – Nestor Cuñat Cerveró, mais conhecido como Nestor Cerveró (ca. 1950), é um economista e exerceu vários cargos de direção na Petrobras entre 1975 e 2014.
Ver mais em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Nestor_Cerver%C3%B3

²Operação Lava Jato – A Operação Lava Jato é a maior investigação sobre corrupção conduzida até hoje no Brasil. Ela começou investigando uma rede de doleiros que atuavam em vários Estados e descobriu a existência de um vasto esquema de corrupção na Petrobras.
Ver mais em: http://arte.folha.uol.com.br/poder/operacao-lava-jato/

³Ptose palpebral – é a queda da pálpebra superior, podendo ser de origem congênita ou adquirida. O normal é que a pálpebra superior cubra apenas de 1 a 2 mm da porção superior da córnea. A queda ouptose da pálpebra, além do comprometimento estético, pode diminuir o campo de visão.
Ver mais em: http://www.saudeocular.com.br/ptose-palpebral/

4Dilma e o Sexo (Época, 20/08/2015) – o texto foi retirado do ar, mas pode ser lido através deste link: http://naofo.de/6quf

 

Conheça Cazuza

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Em julho, fez 25 anos que Cazuza partiu. Muitas leitoras do Solteirar nem sequer haviam nascido em 1990, quando ele se foi, vítima de complicações de saúde decorrentes da AIDS. Ainda que de uma geração passada, vale conhecer um pouco mais sobre a obra desse revolucionário do rock nacional.

Cazuza não era um exímio intérprete. Ao contrário. Tinha uma voz baixa e língua presa. Seu talento e legado para a música brasileira vinha da criatividade e sensibilidade de suas letras e melodias. Era literalmente um EXAGERADO e necessário para a década de 80 e 90, que se mostrou tão pobre de poetas.

Talvez somente ele e Renato Russo foram os únicos poetas daquela geração. Depois da era bossa nova de Tom e Vinicius e da era tropicalista de Caetano e Gil, foi através deles que o Brasil viu e ouviu criatividade aliada à crítica política, sensibilidade e inteligência na música brasileira.

Cazuza, como parte da geração rock-pop daquela época, foi um dos únicos que conseguiu, com todo seu viver intenso, transitar muito bem entre um rock crítico e popularesco e um romantismo melancólico e profundo.

Músicas como “Codinome beija-flor”, “Faz parte do meu show” e “O nosso amor a gente inventa” denotam a mais profunda sensibilidade, criatividade e plasticidade com as palavras, tocando profundamente nossos corações.

Já “O tempo não para”, “Burguesia” e “Brasil” mostram toda sua inteligência política e crítica ácida de um país que na época, tentava se encontrar política e economicamente após a ditadura militar. Aliás, essas canções são sempre atuais.

O poeta Cazuza era sábio em brincar com as palavras. Mesmo as gerações mais novas, que naquela época encontravam-se nas fraldas, poderão agora desfrutar um pouco da obra do poeta através das celebrações de 25 anos de sua partida e dos 30 anos de seu primeiro disco solo.

Para conhecê-lo um pouco mais:

Vídeos:
http://youtu.be/NSxPlhN8fGY

http://youtu.be/nwoVI6qFr6w

Livros:
– Só as mães são felizes
– Preciso dizer que te amo

Filme:
– Cazuza, o tempo não para.

 

 

Precisa-se de mudanças

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Eu particularmente tenho uma necessidade especial de mudanças. Mudar o corte ou a cor do cabelo, o peso, o estilo de roupas, a banda favorita, os lugares que frequento e por mais estranho que pareça, às vezes, até de personalidade.

Acho que é esse mudar que me mantém interessada pela vida. O ser diferente me faz querer fazer diferente também, como se minha vida fosse dividida não em fases contínuas, mas sim, com inícios e fins, onde o fim claramente seria marcado pelo “chega, cansei disso, hora de trocar de avatar” ou por um simples “fim de fase, missão cumprida”.

Não é uma falta de personalidade, pois para mim chega a ser excesso! Ter personalidade é não se prender a padrões, não seguir o óbvio ou aquilo que esperam de você. Vamos ser sinceros, tem algo mais chato do que ser previsível?

 

Vida brava

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Nem sempre quero
levantar, lutar, labutar,
sorrir, sacudir, seduzir,
auxiliar, abraçar, aguentar…

Mas sempre
confiar, conciliar, captar,
alcançar, afagar, agregar,
vencer-me, bastar-me, alegrar-me.

Sonho, imaginação, devaneios e até mentiras…
Contra realidade: lida, dramas e até verdades…
O conflituoso ser em mão dupla embutido,
Que luta para fartar-se e equilibrar-se.