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Os cupidos da minha vida

 

Engraçado o poder que a frase “estou solteira” surte em uma mesa de bar. De repente surgem milhões de cupidos desesperados querendo cumprir a missão de lhe arrumar um grande amor ou simplesmente um outro alguém.

Encontro de amigas em um domingo comum.

Amiga 1 – Meninas, terminei com o Ricardo, não dava mais certo, 2 anos jogados no lixo.

Amiga 2 – Nossa amiga, que triste! Mas não fica assim, tenho um amigo ideal para te apresentar, super bom moço, vocês vão se dar muito bem, eu tenho certeza!

Amiga 1 – Acho que vou passar, estou precisando curtir um pouco mais a vida, sabe?

Amiga 2 – Oba! Vamos curtir e já chamamos o Leo para sair com a gente, ele não quer nada com nada, mas é um gato, isso sim é aproveitar a vida. Mas tenho o Cris, o Jonas, o …

Amiga 1 – Meu Deus! De onde saiu tanto amigo?

Sempre que saio com “elas”, imagino aquelas revendedoras de cosméticos que logo tiram da bolsa o catálogo (também conhecido como Facebook) e destampam a contar todos os defeitos e qualidades do “produto” da vez. Confesso que já caí em algumas compras às cegas, mas tenho experiências não muito boas que prefiro dividir com vocês em outra ocasião (aguardem).

Mas não são só amigas que estão no plano “desencalhamento” do mundo. Temos as tias, os tios, primos, amiga da prima, filho da vizinha, a vizinha, a concunhada da tia-avó do dono da padaria da esquina e nem estou contando sua mãe porque ela já virou “café-com-leite”. Ufa!

Posso ficar solteira, por favor?

 

As piores cantadas para uma solteira

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O brilhante texto da nossa genial caçula Lana “Relacionamentos: um exercício de paciência” instigou-me a confrontar algumas visões antropológicas e sociológicas e a concluir que a arte da “caçada sexual” ainda não se adaptou aos novos tempos.

Mas, antes de um provável mal entendido, insisto em esclarecer que este não é, nem de longe, um tratado autovangloriante de minhas habilidades de sedução disfarçado de um texto engraçadinho. Não tenho tal pretensão.

Até porque uso e abuso da minha total deficiência como “fêmea procriadora”: não sou sexy, nem cheia de curvas ou qualquer coisa próxima de “feminina”. Ninguém com 1,83m de massa disforme ornamentada com tattoos do pescoço ao dedão do pé poderia presumir que não intimida os mais sensíveis machos da espécie.

Os poucos que se empolgam em “domar” esta tresloucada que lhes escreve (curiosa e lamentavelmente “domar” é um termo que utilizam) normalmente o fazem por ter um gosto excêntrico e por se interessar pelo único atributo de sedução remanescente a esta altura da minha decrepitude: sou indisponível, na fronteira do inatingível.

Raramente passo meu telefone ou meu nome verdadeiro (e notem que “Spagofreda” é ótimo para afastar eventuais “moscas na sopa”). Na maioria das vezes, saio como um raio após o coito: nada de carinhos pós-êxtase (aliás, se você realmente atingiu o clímax, qualquer coisa depois disso irrita…). Ou, então, caio fora antes de correr o risco desagradável de não dormir sozinha. Entrar em contato depois? Pra quê? Que as boas transas sejam presságios das melhores que ainda estão por vir…

E é realmente incrível como os homens em geral ficam alucinados quando ignorados. Pura carência, pobrezinhos…

Mas voltemos ao foco do dia: as cantadas da homarada estariam totalmente desalinhadas das expectativas da mulherada? Acompanhem os indícios…

Todas nós já ouvimos a famosa “você faz com que eu queira ser uma pessoa melhor”.
Bem, os imbecis que utilizam essa isca não só erram o alvo das solteiras convictas como erram qualquer alvo. Só um lerdaço completo acreditaria que uma pulsão desejante ou um amor romântico transformaria os reles humanos energúmenos em seres em quem se pode confiar. Ou, então, se existisse esse “poder dignificador do amor”, quem poderia afirmar que ele extrapolaria o tempo de dissimulação necessário para fisgar a atenção do alvo pretendido?
Não é de surpreender que o mundo não tenha se beneficiado muito dele…

Já outros palermas faraônicos tentam ludibriar seus alvos (até os que acabam de conhecer) com a famosa “faço tudo por uma paixão” ou a trágica “não vivo sem você”…
Ora, se um lunático utiliza esse tipo de argumentação, é elementar que: nunca se interessou por alguém antes (e, portanto, é um poço de inexperiência), é um psicopata obsessivo e a escolheu como vítima, nunca lutou de fato por uma mulher (ou seja, é um mentiroso de quinta categoria) ou é um pobre coitado desprovido dos atributos básicos para o exercício da luxúria.
Nesta situação, além de escancarar também sua tosca capacidade de persuasão, esse discurso é um verdadeiro repelente contra as amantes da liberdade. Afinal, fazemos qualquer negócio para nos livrar de homens pegajosos.

É bem comum também o papinho “como você se parece comigo”…
Pobres miseráveis os que utilizam tal artifício na caçada… Nada mais brochante do que a falta de novidade e mistério! Nessa situação, a solteira sempre se perguntará por que ela não se divertiu sem sair de casa…

Já os que tentam fisgar as mulheres que sonham com um bom pai para seus filhos (e imaginam que todas têm tal pretensão) não raramente utilizam discursos como: “Noossa, você seria uma mãe espetacular!” e “Como adoro cães/ bebês/ passarinhos…” Essa linha de cantada causa efeitos nefastos: taquicardia, vômitos ininterruptos e até reações violentas involuntárias. Cuidado para não ser processada por danos morais ou agressão física! Até eu – que visivelmente não tenho nenhum resquício de instinto maternal – já fui vítima desse tipo de cretinismo.

Porém, as mais intragáveis cantadas fazem parte da categoria “acho que a conheço de algum lugar”, “você é a tampa da minha panela”, ou, para os pseudocultos, “você é a mítica metade de andrógeno que me faltava”…
Bem, nesses casos, além de acusar a solteira de mentirosa (como se ela encenasse não acreditar no “amor eterno”), nada poderia ser mais bizarro do que tentar convencê-la que o galanteador realmente acredita na “compatibilidade exclusiva” entre dois amantes num mundo abarrotado por bilhões de possibilidades. Monogamia? Difícil de encontrar até entre os pássaros… A multiplicação de genes demanda fertilidade e diversidade. Permanência? Tudo neste universo está apodrecendo… Só os ignorantes acreditam no contrário.

Ademais, as solteiras de corpo e alma já foram conquistadas por sua liberdade. Não há espaço para outra paixão romântica. Apenas para aventuras rápidas e sem compromisso, sendo que na maioria das vezes elas preferem partir para o ataque. Os que precocemente despejam discursos prontos estão perdendo ótimas oportunidades. Estariam num futuro nem tão distante em risco de extinção?

Bem, o fato é: se não se adaptarem rapidamente, correrão o risco de testemunhar a mulherada acionar seu lado “bissexual” latente para se beneficiar de mais autenticidade e menos irritações. E tudo isso pelo mesmo prazer.

 

Ilustração: agradecimentos a willtirando.com.br.

Solteirar: a minha descoberta

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Completo 40 anos de idade daqui alguns meses. Todos os anos, momentos antes do badalar da meia-noite, faço meu balanço de descobertas, aprendizados, erros, acertos e tudo mais que couber na minha pausa reflexiva. Este ano não vou aguardar os doze meses da minha última primavera. Abri uma exceção para observar meus passos junto com o Solteirar, que completa seu primeiro ano neste mês de agosto.

O Solteirar surgiu como uma brincadeira. A idealizadora, ao nos confessar suas divagações, parecia descrever uma mesa de bar rodeada de mulheres contanto suas cômicas, trágicas e alcoólicas histórias sobre ser solteira. Mas, ao ser desafiada a colocar no “papel” todos esses anos de experiência, tive receio de revolver o passado, de questionar o presente e de sentir a insegurança do futuro.

Não sei se disse sim ou se apenas silenciei. Talvez a própria inércia das minhas emoções me guiaram para a resposta, não me recordo.

Para o balanço deste ano, escolhi um momento especial para me inspirar. Por volta dos 22 anos decidi encarar minha acrofobia¹ e descer um tobogã de uns bons metros de altura num parque aquático. Não preciso dar detalhes da sensação de arrependimento que me consumia enquanto a fila ia diminuindo e minha hora era iminente. O fato é que aqueles 10 segundos de queda foram tão incríveis e libertadores que eu só pude agradecer à loucura que me fez superar o desejo de desistir.

Este pedaço de memória representa completamente meu último ano. Nesses últimos 365 dias tive a mesma sensação daquela queda. Entreguei-me às mulheres que buscam a libertação de seus medos e tento traduzir em cada texto a nossa rotina de preparação para o passo que antecede o salto de liberdade.

E não à toa, este ser metódico, quebra seu ritual quadragenário particular de comemoração: nasceu uma nova Glória com a descoberta desse impulso de coragem, o Solteirar.

¹ A acrofobia o mesmo que “larofobia” é o medo irracional de lugares altos.

 

 

Solteira, Casada, Divorciada, Viúva, mas para sempre Solteirar!

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Passei muito tempo me culpando por não ter a vida no modelo que sempre me disseram que era o certo de se viver, casada com filhos. Tamanha era minha inconformidade por estar fora do padrão, que logo avisei as meninas, quando o blog ainda era um sonho: Olha só, eu estaria casada se tivesse rolado, querem mesmo que eu seja blogueira? Após a gargalhada geral, por eu ser solteira por opção deles, me dei conta que eu sou uma expert na vida solteira e que as frustrações por não pertencer ao lugar comum são muito pequenas diante das alegrias que a liberdade me proporciona.

A liberdade de acordar descabelada, com bafo, me coçar e rir da minha cara com os meus erros na culinária não seriam permitidos se eu tivesse o compromisso de viver com um ser barbado do meu lado. Poder ir e vir quando e como eu quiser, são pequenos prazeres tão intensos como uma grande paixão, até porque, esse amor próprio, também me causa um bem estar enorme.

Mas como toda paixão, a vida comigo mesma também tem seus baixos. No momento em que me aparece uma barata, tudo o que eu mais quero é um príncipe que mate a asquerosa famigerada que resolveu invadir o território sagrado do meu reino!

Tenho meus casos amorosos, mas é claro que sinto falta de ter um companheiro. Tem coisas bem bacanas na vida a dois, o problema é que ainda não encontrei o modelo perfeito de relacionamento, e nem achei o cara corajoso o suficiente para se entregar com suas qualidades e defeitos para viver uma vida em parceria, com o objetivo de ser feliz para si mesmo com alguém ao seu lado, sem se preocupar com o que a sociedade tem a dizer.
*Modelo perfeito de relacionamento = entrega e respeito.

Esta tal de sociedade também é bem chata. Me digam, como é possível a humanidade ter criado tantas regras para cuidar da vida do outro, como se viver fosse um grande Big Brother, e não conseguir evitar guerras, mal tratos, violências, etc?

Escolhi e fui escolhida para Solteirar porque acredito que o ser humano não é uma bula de remédio, com uma descrição científica. Tenho certeza que a grande maioria dos padrões da sociedade serve apenas para brincar com a autoestima de quem questiona a realidade hipotética para assumir a sua vida e conseguir ser feliz assim, Livre!

Não importa se você é solteira, casada, viúva, amante, ou qualquer outro título que recebeu algum dia, o que vale nesta vida é ter o espírito livre, respeitando viver e sentir aquilo que a faz feliz, mesmo que seja por um único minuto no seu dia. Isso é Solteirar!

 

 

Divorciada? Por que não solteira aliviada?

Fui ao consultório médico. A recepcionista começou com as perguntas de praxe para fazer a ficha: nome, endereço, data de nascimento, estado civil… estado civil??? Como assim? Que diferença faz o estado civil na consulta médica? Foi a primeira vez que me deparei com essa pergunta após ter me divorciado. Fiquei um tempo paralisada sem saber e, de repente, caí na gargalhada e respondi: aliviada. Sim, estado civil aliviada, me recusava a falar divorciada.

Na minha opinião, se declarar divorciada traz uma carga enorme, desperta uma sensação de fracasso na missão “felizes para sempre”, uma sensação de “não consegui”. Imagino que para as viúvas, a declaração do estado civil traga um sentimento até pior.

Gostaria que pessoas que já tiveram relacionamentos e que não têm mais, não importa o motivo, tivessem a chance de um recomeço. Que pudessem ser chamadas de solteiras. Seria interessante que a lei permitisse isso. Me sentiria mais feliz. Sentiria que tenho chance de recomeçar de novo sem carregar esse estigma.

Pensando nisso criei meu próprio estado civil: solteira aliviada. Uma solução divertida para quando me perguntam meu estado civil. E você, também é a favor de voltar a ser solteira?

 

Sou Solteira sim, e daí?!

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De Juliana Marques (fã do Solteirar)

 

“Você é solteira?? Por quê??” Sinceramente, não acho que existam perguntas mais irritantes do que estas que geralmente costumam aparecer naquele primeiro dia de aula na faculdade, quando todos estão se apresentando, ou então naquela reunião de família, que todas as centenas de tios e primos resolvem fofocar sobre sua vida pessoal.

Eu sou solteira e não tenho nenhuma vergonha em admitir isso, mas sempre tem aquela pessoa que nos deixa desconfortáveis quando o assunto é a solteirice alheia.

Alguns causos que já ocorreram comigo…

Num belo dia, estava eu toda serelepe para minha primeira aula na faculdade. O professor simpático entrou na sala e iniciou aquela mesa redonda para enturmar seus alunos e todos assim se conhecerem melhor. Foi perguntando a cada aluno se eles eram solteiros, casados, divorciados, viúvos, ou simplesmente encalhados sem nenhuma esperança de futuro.

E chega a minha hora. De todos da turma eu era a única que não tinha namorado, e muito menos aquele que almejava tornar-se um.

Dei um sorriso meio sem graça, tentando fugir das perguntas mais indiscretas, mas aquele professor fofoqueiro logo me pergunta:

– Não está namorando?? Que pena! Mas deve ter alguém por aí, né?!

Como você responde a uma pergunta dessas?? Eu tenho a minha variedade de respostas padrão.

A Educada : “Sabe como é, encontrar alguém é difícil nos dias de hoje.”

A Romântica : “Ainda não encontrei minha alma gêmea. Aquele que me fará suspirar a cada segundo e tirará toda a razão de meu ser.”

A Moderninha : “Eu gosto de curtir o momento. Sou um espírito livre e prefiro continuar assim.”

A Drama Queen : “É que ninguém me ama, ninguém me quer”

A Pessimista : “Pressinto que serei a tia velha louca dos gatos!”

A Realista : “Como é possível namorar alguém se a cada 35 homens bonitos, 20 são comprometidos e os outros 15 são gays?”

A Carente : “Eu até quero um namorado para chamar de meu, mas todos os rapazes de quem gosto nunca gostam de mim!”

A Feminista: “Não namoro porque não quero. Todo relacionamento é uma forma do homem impor suas opiniões e ordens a uma mulher que se sente obrigada a viver no mundo machista, pois acredita num falso sentimento que é o amor!”

O engraçado é que mesmo que respondamos de alguma forma aquelas perguntas, alguém sempre olha para você com aquele tom de piedade. Minha situação é passível de pena?!

Não importa como você agirá nessa situação, seja na faculdade ou na reunião de família, eles sempre te tratarão como um ser estranho. Desde quando todos têm que ter um relacionamento íntimo para ser considerado alguém “legal”??

Nas reuniões de família é ainda mais engraçado. Sabe aquela tia velha viúva que teve uns quinze filhos e adora dar pitaco na vida de todo mundo?? Então, ela é a primeira a soltar:

– Ahh tadinha da minha filha! – passa a mão na cabeça – Mas não deixe de acreditar e procurar querida, um dia você vai encontrar alguém. Logo logo aparece aquele homem bonito pra você namorar.

Mas por dentro ela tá dizendo:

– Ahh tadinha da minha filha! – passa a mão na cabeça – Ela é tão incompetente para arrumar marido. Daqui a pouco fica velha, feia e ninguém mais irá querê-la. Desse jeito nem com promessa de Santo Antônio.

Desculpa, mas estou mentindo aqui?? Quem disse que nossas idosas tias viúvas fofoqueiras não pensam assim de nós, combatentes fiéis do time das solteiras?? Pois bem, é exatamente assim que elas falam de nós pelas costas.

Todos acreditam que estamos solteiras por opção. Acho mais provável que é a falta de opção. Minha mãe vive reclamando que passo o tempo na frente do computador, e reclama quando vou nas festas com meus amigos. OK, desse jeito é que não vou arrumar namorado mesmo, né Mãe?!?!

Ela é tão fissurada para eu arrumar alguém que só falta organizar aqueles encontros às cegas para mim. Até me empurrar para meu melhor amigo ela já tentou…. Sofrível, eu sei!!

Desculpem estar divagando muito sobre o assunto solteirice hoje, mas chega um momento que canso das perguntas. Então eu aprendi. Alguém vem e me pergunta se estou solteira e já respondo logo, da minha forma curta e grossa:

– Sou solteira sim, e daí?!