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Protagonista na vida

Para que simplificar se depois de um pé na bunda é muito mais cinematográfico chorar por horas ao som de todas as músicas de fossa que você conhece no universo?

Às vezes, tenho a sensação que eu e muitas outras pessoas ao meu redor fazemos de nossas vidas um filme de drama digno de Oscar e passamos todos os dias de nossas vidas separando as pessoas em mocinhas e vilões.

Mas, afinal, o que é a vida se não o acúmulo de mentiras e verdades que decidimos contar?

Cena 1, claquete 1, ação! E assim começo mais um dia, cheio de aventuras, vinganças, amores, traições e tudo mais que eu quiser colocar. Minhas decisões de personagem são altamente relacionadas ao meu humor, mas normalmente não me contento com o papel de mero figurante e roteiros “mornos” nunca me agradaram. Então quando a calmaria ameaça rondar minha vida, não abro mão de mexer em algum passado mal resolvido só para cair mais uma vez no drama de esperar uma mensagem de resposta ou quem sabe até, em dias de sorte, mais uma cena da mocinha abandonada.

E os vilões da minha vida? Às vezes são tantos e de repente nenhum. Já fui amiga traída, a irmã destratada, a namorada enganada, a filha preterida e muitas vezes injustiçada. É tanta novela mexicana que não tem como não ter dó de mim, não é? Já passei até por alguns clássicos (alguns a la “Sessão da tarde”: “Meu primeiro amor”, “Carrie, A Estranha” – sem fogos e mortes, por favor, “Sexy and the city”, “Esqueceram de mim”…), mas confesso que quando canso de tudo isso, só quero ser a mocinha contentada que voltou para o campo de “Um porto seguro”.

Por que não sair dessa caixinha de músicas que escolhi viver? Por medo. Medo das coisas lá fora serem sérias demais, chatas demais e que, no final, nossas vidas não passem de um grande e completo tédio. Prefiro assim, com toque de mágica, e claro, com o controle do que quero que seja o roteiro de toda essa história.

Por que não casei? Sinceramente não sei!

Sim, acredito no casamento de verdade, naquele onde um homem e uma mulher topam seguir a viagem da vida juntos. Mas a minha trilha sonora sempre esteve, e está, mais para um bom Rock and Roll do que para a marcha nupcial tradicional.

O que isso significa? Não tenho o romantismo do jargão “felizes para sempre” tatuado em minhas crenças e isso pode ter assustado alguns pretendentes interessantes. Também acabei me equivocando em algumas escolhas na busca pelo meu parceiro de viagem, pois, como um belo exemplar da mulher comum, me envolvi com caras pouco preparados para programar uma viagem divertida, assim como me interessei por outros mau caráter mesmo, que atrasaram um pouco a minha viagem.

Logo que as decepções vieram, realmente fiquei muito mal, os sentimentos são vários: rejeição, frustração, tristeza, mas o pior de todos é raiva por ser enganada. Como mulher comum, mas inteligente, simplesmente não aceitei não ter percebido um mau caráter à minha frente. A eles, eu realmente gostaria de mandar a conta da minha terapia, pois as coisas deveriam funcionar como em uma batida de carro: se você errou e danificou a propriedade do outro, deve pagar a franquia. Logo, se arrebentou minha autoestima, que pague a conta do analista!

E o que eu fiz com as decepções? Investi em viver! Afinal, a trombada com o mau caráter quebrou apenas a carcaça, enquanto os meus valores e melhores adjetivos continuaram ali na minha essência. Os roteiros de lugares incríveis a serem visitados continuaram a sorrir e me convidar a conhecê-los, e as (os) minhas (meus) amigas (os) também seguiram do meu lado. Não achem que eu não sofri, algumas vezes fui ao chão, me descabelei, perdi a esperança, mas aos poucos fui voltando para mim mesma, afinal, sempre estive pronta para me fazer feliz.

Por que estou escrevendo isso no mês de maio? Claro que o motivo é exatamente o que você imaginou: o mês de maio coloca na minha agenda ao menos uns dois casamentos, além de celebrar a maternidade das minhas amigas. Sim amiga, sou bem resolvida mas também tenho meus momentos de reflexão a respeito das histórias que não tiveram finais felizes.

Atualmente a família que constituí é formada por mim e pelo meu cachorro. Novamente estou sem namorado, mas permaneço em um relacionamento firme comigo mesma, com ótimas possibilidades de felicidade para o futuro. Meu conto de fadas é simplesmente ser feliz com o que estiver disponível e de fácil acesso na vida real. E para aqueles que me cobrarem viver as “regras da sociedade”, entregarei as minhas contas para pagar, porque o meu príncipe encantado provavelmente terá suas próprias contas, e logo não dará para contar com ele para isso, mas acredito, e quero,  que ele me ofereça disponibilidade para viajar na vida cotidiana valorizando as minhas qualidades, assim como irei valorizar o melhor que ele tiver a oferecer.

 

 

Cerimônia de casamento

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Nunca subi ao altar, nem tenho a pretensão de fazê-lo. Afinal, não tenho perfil para tal compromisso.

Mas vou confessar… Adoro festas de casamento e curto demais ficar observando algumas situações que se repetem em todas as cerimônias.

Os amigos do noivo ficam sacaneando o cara que, a partir desse momento, estará preso ao relacionamento mais sério de sua existência.

Os pais dos noivos, principalmente da noiva, demonstram a sensação de dever cumprido, uma vez que uma nova família será formada a partir deste evento.

As amigas da noiva comemorando o sucesso da mocinha vestida de branco. E as solteiras empolgadas em pegar o buquê para terem a mesma sorte.

Mas o que mais me intriga neste cenário todo, principalmente por não conseguir me enxergar neste papel, é imaginar quais seriam as aspirações da noiva. Quais seriam seus pensamentos? Quais seriam seus sonhos?

Enquanto noiva ou namorada, ela é uma mulher responsável apenas por ela mesma. A partir desta cerimônia ela se tornará esposa, o alicerce do lar. Cairá sobre ela a responsabilidade de fazer o marido feliz, de se relacionar bem com a sogra e todos os familiares, além de administrar a expectativa de quando se tornar mãe.

Mesmo sabendo de todas as responsabilidades que irá abraçar a partir deste evento, a noiva mantém seu sorriso sempre iluminado. Ela é a luz da festa. Afinal, é para ela que todos os olhares se voltam ao início da marcha nupcial.

Cheguei à conclusão que a cerimônia de casamento é um ensaio para a nova etapa de vida, onde os pais permanecerão tranquilos, o marido sempre ouvirá piadinhas de que ele é um homem preso e a esposa sempre deverá sorrir mediante os expectadores de sua vida, independentemente dos problemas cotidianos, pois é assim que deve funcionar uma família perfeita.

Existe o “felizes para sempre”?

Eu sempre quis ser mãe, desde que me conheço por gente. Meu mundo se voltava para minhas bonecas e bonecos, e sempre sonhei em ter meninos. Cresci procurando o príncipe encantado com as melhores características que um homem pode ter para ser o pai perfeito. O garanhão perfeito. Um homem bonito (afinal, quem quer filhos feios?), alto, culto, rico, de família tradicional, bem vestido, porte atlético, boas maneiras, que falasse muitas línguas e fosse viajado. Achei um que era tudo isso. Seria um pai perfeito para uma família perfeita. E por que não casar com um homem desses? Qualquer mulher pira! Ainda mais quando no primeiro jantar “romântico” ele te convida para ir a um restaurante da moda com o último modelo de carro esporte! Que loucura! Tinha ganhado a sorte grande! O marido perfeito, o pai perfeito, o príncipe perfeito, o Mr. Perfeito!

É claro que me casei com o Mr. Perfeito, mesmo tendo o mesmo diploma universitário dele e, diga-se de passagem, ganhando bem mais do que ele na época. Mas isso não importa. O fato era que precisava ter filhos com o Mr. Perfeito. E tive dois filhos com o Mr. Perfeito. Mas cadê a felicidade que sempre me prometiam nos contos de fada? Cadê o “happily ever after”?  Não conseguia encontrar a tal felicidade, o tal “felizes para sempre”.

Aliás, quando a gente chega no sempre?

Desisti deste sonho. Olhava para os três e procurava neles a tal felicidade que me prometeram, mas não encontrava. Só encontrava uma dedicação sem fim, uma doação sem fim, boletos e mais boletos sem fim, e etc e etc, que toda mulher casada conhece. Achar o Mr. Perfeito não me trouxe felicidade, afinal, quem pode viver num conto de fadas? Suspeito que nem o Walt acreditava nisso, né?

Bastar-se

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Longe de serem estas linhas um texto de auto-ajuda. Mas, bastar-se é relevante para qualquer mulher que pretenda manter-se alinhada ao equilíbrio.

Ser generosa, ou decidida, ou delicada, ou durona, ou sexy, ou ter qualquer outro atributo que componha a alma feminina e suas diferentes personalidades, não pode estar desassociado do aprender a ser feliz apesar de tudo.

Os indivíduos, de maneira geral, caminham para um comportamento de autoproteção que os levam a um egoísmo até certo ponto compreensível. Tudo é muito relativo e relacionamentos também.

A mulher está muito mais prática e os homens, na defensiva. Então, em matéria de amor, por qual razão queremos tratamento do século passado? Amores intensos emocionais e/ou físicos não importam em postura masculina à antiga, nem em mulheres que, no final, e já aprendemos que este final ocorrerá, estarão desesperadas, vilipendiadas, sofredoras…

Mudemos a cantoria e estejamos preparadas para tudo. E tudo pode até significar uniões duradouras. As breves ou passageiras uniões são nossas já velhas conhecidas… Não há mais princesas ou príncipes. Nem há bruxas ou sapos. Sejamos práticas e muito mais nós mesmas.

Tirando a adolescente que tem muito a aprender, mas pode mais ainda se tiver o exemplo das mais experientes; nós, as outras, precisamos fugir do estereótipo de coitadas e lutarmos para distanciarmo-nos de fragilidades.

Independências financeira e emocional são passaporte para mulheres mais realizadas e, claro, mais completas. Felicidade total ninguém tem.

Comportamentos mais racionais aplainam caminhos. Temos de aprender que contos de fadas e belas estórias enfeitam e enriquecem nossas vidas, mas não funcionam na prática. Divida-se e muito, sem deixar de bastar-se.

Dica de Livro – A Idade da Razão

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Para você que é fã do Solteirar e, portanto, amante da liberdade, este romance (no original em francês “L’âge de raison”) é um clássico imperdível.

Escrito por JeanPaul Sartre, o filósofo existencialista que afirmava que “O homem está condenado a ser livre” e que teve uma relação com a brilhante filósofa e feminista Simone de Beauvoir, a narrativa aos poucos revela magistralmente os conceitos filosóficos sartreanos.

Para Sartre, a liberdade é o objetivo final da existência humana e com ela ligada visceralmente.

O romance se passa em Paris na década de 30 e narra um momento crítico da vida do professor de filosofia Mathieu: conseguir dinheiro para que sua amante faça um aborto e resolva uma gravidez indesejada.

Também é encantador como Sartre constrói psicologicamente cada personagem da história.

Ah… Este livro é a primeira parte da trilogia de novelas “Os Caminhos da Liberdade” (“Les chemins de la liberte”). Os demais livros desta saga são: “Sursis” (“Le sursis”) e “Com a Morte na Alma” (“La mort dans l’Âme”).

Não perca a oportunidade de entender os conceitos de Sartre – e o que é “ser livre” – através de sua literatura!

Obs: Clique aqui para baixar uma versão gratuita deste clássico.