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38ª Mostra Internacional de Cinema

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Quem ama cinema não pode perder a Mostra Internacional de Cinema que está rolando em São Paulo até o dia 29 de outubro. São 35 salas em 29 espaços espalhados pela capital paulista, exibindo um portfólio de 330 títulos de diversos países e variadas cinematografias.

E pra deixar o evento mais especial, o homenageado deste ano é Pedro Almodóvar!

Confira a programação em: http://38.mostra.org/br/home/

A gente somos inúteis

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Fantasticamente, a minha geração e a seguinte só se ocupam em ganhar dinheiro, comprar casas e carros de luxo. Ter uma alimentação saudável e combater as rugas; além de se conectar às redes sociais e falar besteiras quase o tempo todo. Que lamento!

É uma geração de ocupação besta com o cotidiano. De TV a cabo a angústias com previdência privada e preço do dólar. Da manutenção da “brilhante” espécie através das “melhores” escolas para os filhos (detalhe: importante ter filhos, senão sai do estereótipo de família feliz) à necessidade de ostentações constantes.

Compramos dez vezes mais do que precisamos; comemos dez vezes mais que carecemos e somos dez vezes mais vaidosos que Narciso. Somos uns verdadeiros personagens do Admirável Mundo Novo: pretensos felizes e idiotas.

Símbolos de sucesso e felicidade são: carro do ano, férias na Europa, filhos na escola, ser cristã convicta e cidadã modelo. Burguês padrão.

Ridiculamente por trás dessa riqueza material e sabedoria vazia, somos uns verdadeiros ignorantes. Não sabemos votar, temos memória curta e somos absurdamente egoístas. Inacreditavelmente ainda agimos como imortais e vivemos sob a representatividade do que o mundo quer que sejamos.

Como diz a música. “A gente somos inúteu!”

Átimo

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Sinto esta mulher. O tato. O arrepio. A minha pele.

Prolonga-se o negro nessa cena atemporal.

São sons que coexistem.

São retratos de possibilidades não exaustivas que se tocam, se confundem e se alinham.

Enlaçam-se o real e o seu complemento.

Na utopia do desejo, já sedenta, a flor se abre…

Esvai-se. Transborda. Falece. Renasce.

É o fim, mas os sons coexistem.

O silêncio se faz, ainda que os gritos não cessem.

Não sabemos, mas na verdade estamos surdos.

Castelo dos sonhos?

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No último domingo, precisei voltar a minha cidade natal para votar nas eleições e aproveitei para visitar minha família. Chego na casa da minha irmã e da porta ouço a música do último filme da Disney:

 

“Livre estou, livre estou

Com o sol vou me levantar

Livre estou, livre estou

É tempo de mudar”

 

 Sem nem tempo de entender o que está acontecendo, minhas pernas são abraçadas pela sobrinha mais linda do mundo:

– TITIA EVA! Veja só a tiara que estou usando: sou uma linda princesa!

– Tetê, linda você é de qualquer jeito. E como é esse negócio de princesa?

– Ué, tia. Você sabe! Princesa veste vestido rosa, usa maquiagem, salto alto, coroa, dança com o príncipe no baile…

– Princesa não brinca no parquinho? Princesa não estuda?

– Claro que não! Princesa tem que brincar dentro de casa para não se sujar. Tem que se arrumar muito. Não dá tempo, tia. Princesa é bonita! Olha só minha varinha de princesa, vou te transformar em princesa também.

– Ai, Tetê, eu estou achando esse lance de princesa muito sem graça.  Não dá para fazer nada! Não dá para você me transformar em outra coisa não? Uma guerreira em um belo cavalo…é muito mais legal!

Terezinha sorriu e correu para os meus braços. Enquanto curtia a doçura daquele abraço, pensava em todas as princesas profissionais bem sucedidas, estudantes, atletas e mães que eu conheço. Todas um dia tiveram que sair do mundo cor de rosa e enfrentar a vida: por que insistimos em transformar nossas crianças em princesas indefesas mesmo sabendo que não vivemos em um castelo de sonhos?

Happy Hour! – Cap. 2

Sabe aquele dia enrolado?!…  O cabelo não desenrola por chapinha nenhuma neste mundo, a maquiagem parece que foi feita por duas pessoas diferentes – cada uma, um lado da face – a camisa amassa antes mesmo que eu consiga fechar a porta de casa, o trânsito está insuportável e para fechar de forma brilhante este início de dia incrivelmente nublado, chego atrasada na reunião…

E assim segue o dia em caracóis, com almoço na mesa lendo e-mails que se multiplicam na mesma velocidade que um avião supersônico e o relógio parece ter 120 segundos para cada minuto. Socorro!!!

Mas no meio do caos, de repente, uma luz ilumina a tela do computador e clarins dos céus tocam uma canção que reacende toda a minha esperança. Alguém mais que especial salva o dia marcando um happy hour com a galera perfeita e as confirmações saltam a minha frente trazendo a paixão e ansiedade por uma noite perfeita!

A alegria é interrompida por outra reunião, mas desta vez o relógio acelera e agora os minutos passam a ter 45 segundos!!! Quando finalmente chega às 19h, corro para o banheiro com a nécessaire na mão e o coração a mil de alegria, sonhando com aquele brinde a felicidade!

Aí vem caipirinha, depois cerveja, uns tragos de tequila, muita risada e já começo a fazer novos amigos nas mesas vizinhas, até que meus olhos investigadores encontram caras de sorrisos perfeitos e simpáticos. Logo abro o meu melhor sorriso e vou ao encontro deles.  Um amigo ainda tenta me deter, mas entendo palavras desconexas e sigo firme tropeçando nas cadeiras, mesas e tantos obstáculos… Vejo imagens meio turvas… o riso flui solto…

O papo rola animado com os caras mais gatos do bar e vem aquela certeza que vou me dar bem nesta noite do dia de caracóis.  Neste momento, vem meu amigo gargalhando, sorri para mim ou ri de mim? Não importa… Ele me puxa novamente e insiste com as frases que a minha mente alegrinha de mais um trago de tequila não consegue entender!! Levanto-me para dizer no ouvido dele que estou a fim do carinha de camiseta azul justinha… Com aquela paciência masculina meu amigo me mostra o óbvio para quem estava sóbrio: os gatos são o casal mais fofo do bar! Céus,  dei em cima de um cara que estava acompanhado e eu não tinha a menor chance!!!…

Bora voltar pra mesa, pedir um café, ouvir todas as piadas e ser o assunto das rodinhas animadas do trampo até o próximo happy hour!!!

E se…

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“‘E’ e ‘se’ são palavras que, por si, não apresentam nenhuma ameaça. Mas, se colocadas juntas, lado a lado, elas têm o poder de nos assombrar a vida toda. E se… E se… E se…”.

Cartas para Julieta

 

É engraçado perceber que coisas como encontrar o amor da sua vida se tornaram ameaçadoras em nossas vidas. “E se for este ou aquele?”, “E se for hoje?”, “E se for quando você menos esperar?”… São perguntas corriqueiras que a vida, ou melhor, nosso próprio subconsciente nos faz constantemente. Mas a principal deveria ser: “E se hoje eu não quiser encontrar minha alma gêmea?”.

Ambiente de balada, ao som de um delicioso clássico rock’n’roll… Dentre todas as abordagens da lista “Como seduzir uma mulher”, alguém escolhe, quase que aleatoriamente ou quem sabe após uma breve análise e a identificação de um ser frágil, carente e facilmente “iludível”, a mais conhecida das cantadas: “Prazer, eu sou o amor da sua vida”. Quais as chances de funcionar?

Também tenho dias de fraqueza (lê-se domingos chuvosos e entediantes) de desejar do fundo do coração que no final das contas ele estará lá só esperando pelo nosso casual e inesperado encontro. Mas é claro que o desenrolar do seu tão esperado destino não depende da identificação desse alguém.

A vida é muito mais do que procurar alguém que te procure. Tem dias que quero apenas ir ao mercado sem o prévio olhar no espelho garantindo a aprovação “dele”, varrer a calçada no domingo de manhã sem pentear o cabelo e com um par de olheiras reflexo da beleza do sábado à noite ou, quem sabe até ficar em casa dividindo o dia em capítulos de 45 minutos da série favorita. Ah… E sem o peso do “e se”, por favor.

Este vínculo de dependência chega a ser ridículo. Não espere esse alguém para fazer a viagem dos seus sonhos, para começar a dançar, conhecer aquele restaurante ou ver o quão romântica é a chuva. A fórmula para ser completa e feliz é bem simples: você querer e fim.

E se essa mulher abordada na balada for você, apenas se permita responder: “Desculpe, mas hoje eu não saí para encontrar o amor da minha vida.”