Segunda profissão: stalker

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Chego em casa depois de um dia cansativo e ainda tenho uma missão a cumprir.

Amigo de quem ele é mesmo? Penso sozinha olhando minha lista de pessoas no ͞Facebook. É sempre mais fácil achar em marcações. Pronto, achei. É aqui que tiro minhas conclusões.

Informações básicas indispensáveis: estado civil, idade e formação.

Informações secundárias que rotulam: amigos em comum, gosto musical e filmes.

Ok, em 5 minutos já sei mais de você do que sua mãe.

Próximo passo: garantir que não fui enganada por uma olhadela.

Fotos em que fulano foi marcado, fotos em grupo não costumam enganar.

E lá se vão mais 5 minutos e já tenho seu melhor ângulo: a foto para mostrar para as amigas e a que guardarei para quando quiser desistir de você.

É a novidade que me chama a atenção. Já não sei mais se é você.

De repente me vejo como nos meus 15 anos, descobrindo seu signo (é claro que não me importo/acredito nisso) e ouvindo sua suposta banda favorita para ver o que acho. É só uma forma de dedicar meu tempo a você, ser meio sua, sabe? Não sei, mas é melhor parar.

Logo volto à realidade com uma sensação de ridículo que não tem fim. Soa tão psicopata.

Sempre sei quase tudo sobre eles (esse plural entrega minha insanidade?). Mas são vocês, membros da minha carteira de interesses, que me distraem. Tem você da cidade dos avós tão fofo, você do curso de inglês tão sexy, você do meu prédio tão largado, você do trabalho tão proibido, você que sempre encontro na padoca da esquina tão normal…

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