Será que não sou um robô?

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Minha vida cotidiana está cada vez mais uma eterna rotina. Acordar cedo para o trabalho, academia às segundas, quartas e sextas; mercado ao sábado, levar o cachorro ao petshop pela manhã; segunda e quartas ir à pós-graduação. E, para quem tem filhos, rotinas e deveres ainda maiores.

Procurando dar uma certa ordenação à vida, vou me roteirizando no dia a dia e não dou espaço para o inesperado. Passo a agir como verdadeiro robô e acabo por levar uma vida mais mecânica, repetitiva.

O mesmo trajeto para a casa, os mesmos restaurantes, a mesma pizzaria, os mesmos programas e séries de TV. Até me faz lembrar famosas músicas de antigamente:”Eu nasci assim, eu cresci assim, e sou mesmo assim, Gabriela”. Ou então “A mesma praça, o mesmo banco, as mesmas flores…”

Vida monótona. Repetição, acomodação, alienação, inércia. Estou no piloto automático.

Essa rotina entra numa perigosa automatização das coisas de modo inconsciente e me deixa escapar coisas importantes, como aniversários, atenção aos amigos e parentes, dia de ir ao médico. Também não me permite experimentar o novo, o diferente. Aquele restaurante que abriu recentemente, aquela viagem “bate-volta” no fim de semana ou aquele cara mais velho que conheci na balada.

Eu, um robô?

Estou quase lá. Um robô perdido no espaço e perdido no tempo. E sem saber que o tempo voa….

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Otávia Fernanda
Paulista de 46 anos, estado civil volátil. Ex-executiva que cansou da vida escrava e resolveu ser atriz, escritora e filósofa nas horas vagas. Cursou Engenharia, Direito, Administração e tem MBA, mestrado, doutorado e o diabo a quatro, mas não recomenda a ninguém. Morou 4 anos em Londres, onde foi colunista em jornais e revistas locais. Provocadora e introspectiva, adora questionar o status quo. Escreve um pouco de tudo e pensa tudo sobre pouco.

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