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Não era amor, era apego

Eu era sua o tempo todo e de repente só não sou mais.

É engraçado como uma hora ou outra a gente acaba se acostumando com a ausência.

Logo que você se foi, ou, de forma mais justa, logo que eu deixei você ir, eu só queria que o tempo passasse. Passasse daquele jeito que a gente sabe que uma hora passa e leva consigo todas as crises, a falta, a lembrança… E quando a gente espera, ele sempre enrosca.

Mas passou. E quando passou percebi que não era amor, era apego e tudo bem.

Uma carência estranha que parecia que só você conseguiria preencher, mas não. E cá entre nós, que sorte que não. Não dava mais para esperar você resolver sua vida pra me ajudar a cuidar da minha.

Tá tudo bem de novo.

Vinha dividindo minha rotina com alguém que, como todas minhas amigas diziam, simplesmente não merecia.

É tudo meu de novo, e por mais egoísta que isso pareça, é assim que eu me sinto confortável. Voltei a gostar da minha vida sozinha, de ver filmes sozinha, de cozinhar sozinha e de olhar o céu sem me lembrar de você.

Gosto de estar de volta ao controle, e se ter o controle significa não ter você, ouso dizer que gosto de não ter você por aqui.

Foi bom enquanto durou, mas passou. E se a melhor parte de nós foi você passar, volto a dizer, não era amor, era apego e tudo bem.

Aquela promessa

Existem umas pequenas promessas cotidianas que se encaixam entre uma frase de Vamos marcar!, Qualquer dia combinamos…, Outra hora faremos… e um  Até breve., que ficam perdidas na ausência de data e silenciadas por conflitos de agendas.

Outro dia, fui surpreendida pela notícia de que uma amiga, devido a um tumor no fígado, se encontrava em estado grave no hospital. O susto me fez readequar todo o dia de trabalho e cancelar alguns compromissos para ir visitá-la.

No caminho, me veio à mente não ter realizado nenhuma das dezenas de promessas que fizemos de sair para jogar conversa fora e beber cerveja barata. Não aconteceu nenhuma. Nenhuma! Da nossa última despedida no Skype, de repente, lá estávamos, encarando a refeição hospitalar, quase sem assunto e sobrevivendo a nossa própria presença.

Eu não queria estar ali. Ela também não.

O que eu estava fazendo que nem ao menos a vi adoecer? O que me ocupava tanto que não pude conhecer os seus filhos? Por que não consegui dirigir alguns quilômetros para lhe dar um abraço de aniversário? Quantas relações mais eu alimentava sob o regime dessa filosofia da procrastinação? Meu namoro, minha família, outros amigos? Provavelmente. Senti o arrependimento arder como um tapa na cara.

Não espere que o leito de um hospital lhe cuspa a face, desça para o playground antes que sobre apenas um balanço vazio. Dizem que o amanhã a Deus pertence e talvez o hoje Ele tenha deixado conosco.

Portanto, sabe aquela promessa? Cumpra hoje!

R$ 1000 por uma semana sem celular?

Impressionante como esse bichinho chamado celular – com todos seus apps e funcionalidades – tem transformado a vida da gente.

Outro dia estava em um restaurante. Uma criança de uns 2 anos de idade começou aquela manha, aquele choro que você logo pensa que vai ser longo e sofrido. Mas logo os pais simplesmente tiraram da cartola a “chupeta” desse milênio, e a menina logo se calou.

E minha avó, que acabou de fazer 82 anos e vive grudada no Facebook via celular, postando mensagens de automotivação, piadas e de bate-papo no WhatsApp com as amigas?!  Definitivamente ela não vê mais novela. E após o almoço, aquela cochilada deu lugar aos vídeos e fotos do celular.

Nossa vida, nosso dia a dia está 200% registrado nele: de manhã cedo, põe-se o celular para despertar; no ônibus ou no metrô, mensagens aos amigos e uma boa música. Durante o dia, e-mails do trabalho, mensagens aos amigos, namorados e familiares. Às 15 horas, uma pausa rápida para pagar as contas, fazer transferências bancárias ou quiçá fazer uma comprinha rápida  numa loja lá da China.  No fim da tarde, chama-se um táxi pelo celular ou atualiza-se a cada hora das notícias do Brasil e do mundo. Na volta para casa, avista-se um boa imagem e já se registra  aquele momento. À noite, pede-se uma pizza on-line. E, ao dormir, checa-se o que os amigos fizeram ou falaram de bom.

Foi daí que eu, um pouco mais velhinha, me deparei sobre como essa milagrosa tecnologia nos facilitou a vida ao mesmo tempo que nos tornou um pouco solitários e dependentes. Um dia resolvi desafiar uma amiga super jovem, que com seus 24 anos cresceu nesse mundo “celulótico”. Em 30 minutos que eu estava num almoço com ela, creio que ela conseguiu ficar apenas 5 minutos sem o celular.

“Marina, você topa ficar 1 semana sem celular e eu então lhe pago R$ 1.000 ?”

“Nem pensar!”

Ciúme, o sentimento que eu não quis…

Ciúme é um sentimento comparável a um palavrão. A gente sente, mas, como é feio, procuramos esconder para parecermos educados.

Sempre repeti até a quem não interessava que eu não sinto ciúmes, com aquele tom de superioridade, pois as pessoas maduras e bem resolvidas, como sempre me empenhei em ser, não são acometidas desta coisa chula chamada ciúme. Tantas vezes afirmei a ausência deste sentimento assustador, que acabei acreditando que não sentia.

Porém, assisti algumas das minhas tentativas de relacionamento acabarem, muito antes de começarem, por viver na ilusão de que o amaldiçoado sentimento não existia em mim. Você deve estar pensando: “por que esta louca se coloca na posição de espectadora da própria a vida?”.

Simples, a louca aqui muitas vezes engoliu o grito de ‘Vá a merda e suma da minha vida seu babaca!’ ao perceber claramente que o cara que estava ao seu lado não estava mais muito interessado, mas como era muito bem resolvida e não sentia ciúmes, tinha que resolver as coisas racionalmente, sem sentimentalismos. Confesso que,  inúmeras vezes, me contive, pois não queria perder o bofe ou até mesmo queria manter a sensação de estar com alguém.

A verdade é que tenho que aceitar a versão da minha terapeuta. Quando se nega um sentimento, perde-se a oportunidade de viver intensamente. Não estou incentivando ninguém a cometer atos insanos em nome de viver enlouquecidamente, mas é fato que aceitar suas próprias dificuldades e necessidades de carinho são uma prova de amor próprio, sensação essencial a qualquer relacionamento bem sucedido.

Estou aqui no Facebook lendo as nossas frases Solteirar de como é bom estar sozinha, seguidas das postagens dos namorados felizes e não pude evitar a reflexão. Para seguir firme neste momento filosófico de autocrítica melhor assessorada, abrirei uma bela garrafa de vinho Carménère e passarei o final de semana muito bem acompanhada.

Divirtam-se casais apaixonados e a quem, assim como eu, teve uma crise de ciúme contida, um brinde a uma vida Solteirar sem limites.

 

Já sei namorar, mas não quero

Identifico-me muito com a música dos Tribalistas “Já sei namorar”. Em determinados trechos ela diz o que é preciso saber, em outros como é chato ter que fazer algumas coisas que os namoros possuem como prática.

Eu já sei namorar e sei beijar de língua, portanto posso ter um namoro.

Como já sei aonde ir e onde ficar, só me falta sair fora dessa.

Afinal, não tenho paciência pra televisão, eu sou de ninguém e sou de todo mundo e todo mundo que me quer bem é meu também.

Já tive alguns relacionamentos, e esse lance de ter que combinar os meus horários com alguém, de ter que ficar juntinho nos momentos que quero solidão, ou ainda ter que fazer passeio romântico quando quero sair para dançar, é muito difícil para mim.

Gosto do namoro como sendo uma relação afetiva mantida entre duas pessoas que se unem pelo desejo de estarem juntas e partilharem novas experiências. Porém, não gosto da definição de que trata-se de uma relação em que o casal está comprometido socialmente, pois isso me passa um peso de obrigação e de sequência obrigatória do casamento.

Ao pesquisar a palavra Namoro no dicionário Michaelis, fiquei perplexa ao ver que entre outras definições estão “Esforçar-se para conseguir o amor de” e “Desejar possuir”.  Socorro! Como assim, “esforçar-se”? Não deveria ser um processo natural? Como assim “possuir”? Não deveria ser “compartilhar”?

Não é à toa que nossa sociedade encara esse tipo de relacionamento com tanta carga emocional. Eu gostaria de encontrar um cara com vontade de ficar ao meu lado para o resto da vida sem querer privar minha liberdade. Porém, quando falo em liberdade, ninguém entende como privacidade saudável. Sempre há uma desconfiança de que liberdade está relacionada à libertinagem e pegação.

Só sei namorar com alguém que nunca queira casar, nem mesmo morar junto. Só namorar enquanto o relacionamento for bom para ambos, mantendo a liberdade de nos vermos quando estiver legal para ambos. Só sei namorar se for com sinceridade de dizer que hoje não estou a fim. Só sei namorar no modelo de compartilhamento de momentos, com outro modelo não quero.

 

Dia dos namorados, você não nos atinge

Não vou apelar para o discurso de o quanto o dia dos namorados é mais uma data comercial (por mais que acredite nisso). Afinal, a economia agradece todo o amor dos casais nesse dia tão especial (leia com toda a ironia acumulada). Só não consigo entender como um não feriado possa afetar tanto a autoestima e o sentimento de solidão das pessoas ao redor deste mundo de meu Deus. Mas não estou aqui para julgar, passei todos os 12 de junhos da minha vida sozinha e vim dar meu testemunho: Eu sobrevivi! OK, dramatizei para parecer mais descolada, mas na verdade só tenho algumas dicas para as coisas parecerem mais leves, se é que você se importa:

·         Não lamente por não ter que gastar rios de dinheiro com um parceiro qualquer, veja como são fofas as decorações de corações pelo shopping (você treinou no Natal, sei que consegue) e incrível poder aproveitar as promoções para estocar chocolates para as crises de TPM.

·         Os ambientes de protesto fogem um pouco da Av. Paulista, sair de casa sozinha nesse dia é uma diversão, chega a ser um tapa na cara da sociedade ir ao cinema ou a um restaurante com você mesma. Hello, mundo, também precisamos nos alimentar e nos distrair, com sua licença.

·         Viaje para Campos do Jordão e seus similares. Entrem nos sites de compras coletivas, é esse o momento certo para comer fondue pelo Brasil afora.

·         Aproveite toda a criatividade que utilizaria pensando em um presente inédito para colaborar com o ambiente artístico: pinte um quadro, customize um jeans, escreva um poema, um livro, uma música…

·         Por último, se fizer realmente questão de uma companhia romântica nesse dia, veja um filme bem meloso em 3D, acho que pode ajudar, mas confesso que essa ainda não testei, então me contem depois.

É isso, espero ter aliviado toda a dor do mundo e, caso tenha esquecido alguma coisa, acredito que já existam manuais de sobrevivência para solteiros ou algo do tipo. Então, um último pedido: não encham tanto o saco de Santo Antônio no dia seguinte. Beijos.