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Mensageria

Quando conheço alguém e me envolvo, um único desejo me habita: que as horas futuras sejam nada além de uma extensão do transcorrido. Mas, passada a despedida, quem será o remetente da primeira mensagem? Quem sugere as coordenadas para o próximo encontro? Há espaço para saudade ou devemos estar blindados de recusa?

Minha ideia é planejar um fim de semana repleto do outro e obter o noticiário do mundo particular que gira do lado oposto da cidade. Porém, estou sendo consumida pelo arquejo de uma vibração no celular que salve minha a agenda da inércia.

Questiono-me se essa expectativa também habita o sujeito. E estabeleço o meu caos interior enviando um esquizofrênico ͞Olá. A resposta não tarda em chegar e construímos um diálogo que percorre gostos musicais e histórias de vida até que alguma ocupação nos usurpe daquela masturbação psicológica.

Perco eu, perde ele e perdemos tempo.

Foram tantos caracteres, emojis e risadas dissimuladas, para retornar ao primeiro estágio desse teatro: amanhã quem será o remetente?

Questiono-me onde se encontra a praticidade que nos faria reproduzir dizeres revolucionários de “vamos sair hoje à noite? ou “Estou a fim de sair com você…”

Intimidamos-nos pela probabilidade da rejeição? Ou nos acomodamos transferindo a responsabilidade para o outro?

Além de uma mistura desses pontos, suspeito que, na verdade, somos amantes dessa dúvida do remetente por não querer descobrir que não nos desejam por destinatários.

 

Stalkear? Quem nunca?

Você sabe o que é stalkear? Não? Vou te contar. Vem do verbo em inglês to stalk que significa perseguir. Sabe quando você está super a fim de uma pessoa e precisa saber tudo da vida dela? É isso, você começa a vasculhar aquele ser em todos os canais possíveis. Você já fez isso alguma vez?

Eu mesma já fiz. Sou super ansiosa e tenho uma necessidade incrível de saber tudo muito rápido. Stalkear alguém é uma tarefa que exige muito fôlego e você se depara com altas emoções.

Há um tempo fiquei a fim de um cara. Tinha o visto apenas algumas vezes, mas nada rolou, era apenas um amigo de um amigo. Mas cada vez que eu o encontrava ficava mais enlouquecida por ele. E agora, o que fazer com meu desespero? Resolvi criar um plano de ataque. Stalkear o moço!

Comecei por onde todo mundo começa. Dei um Google nele. Claro que apareceu um monte de coisas. Primeiro, descobri o nome completo. A partir dessa grande descoberta já consegui mais informações. Entrei no perfil do Face e já chamei-opara ser meu amigo. Ele aceitou quase que na hora! Ufa! Isso iria ajudar em muito a minha perseguição. Varri todas as suas fotos. Que gato! Mas espera aí, ele tinha várias fotos agarrado com umas… umas barangas, ai que raiva! E tinha sempre uma mesma loira nojenta pendurada no pescoço dele. Realmente esse negócio de stalkear é uma montanha russa de emoções. Bom, não podia desistir tão fácil por causa daquela piranha. Descobri que o mocinho era gente boa, trabalhava direitinho, viajava bastante e tinha vários amigos. Acho que valia a pena continuar.

Passei para o Twitter, que decepção! O cara era um babaca, aff… Mas com cautela percebi que eram postagens da adolescência, isso significa que ele poderia ter evoluído. Era uma esperança.

Continuando com a caçada no Insta… Mais pânico! O cara usava uns óculos fundo de garrafa e estava lotado de espinhas. Pai de cristo. Cadê aquele cara gato? Stalkear exige paciência e mais uma vez percebi que era coisa antiga, uma foto da formatura da 8ª série que um amigo tinha postado para zoar com ele. Alívio!

Voltando ao Face… Para você que quer uma busca incrível, aqui vai uma dica. Stalkear exige esforço, mas vale a pena. Entrei em todos os comentários dos posts dele e além disso, verifiquei todos os comentários de fotos em que ele está marcado. Mulheres adoram marcar seus amigos, principalmente na balada. Dessa forma você já vai descobrir muito sobre o gato.

Pronto, estava feliz com meu trabalho de detetive. Na verdade, estava muito orgulhosa de todas as minhas descobertas. Agora estava na hora do segundo passo. Ir atrás do carinha.

 

O que ele vai contar?

Portas fechadas. Quatro paredes. Luzes apagadas.

Um primeiro encontro que, provavelmente, também seria o último. Transamos, sussurramos e confessamos alguns segredos.

Ele parecia ser o sujeito mais legal do mundo!

Vesti-me, voltei para casa e, ainda delirante, repousei meu corpo cansado (e marcado) sob o sofá. Na manhã seguinte, já recobrada a lucidez, uni as peças que restaram daquela história: ele, eu, o sexo casual e dezenas de amigos em comum.

Será que ele vai contar tudo para todos?

Sim, ele vai. E a minha sensação de exposição e vergonha se transformou em ódio mortal por imaginar que a simples manifestação do meu desejo seria reproduzida de maneira vil, suja e covarde. Chorei por saber que seria humilhada com comentários indecorosos, que haveriam risos omissos e, talvez, na mente de algum abusado faria sentido tomar a liberdade de me faltar o respeito.

Chorei por saber que não sou a única mulher a passar por isso…

E, porque em pleno século 21 ainda temos nosso comportamento sexual tão questionado. Por que é permitido nos diminuírem? Por que preciso achar normal que minha intimidade seja exposta? Por que temos que essa linha demarcando a imoralidade feminina?

Por que ainda somos o lado frágil e hostilizado de uma relação de vantagem mútua?

Sequei as minhas lágrimas. Não posso me envergonhar de mim, se não encontrei dignidade nos parceiros que tive a reconheço em cada detalhe da mulher que me tornei. Desde a postura obediente de boa filha até a conduta obscena de vaca profana.

Menstruação é coisa de Mulher – Diferença entre gêneros?

Será mesmo a melhor solução lutar pela igualdade entre gêneros?  Antes de você começar a ficar com raiva e me xingar, deixe eu explicar. Igualdade é diferente de justiça, que é diferente de respeito. Que tal pensarmos em respeito entre gêneros em vez de igualdade entre gêneros?

Os corpos de homens e mulheres são anatomicamente e biologicamente diferentes, fato. Alguém duvida disto? Acho que não, né?  Pois bem, para começar, mulheres têm ciclos menstruais, isto implica uma enorme variação de hormônios durante o mês. Isto afeta diretamente o nosso humor. Para umas, mais e para outras, menos, mas em alguma fase da vida somos afetadas por essa oscilação de humor provenientes deste ciclo hormonal. Irritação, dor, cuidado redobrado com a higiene em dias de menstruação, atrapalham nosso dia a dia. Somos diferentes dos homens, que não fazem a menor ideia do que é passar um ou mais dias sangrando todo santo mês.  Isso nos toma tempo e dinheiro (temos que comprar absorventes ou qualquer outro artifício que nos proteja de derramar nosso sangue por aí).

Mas em nenhum momento pedimos respeito a esses dias tão sagrados para nós, esses que são só nossos, unicamente da natureza feminina. Estamos tão acostumadas a não nos respeitar que, se ouvimos uma mulher reclamando de TPM ou outro sintoma da menstruação, perdemos a paciência e já soltamos um “Para de frescura!”. Durante anos procuramos nosso lugar no mundo, queremos ter os mesmos direitos dos homens, mas esquecemos que somos diferentes. Tomamos pílulas, emendamos uma cartela na outra, usamos dispositivos intrauterinos com hormônios, entre outros para anularmos nossa linda condição de mulher. Assim, nos tornamos iguais a eles, pois retiramos a nossa “fragilidade” em relação ao corpo masculino.

Não está na hora de repensarmos isto? Não seria melhor aceitar nossa natureza e pedir respeito ao nosso corpo? Que tal termos direito à licença a menstruação, sem sermos alvo de chacota? Talvez você, leitora, possa ter rido dessa ideia que até parece piada. Mas já tem gente pensando diferente. O médico inglês, obstetra e ginecologista, Gedis Grudzinskas professor da Bartsand The London Escola de Medicina, em Londres, defende a licença a menstruação. Inclusive em alguns países asiáticos essa prática já está em vigor, como é o caso de Taiwan, Indonésia e algumas empresas no Japão. É claro que os homens neste caso não iriam aceitar, e começariam a falar em igualdade de gêneros.

Com isso você já pode perceber como falta pensar em respeito a nós mesmas. Em respeito entre gêneros ao invés de igualdade entre gêneros.

Esse feminismo anda meio exagerado, não?

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Já há algum tempo que a discussão sobre feminismo, antifeminismo e sexismo está mais quente do que nunca nos jornais e eventos culturais.

Discursos em premiação de filmes internacionais, famosas com discursos feministas, agora dizendo que na verdade não são feministas.

Daí pronto. O circo começou a pegar fogo de novo.

Se analisarmos mais detalhadamente as mulheres de destaque na história, podemos observar comportamentos distintos.

De um lado, mulheres valentes e batalhadoras por suas ideologias, que não mediram esforços para fazer valer suas crenças. Nesse grupo, podemos citar Joana D’Arc, Madre Teresa de Calcutá, Anita Garibaldi e Margareth Thatcher.

Elas não precisaram perder tempo para discutir direitos femininos e nem se colocaram em posição de vítimas para se destacarem. Elas só precisaram arregaçar as mangas e trabalhar duro pelo que queriam. Lutaram contra todas as barreiras e contra elas mesmas.

De outro lado, Simone de Beauvoir, Kate Miller e Cheryl Clarke nos alertando sobre a família ser uma instituição falida ou nos fazendo ouvir discursos inflamados que nos fazem de algum modo achar que os homens é que são sempre os culpados.

Esses dois diferentes tipos de comportamento parecem analogamente a ideologias econômicas divergentes.

O primeiro grupo corresponde às mulheres que seguiram e foram bem sucedidas na liberdade de mercado.

Já o segundo grupo me parece ser a reivindicação do fim do mercado livre e do início dos “direitos iguais”.

Isso me lembra um pouco a história do sistema de “cotas” (aliás, hoje tem cota para tudo).

Embrenhar-se por esse caminho é reconhecer, na certa, a inferioridade das mulheres.

Outra analogia que me vem à mente diante do discurso das “modernas e intelectuais” mulheres feministas é a da ideologia do socialismo, que outrora aprendi na faculdade. Essa ideologia, tendo como cerne uma sociedade caracterizada por igualdade de oportunidades, não durou muito. Ruiu.

Sinceramente não acredito que somos oprimidas; tampouco acredito que não temos as mesmas chances que os homens.

Não se trata de não termos os mesmos direitos. Mas, sim, fruto de evoluções e acontecimentos históricos que vão moldando a configuração da sociedade e, assim, alternando o papel da mulher e do homem, como o papel do velho e da criança, dos casados e dos solteiros, etc.

Não será com discursos de mulheres artistas que haverá mudanças ou que as pessoas ficarão convencidas de que é necessário mudar.

As evoluções e fatos históricos é que ditaram e continuarão ditando o caminhar de cada gênero.

Por exemplo, no começo do século XX, a produtividade havia aumentado tanto devido à Revolução Industrial que um homem de classe média era capaz de ter um salário que dava para sustentar toda a família e, com isso, muitas mulheres optaram ficar em casa.

Entretanto, no período da Segunda Guerra Mundial, as mulheres retornaram ao mercado de trabalho para ajudar no sustento da família.

Sim. Se julgarmos que estamos sendo maltratadas, discriminadas, temos mais é que colocar a boca no trombone.

Mas, diferentemente de reivindicações ideológicas eufóricas, estamos falando de direitos civis que todo cidadão tem.

Mulheres não precisam se alistar, se aposentam mais cedo, possuem certas exclusividades e benesses ora não mencionadas nessa disputa feminismo-machismo.

Vale lembrar que as manifestações ufanistas sempre desconsideram ou escondem a parte boa da situação.

A virada da mulher de 30

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Uma leitora nos pediu um texto sobre a mulher de 30 anos. Eu prontamente me candidatei a escrevê-lo. Adorei a virada dos 30 anos.

No ano em que fiz 30 anos, refleti muito sobre alguns aspectos fundamentais da minha vida:

– Se a expectativa de vida de um brasileiro é de 75 anos, eu já tinha vivido 40% da minha vida. Eu estava feliz com o que consegui até então? O que ainda faltava? O que era preciso mudar para aproveitar bem os próximos 60%?

– Minha ginecologista explicou que nosso corpo está preparado para produzir hormônios até os 30 anos, e que não era à toa que se comentava que a mulher possui um relógio biológico que alerta para ter filhos. Após os trinta, as taxas hormonais começam a diminuir, mas vale lembrar que uma mulher saudável não terá uma queda brusca, apenas iniciará o processo de diminuição. Logo, era com o meu marido que eu queria ter filhos? Ou eu estaria perdendo tempo em um relacionamento sem futuro para os meus planos de maternidade?

– Uma médica ortomolecular, que eu tinha procurado por estar acima do peso, me avisou que o envelhecimento começa a se instalar nas células aos 30 anos. Como estava  minha qualidade de vida? Eu era feliz no trabalho? Tinha tempo para mim? Eu estava me cuidando?

– Ouvi falar na minha roda de amigos que a mulher precisa estudar muito mais que o homem para ocupar o mesmo cargo. Constatei ao olhar ao meu redor que se tratava de uma realidade. Eu já tinha estudado tudo o que precisava? Estava na hora de investir em outra formação?

Não pensem que eu não era feliz. Eu era feliz por ter chegado bem aos 30 anos. Eu tinha um casamento, uma carreira, já tinha cursado um MBA. Portanto, já era considerada uma mulher de sucesso. Mas eu queria parar por ali ou queria mais? O que eu estava fazendo para garantir a continuidade da minha felicidade nos próximos anos.

Essas reflexões me levaram a mudar minha vida de uma forma tão incrível que hoje, já passei dos 40, considero que o alicerce de minha felicidade foi firmado aos 30 anos, quando fiz meu momento da virada:

– Dei um novo rumo para minha carreira, pois a função que eu exercia, embora com muito conforto e sucesso, não me movia mais. Percebi que estava acomodada e mudei de área dentro da mesma empresa onde eu trabalhava.

– Pedi a separação, rompendo o casamento com o cara que era um ótimo companheiro de aventuras e que deveria ter sido somente o meu melhor amigo, mas que como marido e mulher estávamos fadados a uma vida onde eu sempre seria a mãe dele.

– Comecei a sair e descobri que aos 30 anos eu era jovem e, apesar do meu sobrepeso, ainda era capaz de atrair muitos olhares.

– Me dediquei a mais uma especialização que faria diferença na minha carreira nos próximos anos.

Enfim, para algumas mulheres a marca dos 30 anos é só mais uma data, pra outras pode ser  um novo início. O que importa é comemorar e avaliar se o caminho que te fez sobreviver até  aqui é o mesmo que a fará uma mulher feliz nos próximos 30. Se a conclusão for “sim, estou no caminho certo”, lute para continuar nele, caso contrário, derrube já as barreiras que possam impedi-la de ter o sonhado futuro feliz.

Afinal, cada idade tem suas características, mas em todas o melhor da vida é ser feliz. Descubra o que é ser feliz para você.