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Os folgados em um avião

O cidadão sentado na poltrona do meio e você sentada no corredor.

Logo após 15 minutos da decolagem, o cara resolve ir ao banheiro.

Você, com aquela cara de simpática fingida, tem que se levantar.

Pior: já sabe que depois terá que levantar novamente quando ele voltar.

Santo Deus, por que não vai ao banheiro antes do embarque?

 

Você sentada na janela. Quietinha, sem perturbar ninguém.

Dali a pouco um ronco bem ao pé do seu ouvido vai lhe incomodando até quase o fim da viagem.

Você disfarçadamente esbarra na pessoa “sem querer querendo” torcendo para que aquele barulho chato e meio nojento cesse. Tática quase sempre não muito bem sucedida.

Resta apenas ficar olhando para o relógio para ver se os ponteiros andam mais rápido.

 

Mulher literalmente sem noção embarca atrasada.

Carregando várias bagagens de mão, tenta guardá-las no compartimento de
malas.

Sem sucesso, eis que a “dona encrenca” resolve tirar exatamente a sua mala do
lugar (que estava ali bem pequenina e ajeitadinha) para colocar a dela.

Folga é pouco para esse tipo de atitude.

 

Avião mal aterrissou e o fulano já desata o cinto, fica de pé no corredor querendo praticamente sair pela janela.

Daí percebe que as portas ainda demorarão a abrir.

Impaciente, o cara continua no corredor, agora apoiando todo corpo em sua
poltrona.

Liga o celular e começa praticamente a gritar avisando que já chegou e aproveita
para contar vantagem sobre aquela transação financeira importante que fechou
ou aquele carro importado que acabou de comprar.

Aquela voz esnobe bem em cima do seu cangote (ou com o traseiro bem no seu
rosto).

Ao desligar o celular, o fulano ainda dá uma olhada para os lados só para
verificar quem da “platéia” estava prestando atenção nas suas ostentações.

O mais engraçado é que depois a gente sempre acaba alcançando esses
apressadinhos na esteira de bagagem.

Dá até vontade de dizer: “Aí, babaca, só para lhe avisar, minha mala chegou primeiro que a sua e já estou indo embora, ok?”

 

Sabem me dizer se há algo tão especial nos minúsculos banheiros de um avião? Ou se os dez primeiros passageiros a saírem do avião ganham algum prêmio? Ou é simplesmente falta de educação mesmo?

Qual a cara dos meus amigos ?

Todo mundo aparenta algo e todo mundo enxerga a aparência do outro através dos seus conceitos e preconceitos. Quem nunca se pegou usando aquela frase da mãe que sempre odiou?

Hoje estou aqui observando as telenovelas e os comerciais da televisão. O que eu acho mais engraçado nas novelas são as pessoas soltas, aquelas que não têm família, referência ou história no meio da trama. São como um acessório na família dos outros, e aí me lembro da minha mãe perguntando: sua amiga? Se eu não souber quem é a família, você não vai brincar com ela!

Mas, de fato, você coloca na sua casa alguém que você não curte a aparência? Claro que os amigos têm um pouco da nossa cara, pois ninguém tem afinidade com aquele que não tem qualquer semelhança de valores com você. Quantas vezes olhamos a imagem de alguém e nos aproximamos porque a pessoa tem uma aparência que admiramos, porque ela (ele) parece ser tão divertido e simpático, mas de fato só vimos o sorriso e não observamos as atitudes?

Eu já formei laços de amizade com pessoas que aparentavam ser muito legais, mas de fato eram bem mal humoradas e a simpatia era apenas parte de um jogo de interesses exclusivos da pessoa para obter uma vantagem. Também já acreditei que uma amiga(o) tinha uma vida muito melhor que a minha pelo sorriso que ela (ele) desfilava no rosto, porém essa expressão servia apenas para suprimir uma amargura enorme.

E aí, quem estava errado nesta situação, o sedutor ou o seduzido? Não tenho a resposta e minha terapeuta insiste que eu tenho que me perdoar por ter cometido pequenos erros ao ter conclusões precipitadas. A única aparência real que nunca me enganou é a que o meu cachorro transmite, e ele talvez seja o único que não se enganou ao reconhecer minha alegria ou minha tristeza.

Ainda assim, eu continuo procurando alguma identificação com a minha vida nas propagandas e aí novamente me deslumbro com as imagens de vários objetos de desejo: a joia, a roupa, o sapato, o carro, etc.

Então resolvo desligar a TV para não enlouquecer e vou andar com o cachorro para pensar no quanto sou seduzida pela aparência daquilo que parece ser o caminho da felicidade eterna. E já que era para me esquecer da aparência das coisas, deixei as tarefas de casa para mais tarde, afinal, o que vai adiantar uma casa arrumada em uma cabeça bagunçada?

 

Batalha: Ele x Meu ambiente seguro

Talvez eu tenha demorado demais para falar de vez com você sobre isso, porque sei que no final sua resposta vai ser algo bem próximo de um simples “Tá bom, se vai ser melhor para você…”, enquanto o que eu realmente queria era “Não, vai dar tudo certo, eu vou ficar com você”. Isso traz a responsabilidade de decidir logo para quem eu devo torcer na batalha que tem acontecido dentro de mim, entre você e o meu ambiente seguro.

Não sei como tudo isso aconteceu, eu era outra pessoa antes de você. Eu simplesmente não me importava. Estava bem sozinha e não era da boca para fora. Eu fazia de tudo: via séries deitada na cama, dormia domingos e domingos, ia sozinha ao cinema assistir o que eu bem entendesse (com direito à pipoca e tudo), eu não tinha ninguém em vista, então podia ser qualquer um quando eu quisesse pelo tempo planejado. Eu fazia minha comida ou pedia algo pronto, estava ok. Era focada 100% no trabalho e esse é meu momento para isso mesmo, pelo menos era o que eu acreditava.

Você veio bagunçar e me diz pra quê?

Chegou aos poucos simplesmente se importando, e , sinceramente, não sei administrar isso muito bem. A gente ficava quando dava e conversava o tempo todo, porque sim. Eu achei que seria mais fácil te encarar como mais um, mas não foi.

Você foi diferente, sabe. Você era tudo que eu esperava do meu amor platônico aos 13 anos e a única coisa que fiz quando descobri foi chorar no chuveiro e dizer que precisava ficar um pouco sozinha.

Mas eu não sei viver assim, eu não consigo. Quando isso acontece, eu sou a presa e só consigo desejar que não seja hoje o dia que decidiu desistir de mim, porque sei lá, eu não tenho nada demais.

Talvez seja apenas insegurança e no final das contas fosse dar tudo certo entre nós, mas  demorei para aprender com os outros e não vai ser dessa vez que estarei disposta a arriscar por você. Obrigada, mas acabou, porque resolvi não esperar mais.

Aquele relacionamento que eu não quero mais

Várias vezes ouço que sou muito independente, ou ouço uma frase bem maluca: “Queria ser assim como você, livre! Não precisar de ninguém!”

Então, minha querida amiga, claro que eu preciso das pessoas! Mas descobri que não preciso de um relacionamento que me faça mal. Não estou falando de nenhuma tragédia, pois felizmente nunca fui espancada, roubada ou estuprada. Mas, assim como muitas mulheres, já desperdicei meu precioso tempo em alguns relacionamentos que não agregaram o que eu mais queria: alegria na minha vida.

Eles trouxeram a emoção do pequeno momento, intenso muitas vezes, mas deixaram um vazio imenso cinco minutos após a despedida rápida, com poucos gestos de atenção.

Mesmo que seja só sexo, é necessária uma certa dose de carinho. Acredito que mesmo os amantes possam ter sentimentos. A aventura do relacionamento sem compromisso acaba tornando a emoção em um gozo tão eficaz quanto um vibrador: traz prazer, mas logo vem o frio da falta do abraço.

Para este tipo de relacionamento, deixo meu abraço e meu adeus. Dói no começo, pra ser sincera, dói por um bom tempo. Algumas vezes você se pergunta se precisa ficar separada mesmo, afinal, ele não faz tão mal assim e é gostoso estar junto, o sexo é uma delícia, etc, etc, etc…

Porém, quando recupero minha sanidade, imediatamente penso: “Se quiser entrar na minha vida, traga com você uma boa dose de alegria e coragem para ser um bom parceiro, seja na cama ou na hora da despedida”. Quero alguém que embarque comigo em uma viagem livre do peso de ser responsável por mim, mas que não seja egoísta para me querer para servi-lo como um objeto de prazer.

Então, a quem quer ter a minha liberdade ou a minha vida, eu digo o seguinte: “Ser sozinha nem sempre é bom, mas não estar aprisionada a quem me faz mal e conseguir enxergar que aquela pessoa que mexe comigo e com quem eu dividiria os melhores momentos não me dá razões suficientes para estar na minha vida, é libertador”.

Comédias da Vida Solteira – Episódio I: “Notícias do Cárcere Matrimonial”

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Poucas coisas nesta vida são melhores do que encontrar as grandes amigas. Num desses encontros, uma delas precisou desabafar: “Meu marido está desempregado, pedi uma ajuda para limpar os banheiros e ele deixou tudo encharcado! Nunca mais peço isso para ele! Deu mais trabalho arrumar a bagunça que ele fez do que se eu própria tivesse limpado…”

Embora nossa amiga estivesse visivelmente em prantos com a inundação de seu banheiro e com a insensibilidade de seu digníssimo esposo, a amiga recém casada tentou amenizar o infortúnio defendendo o dito cujo aspirante a Aquaman: “Coitado! Bem que ele tentou! Dê mais uma chance. Explique para ele como se faz. Desse jeito ele nunca mais terá motivação para ajudá-la.”

Porém, a primeira rebateu: “Mas ele usou a mangueira do quintal para lavar tudo! Todas as toalhas ficaram ensopadas e perdi um montão de coisas que não poderiam ser molhadas.”

A casada há mais tempo resumiu sua versão do caso: “Típica reação masculina para que você nunca mais peça isso para ele! O meu marido sempre quebra algo quando imploro para que ele lave a louça!”

Não sei exatamente em que momento uma delas me perguntou: “Freda, o que você acha?”

Bem, neste fatídico exato momento – em que tinha poucas frações de segundo para responder – a massa encefálica em minha cachola disparou o “módulo emergencial” na tentativa de criar qualquer sinal de “empatia” pela vítima. A primeira tática utilizada pelos meus neurônios inexperientes no assunto foi visualizar um marido para, então, inventar como torturá-lo.

Esforço em vão. Meu cérebro nunca havia projetado tal entidade odiosa em meu futuro existencial.

Assim, quando o processamento do comando “imagine seu marido” foi iniciado, meu cérebro perdeu-se numa falha de processamento por não encontrar nenhum indício de informação. Deu-se início ao Plano B…

A tentativa desta vez foi colocar-me no lugar da minha amiga… Novamente meu cérebro começou a sofrer os efeitos de uma espécie de “referência circular”. Os cenários da projeção não faziam o menor sentido, especialmente considerando-se a série histórica que os alimentava…

“Dividir um banheiro com um cromossomo capenga? Nem pensar!”

“Limpar pingos de ‘mijo’ pelo chão? Nem morta!”

“Esperar que alguém lave o meu banheiro? Inútil!”

“Preocupar-se tanto com o banheiro e outros afazeres domésticos? Até parece… Minhas bagunças são apenas minhas…”

Em vista das inúmeras buscas em um conjunto vazio de respostas, meu pobre e ignorante cérebro ativou o módulo “alienação automática” e logo concluí que seria bem divertido usar a mangueira para dar um “trato” em meu banheiro.

E a resposta improvisada saiu quase sem querer: “Ele pode ter experimentado um método engenhoso para deixar o banheiro limpo por mais tempo…”

Bem, nem preciso descrever a reação das minhas amigas com essa ajuda desastrosa… Da próxima vez, apenas ligo o módulo básico “Os homens são uns ridículos!”, que não tem erro.

Naquele dia, voltei para casa nas nuvens. Afinal, esse e outros dilemas “conjugais” não fazem – e nunca farão! – parte da minha livre, leve e solta realidade de solteira.

Livre, leve e solta

Quando resolvi ser livre eu entendi finalmente o que é estar leve, solta como uma pipa aos sabores do vento, mas forte o suficiente para aguentar as tormentas. Leve para entender que o que me faz mal não me cabe, mesmo que esse mal seja conhecido como amor. Não que eu esteja depreciando a palavra, mas já se sabe que se te faz mal, você está supervalorizando o sentimento errado achando que é amor. O amor tem que ser leve, sem te pesar nos ombros te fazendo entristecer e nem doer no peito, te deixando amarga.

Resolvi ser livre e assim comecei a entender que isso não quer dizer estar sozinha, quer dizer apenas que não dependo de outro alguém para ditar como o meu emocional deve reagir, como o meu humor deve se portar diante de atitudes que não competem a mim mudar porque não dependo de nenhuma aprovação para ser quem sou, eu apenas sou.

Resolvi ser livre e aprendi a dar valor ao fato de estar solta, de não ter que dar satisfações do meu dia a dia, do tamanho da minha roupa, da demora em atender um telefone, do olho torto aos meus amigos, do comodismo em se acomodar na vida e na relação, achando que amores sobrevivem do “mais do mesmo” diário.

Eu aprendi que me libertar não é sofrer, nem mesmo chorar, não é me sentir incompleta por não ter alguém para me beijar nas noites frias, para me dar carinho nos dias difíceis… Na verdade, me libertar é saber que posso chorar e sofrer quando quiser, mas também é valorizar quem eu sou, emancipando a mim mesma, me conhecer mais do que ninguém, reconhecer a minha força interior e entender que não preciso estar dependente de ninguém para sorrir.

Hoje eu sei que minha liberdade vale muito mais do que um status de relacionamento que muitas vezes nem me faria feliz, só me faria menos “falida” para a sociedade. Aprendi que a sociedade pouco importa na minha vida, pois nunca me importei com os seus valores. Quando somos livres, nos livramos de tudo o que nos prende, de tudo o que nos deixa estagnadas e nos impede de avançar, arcamos com nossas atitudes, consequências e incertezas sem pestanejar, porque sabemos que até isso nos levará a algum lugar.

Convidada:  Marcia Rocha (seguidora)