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De volta do futuro

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31 de dezembro de 2015: fase de retrospectiva deste que foi um dos mais amargos anos que os paulistanos já tiveram notícia.

A economia não saiu da UTI. As doses cavalares do receituário neoliberal prescritas em atraso pelo governo federal nos deram a sensação de que moramos na Grécia. Ou na Venezuela.

Apesar das orações a todo tipo de entidade transcendente e das falsas esperanças com as chuvas de fevereiro e março, o colapso hídrico e energético do Sudeste não deu trégua: os racionamentos foram mesmo severos.

E ficamos sedentos pelo velho vício de esbanjar água…

No entanto, do mais devastador fundo do poço, de onde justamente se esperava a mais árida reação egoísta (afinal, os paulistas são “desumanos”, não é mesmo?), fomos surpreendidos com pura solidariedade em estado bruto.

Em todos os bairros multiplicaram-se oficinas comunitárias de construção de cisternas caseiras (para armazenar água da chuva). Moradores das regiões menos afetadas, ou com caixas-d’água mais volumosas, acolheram como puderam os seus vizinhos, parentes e amigos mais prejudicados por dias e dias sem água na torneira. Milhões de pessoas compartilharam ideias para economizar água e energia elétrica.

E foram além… Os mesmos paulistanos castigados pela estiagem lideraram ações e campanhas visando a preservação da água a longo prazo: mutirões para plantar árvores em cada canto da cidade, apoio maciço à recuperação da Mata Atlântica, boicote a produtos agropecuários provenientes de regiões de desmatamento, despoluição dos rios Tietê e Pinheiros, investimento em tecnologias renováveis, mobilização pública pela meta de DESMATAMENTO ZERO na Amazônia…

Enfim, o ano mais implacável foi também o ano em que nós paulistanos (re)encontramos a humanidade que imaginávamos irremediavelmente infiltrada na massa cinzenta de concreto, asfalto e poluição. Certamente, nunca mais voltaremos a ser como antes de 2015: tornamo-nos mais preparados e confiantes de que podemos ajudar a mudar o Brasil e o mundo com a força da coletividade…

Enquanto me maravilhava com as reportagens da retrospectiva 2015, fui interrompida por Doctor Emmet Brown me avisando que o De Lorean precisava partir. A volta a março de 2015 foi rápida e indolor.

Até agora não sei bem se tive um surto paranoico de esquizofrenia ou se o meu ídolo de infância realmente me levou para o passeio que sempre sonhei…

De qualquer forma, ao voltar a ler os noticiários da “atualidade” com os mais desoladores prognósticos, suas palavras não param de martelar a minha cabeça: “Seu futuro não está escrito, então construa um que seja bom.”

 

PS: Este artigo é uma homenagem aos paulistanos do “Movimento Cisterna Já” que, como Robert Zemeckis, o criador do filme que fez história e que, insolitamente, também inspirou a tecnologia do futuro, nos fazem acreditar na frase acima. Leia mais sobre esse movimento aqui.

Dica de filme: As horas

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Assistir filmes é uma excelente forma para Solteirar! E por que não aliar diversão com discussões interessantes?

O filme “As horas”, dirigido por Stephen Daldry, baseado no livro homônimo de Michael  Cunningham, retrata um dia na vida de três mulheres em três períodos diferentes.

Na década de 1920,  Virginia Woolf (Nicole Kidman), importante escritora inglesa, autora do clássico “Mrs.Dolloway”, vive uma crise de depressão e ideações suicidas. Em 1951, Laura Brown (Julianne Moore), é uma mulher que, seguindo as crenças sociais, se casou e teve um filho, mas ainda sim se encontra insatisfeita e encontra na leitura do livro escrito por Virginia Woolf um forte eco para seus conflitos. Por fim, nos anos 2000, Clarissa Vaughn (Meryl Streep), pode ser identificada como a personagem do livro de Woolf, preparando uma festa de aniversário para seu antigo companheiro.

As excelentes atuações das protagonistas e o roteiro completamente amarrado nos oferecem uma experiência cinematográfica angustiante.  Trata-se de um filme de voz feminina, no qual as personagens sentem o peso das horas que se esvaem e das escolhas que um dia fizeram. É uma daquelas histórias que causa um bolo no estômago, mas que também nos faz pensar sobre nossos medos, sobre solidão e sobre finitude.

Assistam e venham contar para a gente o que acharam depois!

Identidade

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Confesso, o hino nacional me emociona. Quando ainda estava no colégio, nos reuníamos diariamente em direção à bandeira para entoá-lo com a mão no peito. Lembro-me também que no auge da minha fase atleta, seu timbre abria nossos jogos ou coroava o resultado. Bom, não sei exatamente o que me deu sabor para trovar essa mesma letra manjada, mas para mim, cada vez que o ouço é diferente.

Não foram os hinos que me deram a clareza do país em que eu vivo, mas sim, as viagens que fiz desde muito jovem com meus pais e me deparei com a pobreza; as manchetes nos veículos de notícia, que ora camuflavam as verdades, ora maquiavam mentiras; e, por fim, o povo, e considero como povo desde os executivos que pagam um carro popular de impostos todos os meses até os que não pagam nada e passam fome todos os dias. Afinal, são vítimas do mesmo algoz: a má administração pública.

Deste modo, entendi que o que compõe o Brasil está aquém de um conjunto de belezas naturais e toda essa “baboseira” de país tropical. Percebi que o Brasil é um complexo de diferença, desigualdade e ignorância. É claro que essa conclusão é trivial e algumas pessoas veem nessas características ótimas oportunidades de praticarem o autobenefício, assim, nos tornamos uma pátria historicamente saqueada em todas as direções.

Quando as pessoas decidiram ir às ruas, acreditei que surgiria outra nuance da face brasileira, talvez uma menos separatista que aquela exposta no resultado das últimas eleições ou uma menos ingênua que nos movimentos de junho de 2013. Uma com a simples preocupação de ajudar o país, de resgatar a economia, de reduzir desigualdades, e que estivesse realmente empenhada em transformar esse projeto de fezes que vivemos em uma DEMOCRACIA mais justa. Mas, na contramão de tudo, assisti alguns dizeres e pedidos, sim foram PEDIDOS, de intervenção militar!

Isso é mais que um acesso de ignorância, é um carnaval inteiro de burrice!

Duas coisas me preocupam nesse levante: a primeira está relacionada às diversas colocações que observei sobre posicionamento político. A minha leitura é que na maioria das vezes existe um desejo de catastrofismo disfarçado de crítica solucionadora, uma necessidade de encontrar algo que corrobore a própria razão e um contínuo exercício de apontar mais erros do que saídas. A segunda é que toda essa energia se torne obsoleta por não termos clareza do que queremos e das consequências que podem surgir do nosso clamor. OBSOLETO! Este não será o cenário de um gigante adormecido, embriagado ou qualquer outra coisa, mas sim a confirmação de uma colossal INCOMPETÊNCIA!

Posso até estar errada, mas não gosto de mensagens separatistas, não fui apresentada ao governante dos sonhos que aparecerá após o impeachment e ainda não me ficou clara que parte da liberdade de expressão está tão ruim para MANIFESTANTES!

De quem é a voz que estamos ecoando? Nessa marcha pelo Brasil, será que realmente entendemos que entoar o hino nacional em uníssono é falar por si próprio e por todos os outros? Existe um viés de identidade nesse processo e precisamos reconhecer um fato: lutar pelo país é enxergá-lo sem fronteiras, seja pra terra ou seja pra gente.

Consumir faz você feliz?

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“O que faz você feliz? O que faz você feliz, você quem faz”.

Adoro a letra e a musicalidade dessa “poesia” da Clarice Falcão. Dá vontade de ser feliz pra ontem. Está em nossas mãos: o que faz você feliz, você que faz. E o que você faz?

Voltei a refletir sobre isso (na verdade, penso sempre nisso ouvindo a música da Clarice) assistindo a um vídeo bacanérrimo sobre a produção das roupas de “fast fashion”, das roupas de usamos.

Pois bem. O jornal norueguês “Aftenposten” convidou 3 blogueiros de 17 anos, famosos na Noruega, pra participarem de um reality show onde eles tiveram que trabalhar por um mês em uma fábrica na capital do Camboja, onde são feitas as roupas de uma gigante da moda rápida, e viver com esse dinheiro.

Que vida é essa? É o título do 5º e último episódio. O discurso dos personagens muda. Chorei junto. O sentimento muda. O olhar para o outro, para si e para o consumo, mudam. Sinta essa emoção aqui.

Depois de ver esses vídeos, não dá pra entrar numa loja e não pensar: de onde vem essa roupa? Que mãos fizeram essas peças? Qual eu quero que seja a minha postura diante dessa roupa feita no Camboja, na China ou por bolivianos escravizados em São Paulo? Deixar de comprar vai mudar alguma coisa?

O boicote a esse modelo de produção pode fazer a comunidade internacional repensá-lo. Mas aqui, no meu microcosmos, quais decisões posso tomar para conciliar consumo e felicidade, para que a minha alegria não implique a superexploração de outros, para que o consumo não seja fonte de frustração e vazio?

Sob essa perspectiva, reflito se realmente comprar várias peças de roupa, umas bolsas de marca e um sapato de cada cor é o que me faz feliz? Qual o sentido de tudo isso para mim? Conhecer-se é essencial para dar o destino certo a seu dinheiro e fazer dele um instrumento de felicidade.

Convidada: Carina Bicalho

Para os Solteirandos que gostam de atividades físicas nada convencionais

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Segue a dica que é ótima para ser praticada ao ar livre, em um parque da sua cidade*.

AcroYoga é uma prática que integra Yoga, Acrobacia e Massagem Thai. Trata-se de uma prática dinâmica, desafiadora e lúdica, trazendo a consciência para a superação dos bloqueios corpóreo-mentais de uma forma leve por meio da interação com os outros praticantes.

É um ótimo jeito de se desenvolver força, flexibilidade e relaxamento, além de melhorar a autoestima, consciência corporal, desapego, confiança, criatividade, superação de medos e ansiedades.

Depoimento de uma praticante: “Já tinha praticado yoga antes, mas achava as aulas sempre muito chatas. A convite de um amigo, resolvi participar de uma aula experimental. E, para minha surpresa, adorei! No começo achava que não conseguiria fazer nada, mas logo criei confiança e estava fazendo um monte de posições (“asanas**”) super legais. Há um ano praticando, sinto que a acroyoga trouxe mudanças para a minha vida. Me sinto mais confiante, mais equilibrada, mais tranquila e claro, muito mais flexível e alegre. Vale a pena experimentar.”

*A acroyoga pode ser praticada em estúdios também.

** Asana é uma palavra em Sânscrito que significa “postura confortável e equilibrada”.

Para obter mais informações, acesse: http://yusufprem.wix.com/terapiacorporal#!yoga/c17iw

Mais um dia de cidadania

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Saí da cidade maravilhosa nesta sexta, 13/março/2015, pela manhã utilizando o serviço de cães na cabine da companhia aérea, rumo a São Paulo para duas festas de 50 anos.

Fiquei hospedada na casa de uma amiga pet friendly, que respeita minha paixão pelos companheiros peludos. Sei que existem ótimos serviços para hospedar cães, mas se possível carrego o meu amigo comigo, principalmente no dia dos animais.

Essas festas serão compartilhadas com vocês em outra ocasião, hoje vou me concentrar no meu lado cidadã…

Depois de dois dias de festas e uma bebedeira homérica, acordo com o cachorro lambendo minha boca para levá-lo para fazer suas necessidades. E aí começa a rotina:

  1. colocar a coleira no cão (coleira é um cuidado com o cão e respeito à boa convivência em sociedade);
  2. pegar saquinhos (a sujeira do cão é minha responsabilidade);
  3. atenção com outros cães (cães soltos podem ferir meu cão);
  4. andar, andar, andar e andar até cansar e pedir água!

Durante o passeio, pessoas de verde e amarelo cruzavam por nós com guarda-chuvas em punho (ah, terra da garoa, espero que a seca lhe deixe para sempre e você volte a honrar seu pseudônimo…).

Volto para casa, coloco os saquinhos com as coisinhas sujas no lixo e dou um banho no cão – domingo é dia de banho onde estivermos! Depois do amigão estar feliz e bem cuidado, vou para as ruas!

O metrô estava completamente verde e amarelo: é emocionante ver as pessoas exercendo seu direito democrático e gritando por um país honesto.

Em Sampa falam da revolução dos coxinhas*. Li no Face que ninguém é infeliz comendo coxinha, então talvez o nome seja bem apropriado… Para mim, pelo menos, que gosto de pessoas felizes.

Enfim, gritei para que o país acabe em coxinha*, sim!

*Coxinha é um termo pejorativo usado na gíria e que serve para descrever uma pessoa “certinha”, “arrumadinha”.